terça-feira, 28 de janeiro de 2014

UMA ANÁLISE DA EUROPA PELA NOVA ESQUERDA TEÓRICA


«[…] Se olharmos para a Europa depois da Segunda Guerra Mundial, sem Turquia e Rússia, em 1945 a Europa foi cortada em duas por uma grande linha ideológica e política até 1989. Esta divisão entre Leste e Oeste determinou todo esse período da história do continente. Hoje a Europa está cortada também em dois, não é uma divisão ideológica com muros, espiões e exércitos, mas é uma divisão social, económica e cultural, em que o Norte da Europa drena os recursos do Sul da Europa. É, em termos marxistas, um desenvolvimento desigual, um processo ruinoso para a construção europeia. É óbvio que os pressupostos da construção europeia são também ideológicos, mas o princípio que se pressupõe, nessa reunião de povos tão diversos, é um mínimo de convergência em relação aos diversos interesses. Este processo não é feito de uma só vez, mas a partir do Tratado de Maastricht foi inscrito o princípio da livre concorrência sem entraves, e a Europa dotou-se de um princípio ideológico que tem um carácter tão totalitário como o que existia na União Soviética - é uma ideologia que se impõe sem discussão. Esta ideologia, como era momentaneamente do interesse dos países mais fortes como a Alemanha, foi imposta a todos - os franceses jogaram aí um papel catastrófico - até às suas mais extremas consequências.


Que tipo de consequências?

O postulado de partida está hoje em dia em ruínas: a construção europeia não aproxima os povos que fazem parte dela, mas tende a opô-los cada vez mais. Produz uma espécie de gigantesco corte que é legitimado por justificações e preconceitos: as pessoas dos países do Norte defendem que as do Sul viveram acima das suas possibilidades e as do Sul sublinham que as do Norte drenaram os seus recursos e funcionam como conquistadores. Se continuar desta forma, a Europa explode, sejam quais forem os meios usados para a sua continuidade. […]» (Étienne Balibar, in jornal «i» net)

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