sábado, 24 de agosto de 2013

UMA MULHER ARRIVISTA E ALDRABONA É MUITO PERIGOSA


Muitas pessoas já encontraram na vida uma mulher muito mentirosa – diz uma coisa que não corresponde à verdade, DIZ UMA COISA E FAZ O CONTRÁRIO DAQUILO QUE DIZ. Não prestaÉ a escória da espécie humana. Mas também é perigosa. Mas é muito mais perigosa se for ministra das Finanças. E se for executora de uma política neoliberal só não é perigosa, socialmente, para a alta burguesia.


«Finanças – A “legalidade” que enoja!



Dossiers que, pelos vistos, eram fundamentais para se perceber quem fez o quê, porquê e a troco de quê, no longo romance de cordel dos swaps que nos podem custar milhares de milhões... foram destruídos. Quase todos. Ao que parece, “legalmente”.
Sabendo-se quem são os figurões e figuronas, entre ministra das Finanças, secretários e derivados que vão, em rotativismo, ocupando os lugares nos bancos, nas grandes empresas implicadas neste escândalo, nos grandes escritórios de advogados e, periodicamente, no Governo e no Parlamento, compreende-se que tudo se faça para tornar “legal” a ocultação de factos, a destruição de provas, tudo o que possa de alguma forma implicar toda essa canalha.
Ao contrário de um simples trabalhador a recibos verdes, ou de uma micro-empresa, obrigados a guardar durante anos toda a papelada de que o fisco possa querer tomar posse para os tramar, estes grandes trafulhas podem, legalmente, destruir dossiers inteiros com documentação relativa aos contornos de negócios de muitos milhões, ao fim de pouquíssimo tempo.
Que “conveniente”!!!

Que asco!!!


Adenda: Afinal, parece que a “legalidade” da destruição “conveniente” dos documentos sobre os swaps, pode ficar a dever-se a uma ousada “distracção.
Ninguém vai preso?» (In blog «Cantigueiro»)

«A narrativa neoliberal não foi de férias

O discurso de Passos Coelho no Pontal foi mais um episódio de propaganda política, só possível porque as televisões perderam a vergonha. A pretexto de informação em directo, fizeram a transmissão na íntegra de um discurso de comício. Nada que espante, porque hoje a televisão desempenha um papel central na construção de uma narrativa hegemónica da crise, um discurso simples sobre as suas origens, os seus responsáveis e as transformações do Estado que nos farão sair dela. Para executarem o seu projecto político, os partidos que nos governam precisam, no mínimo, de uma generalizada resignação dos cidadãos. A forma mais eficaz de a produzir consiste em criar uma larga maioria de fazedores de opinião (jornalistas, economistas, politólogos, deputados, políticos senadores) que sustente nas televisões a mesma narrativa da crise, a narrativa neoliberal.

O buraco em que caímos - forte e prolongada quebra na produção, desemprego de massa, mais fome e pobreza, crescimento da dívida pública em bola de neve, redução de salários, pensões e prestações sociais, pesado aumento de impostos sobre as famílias - é um fenómeno de interpretação complexa. Aliás, não pode haver uma interpretação indiscutível desta crise, ou de qualquer realidade sociocultural, já que não temos acesso a essa realidade a não ser através de conceitos, teorias, valores, ideologias. Não sendo a realidade um produto das nossas mentes, como sugere um certo construtivismo pós-moderno, ainda assim a narrativa de uma crise é uma mediação essencial porque tem causalidade própria. Quando é politicamente validada, torna-se a fonte inspiradora das decisões de reconfiguração do Estado e das políticas que lançam a sociedade numa nova e duradoura trajectória.

O colapso que estamos a viver foi gerado ao longo de mais de uma década por mecanismos socioeconómicos criadores de endividamento público e privado (sobretudo este) que, num país de economia frágil e sem moeda própria, se tornaram insustentáveis. Por isso, a crise atinge mais a periferia sul da zona euro. A interpretação neoliberal deste processo explora o senso comum e faz sentido para a maioria das pessoas - "o nosso despesismo sustentou durante décadas um Estado social incomportável, o que nos conduziu a mais uma crise. Vamos na terceira intervenção do FMI, mas, agora dentro do euro, temos mesmo de fazer aquilo que já não é adiável, reduzir o Estado social focando-o nos mais necessitados".

Esta narrativa integra sem dificuldade alguns factos que chocam o cidadão comum (casos de endividamento para consumo, muita formação profissional ineficaz, obras públicas de duvidosa utilidade, distribuição de empregos no Estado e empresas públicas, corrupção de vários tipos, etc.) ligando-os a má gestão do Estado, "a causa" da crise. É uma narrativa muito forte porque é plausível para o cidadão comum sem formação específica. Assim sendo, seria de esperar que as esquerdas tivessem investido fortemente na elaboração de uma alternativa, até porque a política de austeridade que tem sido seguida produziu uma calamidade social. Infelizmente, apenas foram produzidas narrativas parcelares sem consistência global. Uma contranarrativa teria de explicar em linguagem simples e popular que o endividamento foi gerado pela perda do escudo e que isso conduziu ao crédito fácil e à desindustrialização do país. Teria de dizer que com o euro perdemos as políticas de que precisamos para ir mais além no desenvolvimento. Teria de dizer também que perdemos a liberdade para decidir sobre as diversas vertentes do Estado social porque essas escolhas já estão feitas e inscritas nos tratados, as que a Alemanha aceitou ou mesmo impôs. Teria de dizer que não temos futuro dentro do euro.

Em Agosto, a narrativa neoliberal não foi de férias.

(O meu artigo no jornal i)
4 COMENTÁRIOS: » (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

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