sábado, 21 de setembro de 2013

CRÍTICA VIOLENTA AO DIREITO DE LIBERDADE DE OPINIÃO NUM BLOG CONSIDERADO DE ESQUERDA, NESTE CASO AO DIREITO DE LIBERDADE DE OPINIÃO DE JOSÉ SÓCRATES


Se considerarmos Portugal a proibição da liberdade de opinião ocorreu durante o fascismo salazarista-marcelista. Quem defende a proibição da liberdade de opinião defende, nesse ponto, o mesmo que Salazar e Marcelo Caetano.

«O ex-primeiro-ministro vai lançar um livro sobre ciência política dentro de um mês. Será a publicação da tesede mestrado na parisiense Sciences Po
A expressão "andar por aí" foi inscrita na história por Pedro Santana Lopes, que foi afastado de primeiro-ministro, depois de um mandato curto e polémico, mas com o aviso de que iria manter-se activo na política nos tempos próximos. O seu sucessor no cargo, José Sócrates, não disse o mesmo, mas está a fazê-lo. Menos de dois anos depois de ter deixado São Bento, após a derrota eleitoral, voltou num programa de comentário político semanal na RTP e agora segue-se um livro, a publicar em Outubro, sobre ciência política.

A notícia foi adiantada ontem de manhã pelo site do "Económico", bem como que o prefácio do livro ficará a cargo do antigo presidente Brasileiro Lula da Silva, que estará em Portugal no final de Outubro, altura em que o livro deverá ser lançado. A ideia será precisamente aproveitar a presença de Lula no país. O i apurou que o que Sócrates vai fazer é publicar a sua tese do mestrado em Ciência Política em que se inscreveu em 2011, no Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences Po. Não se conhece ainda o tema escolhido para a tese do mestrado que terminou em Junho.

Mesmo que Sócrates apenas contorne a política nacional, a verdade é que o lançamento do seu primeiro livro ganha especial interesse no meio político, sobretudo pelo timing escolhido. A publicação será um mês depois das autárquicas, um teste eleitoral de peso que pode abalar o PSD, mas que também tem especial importância para o líder do PS, António José Seguro (é o primeiro acto eleitoral em que está à frente do partido).

A pressão interna sobre o secretário-geral socialista é enorme por esta altura, com a frente mais próxima de Sócrates a desafiar o partido a elevar a fasquia para estas autárquicas, não se satisfazendo apenas com mais votos, mas mais câmaras. Até agora, Sócrates não tem hostilizado publicamente a direcção de Seguro (ver texto ao lado), ainda que o ataque à actual liderança, no início deste ano, tenha tido a mão dos seus principais seguidores dentro do PS. Aliás, a antecipação do calendário eleitoral interno começou por uma questão então aberta pelo seu braço-direito de sempre, Pedro Silva Pereira.

Mas neste ponto ainda pesam as palavras do próprio ex-primeiro-ministro na entrevista de Março em que garantiu não ter "nenhum plano para regressar à vida política activa". Sobre o seu regresso, que tanta celeuma levantou (ver texto ao lado), a justificação foi apenas de que "este é o tempo para tomar a palavra". O que é certo é que a sua intervenção em Portugal tem sido sempre bem pensada e preparada. Habitualmente, o ex-primeiro-ministro reúne-se todas as quintas-feiras com quatro figuras de confiança para preparar o programa do domingo seguinte. E a ligação ao que se passa na actualidade política nacional é constante, sobretudo através de chamadas telefónicas diárias.

EM PARIS A ida para fora, retirando--se da cena pública por uns tempos, foi comunicada aos seus mais próximos logo na noite em que José Sócrates foi derrotado, nas eleições de 2011. Na primeira entrevista que deu desde que deixou de ser primeiro-ministro, em Março passado, contou porque tomou a decisão: "Quando perdi as eleições, achei que era o momento para cumprir um sonho de ter um ano sabático, viver no estrangeiro e estudar, para além de recuperar a ligação aos meus filhos e à família, tentando recuperar o tempo perdido."

O financiamento da vida de Sócrates em Paris foi diversas vezes questionado, pelo que, na mesma entrevista, o próprio quis esclarecer que pediu "um empréstimo para ir viver um ano em Paris. Foi um ano e meio de estudo. Agora recomecei a trabalhar. Acabei de pagar a minha casa e, como tinha um passado limpo, pedi um novo crédito, que foi concedido".

Logo no ano em que chegou a Paris, José Sócrates esteve com Lula da Silva na cerimónia do doutoramento honoris causa que o antigo presidente Brasileiro recebeu precisamente na instituição onde Sócrates estava a estudar. Na cerimónia, Lula apontou mesmo o ex-governante português entre a audiência: "José Sócrates, que é meu grande amigo, está ali sentado, é estudante aqui neste instituto, foi primeiro-ministro português."


A proximidade política entre os dois é grande. Quando Sócrates já estava demissionário, Lula esteve em Portugal e, numa altura em que o governo resistia a pedir ajuda externa, disse que "o FMI não é solução". E acrescentou: "Todas as vezes que o FMI tentou cuidar da dívida dos países criou mais problemas do que soluções." Dias depois, Sócrates fazia uma declaração ao país a pedir ajuda externa.» (In jornal «i»)

2 comentários:

  1. Amigo, concordo com "Se considerarmos Portugal a proibição da liberdade de opinião ocorreu durante o fascismo salazarista-marcelista. Quem defende a proibição da liberdade de opinião defende, nesse ponto, o mesmo que Salazar e Marcelo Caetano." Também acho que José Sócrates ou qualquer outro devem ter o direito de se exprimir. Aplica-se sempre a máxima de Voltaire: "não concordo com o que vocês diz mas estou disposto a dar a minha vida para que você possa dizê-lo." Aliás, quando as pessoas dizem que "vivemos em democracia, eu tenho direito a falar" deviam era dizer "vivemos em democracia, eu tenho o dever de ouvir opiniões contrárias à minha." Porque também os grandes tiranos da história permitiam a livre expressão (desde que fosse "livre" no sentido de concordar com a sua própria opinião).
    Só não percebi o resto: qual é o "blog considerado de esquerda" que acusou Sócrates. Não duvido do que dizes, apenas queria compreender melhor este artigo, porque não percebi que blog foi esse. Então o jornal "i" é de esquerda? Claro que não. Abraço.

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  2. Amigo, concordo com "Se considerarmos Portugal a proibição da liberdade de opinião ocorreu durante o fascismo salazarista-marcelista. Quem defende a proibição da liberdade de opinião defende, nesse ponto, o mesmo que Salazar e Marcelo Caetano." Também acho que José Sócrates ou qualquer outro devem ter o direito de se exprimir. Aplica-se sempre a máxima de Voltaire: "não concordo com o que vocês diz mas estou disposto a dar a minha vida para que você possa dizê-lo." Aliás, quando as pessoas dizem que "vivemos em democracia, eu tenho direito a falar" deviam era dizer "vivemos em democracia, eu tenho o dever de ouvir opiniões contrárias à minha." Porque também os grandes tiranos da história permitiam a livre expressão (desde que fosse "livre" no sentido de concordar com a sua própria opinião).
    Só não percebi o resto: qual é o "blog considerado de esquerda" que acusou Sócrates. Não duvido do que dizes, apenas queria compreender melhor este artigo, porque não percebi que blog foi esse. Então o jornal "i" é de esquerda? Claro que não. Abraço.

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