quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

PASSOS COELHO APOSTA NO RETROCESSO CIENTÍFICO DE PORTUGAL

Passos Coelho quer empobrecer e embrutecer a maioria dos portugueses. As televisões são o veículo principal de difusão apologética da teologia neoliberal do empobrecimento dos assalariados («desvalorização interna») e também do obscurantismo.

«"A mudança no perfil estrutural da nossa economia é já um facto incontornável"

Diz Passos Coelho que "A mudança no perfil estrutural da nossa economia, que era uma mudança indispensável, é já um facto incontornável".

A julgar pelo gráfico abaixo (retirado daqui), só espero que a mudança em causa seja tão incontornável quanto irrrevogável foi a demissão de Paulo Portas em Julho de 2013. É que, segundo os dados oficiais, o peso dos sectores de média-alta e alta tecnologia nas exportações de bens caiu de 41,3% em 2008 para 36,7% em 2013.




Tem, pois, razão o Primeiro-Ministro. A crise e o programa de ajustamento têm vindo a alterar a  estrutura produtiva portuguesa - tornando-a ainda mais frágil do que era.»
 (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

«O Estado a criar desempregados na ciência


Os resultados reduzidos do número de bolsas de doc e pos-doc não correspondem a uma estratégia de desinvestimento na ciência, porque «teríamos cientistas a mais». Trata-se antes de criar uma bolsa de desempregados para pressionar os salários dos actuais bolseiros, investigadores e docentes para baixo.
Quando há um ano despediram 47 estivadores, o porto de Lisboa não ficou com menos trabalho de carga e descarga, ficou foi com um fila de estivadores à espera de trabalho. Nas universidades, quem ainda trabalha, sabe que não falta trabalho para todos estes investigadores – quem ficou a trabalhar vai dar mais aulas, ter mais alunos, publicar mais ou trabalhar pior. Até que todos fiquem a trabalhar pelos 660 euros, como já estão alguns colegas no sector privado. Isto não é ausência de estratégia, é política estratégica de financiar a dívida pública e a banca transferindo valor dos salários da educação e a formação científicas para a rentabilidade dos capitais investidos por estes sectores que hoje dominam o Estado e o Orçamento de Estado.
Ausência de estratégia tem quem pensa que os estivadores, os enfermeiros, os bancários, os professores do secundário são outra realidade diferente dos universitários – as especificidades próprias e necessárias de cada profissão não eliminam a necessária organização solidária.
Apesar de tudo celebro aqui a convocação partilhada da Plataforma Plataforma em Defesa da Ciência e do Emprego Científico em Portugal do SNESUP, da FENPROf, da OTC de umencontro nacional de docentes, investigadores e bolseiros, para maio de 2014. Veremos qual o grau de efectiva participação das pessoas, até onde estão dispostas a ir efectivamente, ou se vamos continuar a encher as páginas do facebook de lamentos.Se estamos dispostos – e não é claro que estejamos – a uma clara inflexão, bloqueando este esquema de distribuição geral da miséria.
Pergunto-me: que país queremos deixar aos nossos filhos? O que lhes vamos deixar? Casas a cair de podre?
Deixo o link de dois artigos que publiquei sobre este tema, mais desenvolvidos

Sem comentários:

Enviar um comentário