domingo, 2 de março de 2014

DO FASCISMO DE RUA À GUERRA NA EUROPA


Os ucranianos-polacos que viveram no Império Austro-Húngaro até 1918, tomaram o poder em Kiev, segundo o modelo do fascismo de rua de Mussolini aplicado em Roma em 1922, querem entrar em guerra com a Rússia. Pessoalmente, penso que a Rússia não tem que se submeter à incompetência dos dirigentes comunistas da União Soviética, que retiraram território à Rússia, porque pensavam que a União Soviética seria «eterna».

Nem no Império Austro-Húngaro a zona onde viviam os ucranianos se chamava Ucrânia, como se pode ver no mapa a seguir.

Os russos actuais têm que honrar Pedro o Grande, penso eu.


«“Nunca nos renderemos àqueles fascistas de Kiev” – O imperialismo e o nazi-fascismo não passarão na Ucrânia!


Logo após os gangs neo-nazis apoiados pela CIA e pela União Europeia terem tomado o poder em Kiev, houve manifestações anti-fascistas no sul e leste da Ucrânia, sobretudo na Crimeia. Num artigo do Guardian um desses manifestantes anti-fascistas dizia “nunca nos renderemos àqueles fascistas de Kiev“, na revista Time um outro dizia “em caso algum aceitaremos ser governados pela escumalha Nazi que anda de um lado para o outro em Kiev com suásticas nazis“. Tive medo que fosse só “conversa”, felizmente não é. Passada uma semana e com os acontecimentos a sucederem-se em catadupa torna-se cada vez mais claro que os Nazis não tomarão o controlo da Ucrânia, quanto muito ficarão com um enclave a noroeste pobre e sem acesso ao mar…
Em primeiro lugar é importante não cair em fantasias quanto à natureza da direcção que tomou o controlo nas ruas de Kiev e no ocidente do país. São gangs neo-nazis, simpatizantes do movimento nacionalista que se aliou a Hitler na segunda guerra mundial, são os herdeiros da escumalha que se alistou nas divisões Ucrânianas das SS e colaborou com o Holocausto. O recentemente formado “governo” Ucrâniano é o espelho disso mesmo (aqui,aqui aqui) com conhecidos fascistas nomeados ministros e tomando conta de importantes sectores do aparelho de estado. O papel das milícias e partidos fascistas na recente “revolução nacional”, ou contra-revolução, está extensamente documentado (aquiaqui,aquiaqui, aquiaquiaquiaqui ou aqui).
Há quem diga “sim há Nazis mas não são a maioria”… quem diz isso ou é ingénuo ou quer esconder a realidade. Claro que as centenas de milhar que protestaram contra o regime corrupto e gangsterista de Yanukovich não são na sua maioria Nazis… também os milhões que votaram em Hitler em 1933 não queriam todos a “solução final“, os milhares de populares que saudaram a entrada de Gomes da Costa em Lisboa a 28 de Maio de 1926 também não seriam todos a favor da instauração de um regime ditatorial que durou 48 anos… A questão não é saber se os Nazis são a maioria numérica, é saber se controlam ou não as assembleias e se serão, ou não, decisivos na influência das decisões que realmente importam. Se têm a capacidade, ou não, de dirigir e controlar a multidão. Infelizmente, a ponta de lança nos protestos contra o regime de Yanukovich foram os nazis e infelizmente, foram eles que controlaram muito do que foi o desenrolar dos acontecimentos (este episódio é bem revelador), é de lembrar que houve várias tentativas de chegar a um acordo e muitas delas foram rompidas pelos protestos nas ruas encabeçados pelos Nazis. Neste momento os nacionalistas do Svoboda e as milícias nazis do “sector de direita” ainda não têm o controlo total, mas se nada for feito em breve é isso que acontecerá…
O Yanukovich saíu de cena e ninguém chora por isso, mas chegados a este ponto a questão fulcral é barrar o ascenso ao poder dos Nazis, ora do terreno vêm sinais muitíssimo animadores nesse sentido.
Sábado por todo o leste e sul do país decorreram grandes manifestações contra os Nazis (ver também aqui ou aqui). No mapa abaixo estão sinalizados os vários locais onde houve protestos pró-russos e contra o novo poder nacional-fascista apoiado pelo imperialismo que tomou conta de Kiev.
ukraine-map
Em Kharkov dezenas de milhar saíram à rua e centenas tomaram de assalto o governo regional e expulsaram de lá à paulada os fascistas que há uma semana estavam barricados no edifício (ver vídeo aqui).
BhouzsTIUAEdXbh
UcraniaDonetsk
Em Odessa e várias outras cidades a sul e a leste houve protestos em que se viam bandeiras russas e se espezinharam os símbolos fascistas. Os seguintes sites vão dando informação actualizada em “real time”:
Entretanto a região da Crimeia já se tornou de facto um território independente da Ucrânia. Aliás, esta foi a primeira região onde ocorreram manifestações a contestar a golpada de kiev e onde milícias populares anti-fascistas se formaram (imagem abaixo de um comício no fim de semana passado em Sebastopol onde se apelou à formação de milícias anti-fascistas, ver aqui, aqui ou aqui).
Pro-Russian activists
Entretanto a situação já “amadureceu” ao ponto de uma tentativa de gangs fascistas enviados de Kiev ocuparem edifícios do governo da Crimeia ter sido derrotada pelas milícias populares em coordenação com tropas Russas. O actual primeiro ministro da Crimeia já formalizou um pedido de auxílio a Moscovo e as milícias anti fascistas e tropas Russas tomaram conta de todos os pontos estratégicos da península. Toda a colecta de impostos e funções de administração serão desempenhadas a partir da Crimeia sem dar cavaco a Kiev. Outras regiões da Ucrânia parecem estar a tomar medidas semelhantes.
No momento em que isto tudo se passa a Russia autorizou o envio de tropas para os “territórios Ucrânianos”, a resposta do Imperialismo é pífia. Não deixa de ser reconfortante verificar a impotência da UE e dos EUA.
A todos os que tomaram as Ruas da Ucrânia contra o Nazi-fascismo e o Imperialismo dedico este hino.

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