sábado, 19 de abril de 2014

O 25 DE ABRIL DE 194 E A III REPÚBLICA – II

«1. A censura à imprensa funda-se na disposição do art. 22º da Constituição de 1933, que incumbe ao Estado a defesa da opinião pública de todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a boa administração e o bem comum.» (In «Instruções sobre a Censura à Imprensa»)
Quem anda pela blogosfera sabe que a liberdade de expressão de pensamento é um aspecto fundamental da Democracia. Como vimos acima, durante o fascismo salazarista-marcelista não existia liberdade de expressão de pensamento. Também não havia liberdade de formação de partidos políticos, não havia eleições livres. Não havia liberdade para fazer manifestações contra o governo.
Para garantir todas estas privações da liberdade havia a polícia política, a PIDE/DGS, que prendia, torturava e assassinava todos os opositores ao regime que entendesse. O assassínio mais mediático foi o do general Humberto Delgado, executado pela PIDE, por ordem directa de Salazar não escrita, porque Salazar não queria nenhuma prova de que foi ele o mandante do crime. A dedução é óbvia, sendo a PIDE, meticulosamente, dirigida por Salazar, jamais faria algo contra a vontade de Salazar.
Os presos políticos eram maioritariamente do PCP, tendo sido um deles Álvaro Cunhal, que conseguiu a liberdade através de uma fuga muito bem organizada pelo PCP. Além das prisões políticas havia ainda o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
A acrescentar a tudo isto havia a guerra colonial em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau. Muitos jovens portugueses eram levados para a sua residência numa carrinha de caixa aberta militar dentro de um caixão envolto numa bandeira portuguesa, em que seguia vivo apenas o condutor.

Tudo isto acabou com o triunfo da Revolução de 25 de Abril de 1974.

Sem comentários:

Enviar um comentário