segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ENTREVISTA DE FRANCISCO LOUÇÃ AO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

«O País tem tido momentos de resistência forte – setembro de 2012 e março de 2013 –, mas é verdade que no conjunto do confronto com as feras da troika Portugal enfraqueceu. Há uma sensação de desmoralização e de derrota que explica muitas das dificuldades, da perplexidade e da confusão instaladas na esquerda e na sociedade portuguesa. Há uma viragem à direita e uma grande morbidez até em sectores muito importantes da esquerda por causa dessa derrota. Esses grandes protestos não têm origem no PS ou no PCP... (...) É uma luta tradicional mas há outras extraordinárias, como a dos enfermeiros da Saúde 24, que é o retrato exato do País. Houve uma mobilização que criou uma enorme expectativa, que foi a preparação da travessia da ponte, mas traduziu-se num fiasco que tem um efeito pesado do ponto de vista político ao diminuir a capacidade do movimento sindical em responder pelo País quando era necessário. (...) Muitos sindicalistas perceberam que a expectativa de levantamento e resposta popular que tinha sido criada pela extraordinária iniciativa não devia ser diminuída e que a CGTP podia ter transformado a manifestação no encostar do Governo à parede. No entanto, o PCP não quis que assim acontecesse e fez mal.»


«É óbvio que para se ser alternativa em Portugal não se pode contar com o PS. Tem de se recompor o mapa político e encontrar todas as forças que em todos os partidos possam responder por uma política de desenvolvimento económico, de criação de emprego e de controlo público do sistema financeiro. Creio que isso exigiria uma tripla aliança entre o Bloco de Esquerda, o PCP e toda a gente do PS, que recusa a dívida. Se fosse possível constituir uma aliança destas, ela teria nas eleições legislativas 20% e em dois anos disputava os rumos do País. Há duas condições fundamentais para dar estes passos. Uma é a luta social e o envolvimento de milhares de pessoas. Outra é a vontade unitária de grande fôlego em vez de pequenas guerras de partidos.» (Cit. In blog «Entre as brumas da memória»)


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