terça-feira, 9 de julho de 2013

A MOEDA EURO NÃO TEM UM BANCO CENTRAL VERDADEIRO


O problema não está, a meu ver, na criação da moeda euro, mas sim na criação da moeda euro, associada a uma legislação perversa.
Se a moeda euro tivesse um Banco Central verdadeiro, semelhante à Reserva Federal dos Estados Unidos, com os chamados eurobonds, tudo seria diferente.
Mas a moeda euro com um falso Banco Central, perversamente chamado «Banco Central Europeu», isto é, a moeda euro e o «BCE» tal como são, de facto, tem claras intenções perversas, sugeridas pelos perversos capatazes das altas burguesias que são os chamados neoliberais.

«E agora podemos voltar a falar de coisas sérias? Do euro, por exemplo»
«Eu, ignorante, me confesso. Há poucos dias atrás desconhecia tudo acerca do senhor da foto que se segue.



Chama-se Robert Mundell. Já ouviram falar? Parece que foi um dos contemplados com esse falso Prémio Nobel – que usurpou o nome do dito – da Economia, e é, seguramente, um dos papas das teorias de desregulação total dos mercados e um dos proponentes de um “laissez faire” para o grande capital que tem a sua contrapartida no ataque à protecção dos direitos laborais. Em suma, uma das fontes inspiradoras de tudo aquilo que designamos sob o nome (às vezes demasiado vago) de neoliberalismo. Conheci esta personagem através do interessante blogue “Der Terrorist”.
Ora, uma das notoriedades de Mundell resulta de ser ele a principal fonte inspiradora da moeda única na Europa. E um dos seus argumentos a favor do que veio a ser baptizado com o nome de “euro” é o de que a perda de soberania dos Estados sobre a emissão de moeda, entregando-a a um banco central “independente”, lhes retiraria qualquer controlo relativo às suas políticas monetárias, as quais passariam a ser realizadas de forma “saudavelmente” anti-democrática. A única maneira de os países que perderam esse instrumento de soberania manterem as suas economias competitivas seria, pois, mediante a eliminação de regras ou de entraves ao funcionamento dos mercados, nomeadamente financeiros, acompanhada pela razia mais radical sobre a legislação de protecção do trabalho e do emprego, com a facilitação dos despedimentos, a diminuição dos salários dos trabalhadores, a destruição tendencial dos serviços públicos gratuitos e da segurança social, e pela supressão da maior parte das leis de protecção ambiental. Ou seja: o pacote completo que estamos a ver aplicado ao Sul da Europa por governos que só descansarão no dia em que este continente se tiver transformado numa versão pequena da América do Norte. O euro, para Mundell, seria o meio fundamental para operar esta imensa subversão da democracia social, a qual, por sua vez, requer a demolição da democracia política: não é por acaso que o banco JP Morgan – um dos principais operadores da mega-crise financeira que abriu caminho a este plano – está já a pugnar pela instauração de regimes autoritários no Sul da Europa. Eles sabem que o austeritarismo não é compatível com a democracia, mesmo na versão débil que conhecemos.» (Mário Machaqueiro in blog «5 Dias net»)

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