segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CRÍTICAS A MÁRIO SOARES DA ALA ESQUERDA

Mário Soares tem atacado, duramente, o governo de Passos Coelho, mas também é muito atacado por quem se situa à esquerda do PS.

«Soares - “Primus inter pares”



Mário Soares diz que alguns membros deste governo são delinquentes – relatam os títulos de vários jornais televisivos, em papel, ou online.
E diz muito bem! – digo eu. Mário Soares, ainda na posse de quase todas as suas faculdades, tem, visivelmente, uma grande facilidade em identificá-los e reconhecê-los um a um.
Puxando pela memória para lembrar as relações de estreita amizade, cumplicidade e conspiração entre Soares e o Carlucci da CIA, entre Soares e os bombistas do cónego Melo, entre Soares e as “fundações” alemãs e suecas que ajudaram a financiar a contra-revolução que nos trouxe ao ponto em que estamos hoje e o mais que a História registará... direi mesmo que é uma espécie de reconhecimento de um primus inter pares”.» (Samuel in blog «Cantigueiro»)


A investigadora da História Raquel Varela, marxista, que se auto-intitula trotskista (porque considera Trotsky o político mais importante do século XX), que escreve no blog «5 Dias net», tem uma visão diferente de Samuel do chamado PREC a seguir à Revolução de 25 de Abril de 1974.

«L1 – Gostaria de lhe fazer duas perguntas sobre um livro que escreveu intitulado “A História do PCP na Revolução dos Cravos”. Afirma que o PCP foi o principal responsável por não ter havido mortes no 25 de Novembro de 75, embora tivesse os fuzileiros do seu lado, que constituíam a principal força militar. Acha que esta decisão do PCP se baseou exclusivamente na vontade de evitar uma guerra civil ou também contém em si uma vertente estratégica, uma vez que, em caso de guerra civil, a Nato poderia intervir?
RV – Não sei, essa é uma pergunta contrafactual. O que é que teria acontecido… Não sei o que teria acontecido… Sei o que é que aconteceu. Sei que o PCP impediu os seus militantes de se armarem, desconvocou a intersindical, conteve as principais unidades militares onde tinha peso qualitativo, nomeadamente nos fuzileiros. O que eu penso que o PCP queria, e acreditava, era a constituição de um regime democrático, num capitalismo regulado, com uma banca nacionalizada, com um sector público forte, com uma reforma agrária, sem pôr em causa a generalização da propriedade privada.
L1 - Capitalismo de Estado, podemos dizer assim?
RV - Não sei, acho que esse conceito não é bom, é muito polémico na História. Na verdade, não creio que na União Soviética existisse este Capitalismo de Estado, na União Soviética não existia capitalismo mas existia uma ditadura burocrática, existia uma ditadura da minoria sobre a maioria. Na verdade, tendo em conta a acepção histórica, não me parece um bom termo. Parece-me que é um capitalismo fortemente regulado, esse era o projecto de Álvaro Cunhal, como etapa futura, em direcção a uma sociedade mais justa. Mas a democracia nascida a 25 de Novembro é muito menos democrática do que a que se viveu entre 1974 e 1975, em que havia, com erros e aprendizagens que se foram fazendo no caminho, controle sobre a produção, democracia directa, assembleias, conselhos directivos, órgãos de gestão com mandatos revogáveis, etc.

L1 – Diz também que Álvaro Cunhal se adaptou ao rumo da revolução, não questionando a propriedade privada e projectando um capitalismo regulado. Sendo assim, era Cunhal um defensor do capitalismo regulado?

RV – Sim, eu creio que era uma estratégia, no sentido de fazer reformas para trazer melhorias e algum ganho à classe trabalhadora, sem haver uma ruptura revolucionária, que poria em causa o pacto de distensão entre os EUA e a URSS. O PCP acreditava que os trabalhadores podiam ganhar mais, e podiam trabalhar muito mais protegidos, dentro do sistema capitalista.
L1 – Podemos, então, dizer que Álvaro Cunhal estava mais próximo de Eduard Bernstein, grande teórico da social-democracia, do que do próprio Karl Marx?

RV – Não, eu acho que o movimento comunista internacional é diferente do movimento social-democrata. A base social dos partidos comunistas que são dominantes no Sul da Europa, que é mais pobre, é diferente da base social do Norte da Europa, onde os partidos social-democratas têm mais fôlego, têm mais força, sendo que os ganhos salariais são muito maiores. Eu creio que não é exacto dizer isso, embora partilhassem muito da visão de um Estado amplamente regulado e protector.» (RV = Raquel Varela, in revista «Rubra», cit. no blog «5 Dias net»)

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