domingo, 22 de junho de 2014

A CENSURA DEMOCRÁTICA


Discordo, acentuadamente, do texto a seguir sobre a Censura, discordo, acentuadamente da explicação de Ignacio Ramonet, sobre a Censura Democrática, porque, em minha opinião se chama «linha editorial».
«Faz hoje 88 anos que foi instituída a censura prévia à imprensa em Portugal, pela ditadura militar saída do golpe de 28 de Maio. Como é sabido, iria durar 48 anos.

Vivemos agora com liberdade de expressão e dispomos de uma diversidade de meios de acesso à informação com que nem sequer podíamos sonhar nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril. E, no entanto...

Num texto que escrevi para a edição portuguesa de Le Monde Diplomatique, e que reproduzi mais tarde neste blogue, chamei a atenção para um interessante conceito definido por Ignacio Ramonet em A Tirania da Comunicação (1). Segundo o autor, existe actualmente uma«censura democrática» que se introduz subrepticiamente nos países livres onde se respeita o direito de expressão e de opinião. Não se concretiza em cortes ou proibições, mas sim «na acumulação, na saturação, no excesso e na superabundância de informações», que permitem artifícios, mentiras e silêncios, que toldam a transparência do que é transmitido. A informação é tanta que pode ser dissimulada ou truncada, sem que se chegue a perceber o que falta, e torna-se mesmo naturalmente incontrolável. Voluntária ou involuntariamente, acaba por ser manipulada.

A pressa e a leveza com que quase tudo é abordado, e muitas vezes reduzido a purossoundbites, acabam por influenciar muitíssimo a opinião pública, aquela que está para além das elites, sempre minoritárias, que são capazes de filtrar o que lêem, o que vêem e o que ouvem. É assim que estamos. É útil não esquecer.

(1) Ignacio Ramonet, A Tirania da Comunicação, http://pt.scribd.com/doc/2230907/IGNACIO-RAMONET-tirania-da-comunicacao, p.13.» (In blog «Entre as brumas da memória»)
Faço parte «das elites, sempre minoritárias, que são capazes de filtrar o que lêem, o que vêem e o que ouvem».
Ora, na União Europeia e nos Estados Unidos existe mesmo a Censura definida pelo ministro nazi Joseph Goebbels, que afirmava que «uma mentira de tantas vezes ser repetida acaba por se tornar verdade» e que um facto relevante que não for noticiado «nunca existiu».  É o que se passa sobre a Ucrânia, somos sujeitos a ouvir mentiras repetidas e sujeitos a omissões de factos relevante «que nunca existiram».

Somos induzidos a acreditar que os Estados Unidos e a União Europeia respeitam os Direitos Humanos, como se Guantánamo fosse uma instituição de caridade, assim como as suas sucursais como a de Bagram, ou as secretas uma delas na Polónia e outra na Roménia.

Sem comentários:

Enviar um comentário