quarta-feira, 30 de abril de 2014

A PERSISTÊNCIA DO FASCISMO NA POLÍCIA BRASILEIRA

«É a mesma coisa? Não, não é a mesma coisa. É o dar maior importância àquilo que é importante, a vida de um jovem de 17 anos – mesmo que, por hipótese, a Polícia Militar fale verdade e seja um delinquente – e não aos bens que, ao contrário desse jovem, podem ser substituídos. É, entre a propriedade e a vida, escolher a vida.

«Mesmo que a Polícia Militar falasse verdade», disse. Permito-me desconfiar das autoridades? Sim. Sei que passaram 40 anos sobre o 25 de Abril, mas não me fazem esquecer que polícias e procuradores e juízes puderam, durante anos, subscrever informações falsas. Há muitos anos, um grande jornalista brasileiro, Caco Barcelos, teve a coragem de analisar centenas de mortes de jovens brasileiros que, segundo a polícia de S. Paulo, eram delinquentes e tinham sido mortos por disparar contra a polícia. Encontrou muitos e muitos casos em que os jovens não tinham cadastro e tinham sido mortos com tiros na nuca. Os carros ditos roubados eram, por vezes, dos seus pais, que tinham permitido que os guiassem. Tendo lido o livro – por sinal disponível na net, Rota 66 , Rota meia-meia – a dúvida metódica parece-me de rigor.


De rigor parecer-me-ia também, que, um dia, contabilizássemos sem pudor as vítimas das muitas guerras ditas contra o narcotráfico e as comparássemos com as vítimas das drogas traficadas. E que pensássemos, seriamente, se não estaríamos a repetir os erros da lei seca – sobre cuja bondade tantos livros e filmes nos deixaram sem ilusões – e se não seria mais sensato pôr-lhe fim, retirando aos traficantes o controlo do comércio.» (Diana Andringa cit. in blog «Entre as brumas da memória»)

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