domingo, 8 de setembro de 2013

OS DELÍRIOS DE PEDRO PASSOS COELHO

Tenho achado muito estranhas as intervenções do primeiro-ministro de Portugal Pedro Passos Coelho. Mas parece que não sou o único...

«As intervenções de Pedro Passos Coelho nos últimos tempos entraram numa tal deriva alucinadamente populista que qualquer pessoa de bem deverá começará a recear pela saúde mental no nosso primeiro.

Havia sinais anteriores, mas tudo terá começado a descambar naquela fatídica noite em que o irrevogável, completamente de surpresa - vamos esquecer que Coelho nunca o chegou a avisar da nomeação de Miss Swaps para o lugar de ministra das Finanças -, apresentou a demissão do cargo de ministro. Sabemos agora que o irrevogável apenas pretendia um lugar de maior destaque para pôr em prática as suas políticas de recuperação económica baseadas na indústria cervejeira - com o decisivo contributo de Pires de Lima, claro -, mas naquele momento acreditemos que Coelho terá sentido o mundo fugir-lhe debaixo dos pés. Ou, mais prosaicamente, teve a clara visão do pote a ser-lhe retirado do colo, como se retira um bombom a uma criança. Nunca saberemos com certeza, mas a verdade é que algum nervo mais sensível da alma do leitor de Sartre deverá ter sido tangido ao ler a agora famosa missiva de partida do irrevogável. Receamos mesmo que algo se terá irremediavelmente quebrado, e o Coelho ter-se-á sentido de regresso aos tempos em que perdeu a inocência com uma qualquer mulata oferecida por mão caridosa. Daí para a frente, Coelho entrava na idade adulta, aquilo que vulgarmente se designa "novo ciclo".

Vejamos: todos os discursos públicos desde aí foram feitos de improviso. Falando para plateias hesitantes entre a adoração ao querido líder e a perplexidade perante os delírios ouvidos, o primeiro tem firmado um estilo que reconhecemos nos melhores momentos do maluquinho do Rossio. Entre o queixume, em tempos execrado - "não sejam piegas" -, a ameaça - "se não nos deixarem brincar, vem aí o segundo resgate, chuvas de gafanhotos e o dilúvio" - e a alucinação pura - ao dizer que seria louco o político que quisesse o empobrecimento da população, coisa que ele logo no início do programa de ajustamento disse que seria inevitável -, Coelho tem oscilado entre o relambório babado propagandístico e a viagem mental por territórios nunca antes desbravados.

O mais recente sinal de preocupação para todos nós foi a acusação feita ao PS de que apromessa de descida de impostos é, e cito, uma "esperteza saloia". Não é apenas a linguagem utilizada, ao nível de uma criança de 10 anos ou de um indigente mental; é tudo o que a afirmação acarreta. O homem que foi eleito com dezenas de promessas que, mal conseguiu chegar ao pote, esqueceu sem dó nem piedade, o homem que não só mentiu ao prometer coisas que, dada a situação financeira do país, nunca poderia cumprir, como mentiu sabendo muito bem qual a verdadeira dimensão da despesa pública - as "gorduras do estado" que seriam suficientes para sanear as contas públicas -, voltou a mentir já depois de eleito sobre as mentiras que disse antes, e persiste na mentira por exemplo ao ameaçar com um resgate (por causa do chumbo do Tribunal Constitucional) que está a ser negociado pelo menos desde o início do ano (e no mesmo discurso Coelho diz também que o Governo está a preparar o país para não ter um resgate de 15 anos em 15 anos), esse homem sente-se indignado com o pedido feito pelo PS para baixar impostos. Isto quando supostamente há uma proposta para baixar o IRC, feita por uma comissão nomeada por ele próprio, o primeiro-ministro, e a constante promessa, ensaiada por ele e por vários ministros, de uma baixa de impostos "assim que possível".

É claro que isto seria cómico, se não fosse profundamente trágico. Pedro Passos Coelho é o maior mistificador, o tipo com mais lata a já ter passado pela cadeira de primeiro-ministro do nosso país. Diz tudo e o seu contrário, sem hesitações, acusa os outros de fazerem aquilo que sempre fez, aquilo que o ajudou a chegar a primeiro-ministro - a demagogia e a mentira - e prossegue imparável sem contraditório, em rédea solta. Não é um caso de insanidade mental. É um caso de absoluta falta de vergonha, o mais próximo que Portugal pode ter de um Berlusconi, mas sem a classe de bufão de ópera do italiano (relembremos que Coelho nem para musical de la Féria serve). Estamos todos de parabéns. »

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