quinta-feira, 6 de março de 2014

FESTIVAL DE HIPOCRISIA TELEVISIVA



Uma apresentadora de nacionalidade norte-americana da televisão RT (Rússia) demitiu-se em directo, alegando que não podia dizer a verdade sobre a Ucrânia, vi isso na SIC.
Segundo este critério todos os apresentadores e apresentadoras das três televisões portuguesas tinham que se demitir, porque eles mentem diariamente.

Durante a ditadura de Salazar havia na RTP jornalistas, que por saberem ler bem e terem uma voz de qualidade liam textos escritos por outros. Os (as) actuais nem ler sabem. (Gostava que me informassem onde fica a Torre Áifel). Não sabem ler mas sabem mentir. Gostaria que me informassem sobre a Rede Guantánamo e Sucursais especializada em raptos, prisões ilegais e tortura, incluindo tortura até à morte, gostaria que me dissessem o nome das prisões dessa rede situadas na União Europeia, na Polónia e na Roménia.

«Há algum tempo que o discurso da retoma da economia tomou conta dos media. Com eleições à vista, o governo tudo fez para que assim fosse. As televisões, sem jornalismo independente e capaz, logo assumiram o papel de megafones (Jorge Bateira in jornal «i», cit. in blog «Ladrões de Bicicletas»)

O blog «5 Dias net» publicou muita informação sobre a Ucrânia, no passado dia 3 de Março de 2014, que continua a ter interesse.

«Crise na Ucrânia. Nada é mais importante que esmagar a ameaça Nazi-fascista.


Pro-Russia protests in Simferopol
Anti-fascistas na Crimeia
Na Crimeia e em Donetsk os Fascistas foram esmagados. Prossegue a batalha por Kharkov e Odessa.
Intensifica-se a resposta à ameaça fascista na Ucrânia. Na Crimeia os Nazi-fascistas apoiados pela NATO e pela União Europeia foram facilmente esmagados. Os próprios EUA admitem que a península está perdida. Em Donetsk, depois de uma manifestação com milhares de pessoas no Sábado, hoje o movimento anti-nazis tomou o edifício do governo regionalAs autoridades dessa cidade/região já convocaram um referendo (tal como na Crimeia) para decidir o futuro da região. Não há sinal de gangs neo-nazis.
d-33.si
Manifestação Sábado em Donetsk
Hoje, manifestantes pró-russos em frente à sede do governo regional em Donetsk
Hoje, manifestantes pró-russos em frente à sede do governo regional em Donetsk
Em Kharkov no Sábado os gangs nazis foram corridos à porrada da sede do governo regional. Há um acampamento de anti-fascistas em permanência numa das praças da cidade, junto à estátua de Lenine. Ainda hoje houve uma manifestação anti-fascista. Os gangs Nazis foram escorraçados, mas ainda me parece cedo para cantar vitória total. As autoridades locais não tomaram uma posição tão firme quanto em Donetsk ou na Crimeia.
Sábado em Kharkov tomada do edifício governamental onde os Nazis se tinham barricado
Sábado em Kharkov tomada do edifício governamental onde os Nazis se tinham barricado
BhzrNr5IQAAr74v
Acampamento junto à estátua de Lenine (Kharkov)
Manifestação anti-fascista em Odessa, Sábado dia 1.
Manifestação anti-fascista em Odessa, Sábado dia 1.
Gangs neo-nazis do "sector de direita" em Odessa (hoje)
Gangs neo-nazis do “sector de direita” em Odessa (hoje)
Anti-fascistas em Odessa (hoje)
Anti-fascistas em Odessa (hoje)

Os “peões” têm vontade própria….

A cobertura mediática no mainstream foca-se muito nas manobras militares em curso na Crimeia (onde tudo já está decidido) e nas grandes jogadas entre Putin e Obama… Muitas das análises geo-políticas feitas por supostos especialistas dão ideia que os manifestantes no terreno são meros “peões”. Mas a verdade é que o ritmo dos eventos na Ucrânia foi muito marcado pelas forças no terreno. A NATO e a UE teriam preferido uma transição mais “suave” na Ucrânia e que a saída de Yukanovitch tivesse sido negociada. Mas os neo-nazis no terreno (os cães de fila que o Imperialismo tinha à sua disposição…) é que não se acomodaram à vontade dos seus mestres. O aumento da violência, a fuga de Yakunovitch (que foi perseguido a tiro), a tomada de assalto do parlamento em Kiev, a adopção de leis revogando a possibilidade do Russo ser língua oficial em qualquer região da Ucrânia, ou a própria composição do novo “governo”, foi tudo em grande medida ditados pelos gangs neo-nazis.
Por outro lado, os eventos na Crimeia só tomaram os actuais contornos porque a população local desde logo se levantou contra a ameaça fascista e formou milícias de auto-defesa contra os gangs fascistas. O mesmo se passa por várias cidades do Sul e Leste da Ucrânia. Relembro que as tropas Russas só intervieram na Crimeia depois da população local ter tomado posição. As manobras militares mais ostensivas (como cerco aos quartéis das forças leais a Kiev) só tiveram lugar depois do levantamento popular deste fim de semana que varreu o leste e o sul da Ucrânia.
A NATO e a UE já afirmaram taxativamente que não querem intervir militarmente e apelaram à “calma” (interessante, há umas semanas era só incentivos à violência provocada pelos gangs nazis… agora apelam “à calma”). A própria Rússia não está interessada numa Guerra. A escalada do conflito será ditada pelo que acontece no terreno. A Crimeia e Donetsk parecem estar firmemente limpas de Nazis, mas em Odessa (e talvez Kharkov) a situação não é tão clara. O conflito pode escalar, se no terreno explodir uma disputa pelo controlo dessas cidades. Essa batalha, a intensificar-se, será mais devido às contradições locais, do que fruto da ingerência externa (sendo que, obviamente, cada sector local terá o apoio dos respectivos patrocinadores externos).

A ameaça Nazi é o perigo número 1.

Ukraine-Administrative-Map
A Ucrânia faz fronteira com a Polónia, a Eslováquia e a Hungria. Na Hungria o actual governo é quase fascista, na Polónia e na Eslováquia não anda muito longe disso. Em qualquer destes países os movimentos fascistas têm grande força. Uma Ucrânia dominada por neo-nazis seria uma catástrofe não apenas para a população da Ucrânia, mas para todos os povos da Europa. Se os fascistas tomam conta da Ucrânia, toda a Europa Central irá cair nas mãos de governos fascistas e por toda a Europa esse tipo de movimentos ganhará ainda mais força.
Já aqui e aqui tinha discutido o assunto. Que não haja ilusões, o movimento de massas em Kiev e no ocidente da Ucrânia é dominado pelos gangs Nazis. Nas lutas de Rua e nas assembleias em Maidan são eles que dominam. Podem existir (e existem) indivíduos bem intencionados, mas não existe nenhuma organização minimamente progressista capaz de disputar a hegemonia do movimento aos Nazis (em Maidan e em Kiev). Aliás, muito cedo sindicalistas, anarquistas e outros movimentos que poderiam ter disputado a hegemonia do movimento aos Nazis foram corridos pelos fascistas à paulada. A realidade é essa, não vale a pena estar com fantasias e entrar em delírios do estilo “terceiro-período“. O actual governo “provisório” já tem vários fascistas (a incluir o primeiro-ministro), mas esse governo não irá durar muito tempo. Dada a pressão para pagar a dívida, para pagar a conta do gás Russo, para implementar as políticas do FMI e a pressão que vem da Rússia,  este novo governo, ou outro qualquer dito “moderado” e “pró-UE”, será presa fácil de um novo golpe que desta vez colocará os Nazis “puros e duros” no poder.
O carácter completamente hipócrita do actual governo que emergiu dos protestos liderados pela extrema direita é sinalizado pela nomeação de dois oligarcas super-ricos para governarem duas das regiões do leste da Ucrânia… Mas enfim, os protestos também eram contra a “corrupção” e a maioria dos novos ministros fizeram parte de governos tão ou mais corruptos que o governo de Yakunovitch…
Ao meio, o actual "primeiro-ministro" do governo golpista de Kiev
Ao meio, o actual “primeiro-ministro” do governo golpista de Kiev
Neste momento, a prioridade máxima é impedir a escalada nazi-fascista e derrotar os gangs neo-nazis. Tudo o resto é subordinado a isso. As movimentações populares, a que se seguiu a intervenção das forças armadas Russas, na Crimeia já tiveram o efeito de colocar a escumalha nazi à defesa. Os pogroms e as perseguições a opositores políticos só não se alastraram e intensificaram mais porque na Crimeia houve logo uma resposta firme. As movimentações que ganharam peso este fim de semana no leste e sul da Ucrânia colocaram um travão à ascensão dos nazis ao poder. Na Crimeia e em várias regiões do Leste e do Sul a batalha já foi ganha. Mas a guerra pela Ucrânia está longe de ter terminado.

Referências

Cobertura em “real time”:
Mapas que ajudam a compreender muito da actual situação:
Artigos de fundo e colecções de textos sobre o conflito em curso na Ucrânia:

Sem comentários:

Enviar um comentário