terça-feira, 8 de outubro de 2013

A ZONA EURO FABRICA EMPOBRECIMENTO


Foi a França que tomou a iniciativa da criação da Zona Euro e é a Alemanha que está a ganhar com isso. Se não houver mudanças substanciais nas leis da moeda euro e do chamado «Banco Central Europeu», Portugal terá que tomar a iniciativa de sair da Zona Euro.
Estar na Zona Euro para Portugal significa empobrecimento em cima de empobrecimento. Esta descida para o abismo de Portugal só poderá ser travada com a saída da Zona Euro, se a própria Zona euro não mudar profundamente.
Quem defende a saída de Portugal da Zona Euro tem que aprofundar os seus estudos para facilitar a discussão pública deste tema tabu.
O capitalista George Soros, cuja ética passada não me interessa agora analisar é um indivíduo, que sem dúvida, percebe de mercados e de moedas. George Soros afirma que a Europa tem que criar dívida com mutualização, isto é, os chamados «eurobonds».

«"Sem surpresa, ela [a chanceler Angela Merkel] conquistou a reeleição inquestionavelmente. Mas foi uma vitória de Pirro. O status quo da zona euro não é tolerável nem estável. Os economistas convencionais chamar-lhe-iam de equilíbrio inferior; eu chamo-o de pesadelo - que está a infligir uma dor e um sofrimento enormes, que poderiam ser facilmente evitados se os equívocos e os tabus que o sustentam fossem dissipados", escreve George Soros na sua coluna de opinião de hoje no Project Syndicate, sugestivamente intitulada "A vitória de Pirro de Angela Merkel".

Um dos tabus, a que os políticos alemães se têm agarrado, é o da sua oposição a qualquer tipo de mutualização da dívida soberana dos países membros da zona euro, uma solução que vulgarmente se chama de eurobonds. "Um exemplo são as eurobonds, que Merkel anunciou como sendo tabu. No entanto, são a solução óbvia para a origem da crise do euro", diz o financeiro que é presidente do Soros Fund Management e da Open Society Foundations.

Soros explica que a sua proposta não implica "transferências" dentro da zona euro, de credores para devedores. "Não seriam necessários quaisquer pagamentos de transferência, uma vez que cada país ficaria responsável pela regularização da sua própria dívida", sublinha. E explica: " [Os países endividados] poderiam emitir eurobonds, mas só para refinanciar as dívidas prestes a vencer; qualquer empréstimo adicional teria que estar no seu próprio nome e os mercados iriam impor taxas de penalização para o endividamento excessivo".

Alemanha beneficiou de perdões três vezes

Depois, Soros faz apelo à memória histórica: "A Alemanha faria bem em se recordar que beneficiou da redução da dívida três vezes ao longo da sua história. O Plano Dawes, de 1924, procurou repartir os pagamentos das indemnizações da Alemanha por causa da I Guerra Mundial. O Plano Young, de 1929, reduziu a quantia que a Alemanha devia em indemnizações e deu ao país muito mais tempo para pagar. O Plano Marshall, pós-II Guerra Mundial, também proporcionou o alívio da dívida".

Se deitasse fora os tabus sobre a gestão da crise na zona euro, "a Alemanha iria ganhar a eterna gratidão dos países que lhe estão subordinados, tal como o Plano Marshall conquistou a eterna gratidão da Europa em relação aos Estados Unidos. Acredito que não aproveitar este momento, levará à desintegração e ao eventual colapso da União Europeia".


E deixa uma sugestão final: "Fazer marcha-atrás nunca é fácil para os líderes políticos, mas as eleições dão uma oportunidade para uma mudança de políticas. A melhor maneira seria o próximo governo de Merkel nomear uma comissão independente de peritos para avaliar as alternativas, sem fazer caso aos tabus vigentes".» (George Soros in jornal «Expresso» net)

1 comentário:

  1. Merkel não teve uma vitória incontestável. O sistema político alemão é diferente do dos Portugueses. Os dados indicam que Merkel ganhou a maior percentagens de voto de sempre da CDU é verdade, mas apesar do debate e das eleições terem sido fracas em termos de posicionamentos antagónicos Merkel tornou-se completamente inapetecível para uma coligação, e sem coligação não conseguirá governar. Merkel talvez nem tenha ganho assim tanto, afinal é clara a transferência de votos do FDP para a CDU e o AfD e não do centro ou esquerda que voltaram a crescer. Se Merkel for obrigada a formar um governo sem maioria absoluta perde a sua grande arma para pressionar os estados membros a aceitar o que ela impõe com a ameaça de não passar no parlamento alemão ou de enviar os diplomas para o tribunal constitucional. Aqui está o embrólio se ela ameaçar desta vez terá sempre a ameça de não ter controlo sobre o resultado...

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