terça-feira, 4 de junho de 2013

EMPREENDEDORISMO E CAPITAL INICIAL

«É muito interessante o último número da Visão, em particular a matéria que dedicam à promoção de jovens empreendedores, que deita de vez por terra o Conto de Fadas da Over It.

Recuperando a imagem da Cinderela do Empreendedorismo, tão bem caracterizada pelo Ricardo Araújo Pereira, pode agora provar-se o que já toda a gente tinha percebido: o empreendedorismo nada tem de democrático, é impossível quando praticado por quem não tenha capital inicial e uma miríade para os que não têm o privilégio de nascer num berço de ouro.

O jovem Martim foi lançado para a arena com uma mão cheia de mentiras, todas de perna curta, do processo produtivo à própria natureza da sua empresa, que, como se lê na Visão, nem sequer existia à data do Prós e Contras (20 de Maio) tendo sido cuidadosamente registada no dia seguinte ao programa (21 de Maio).

Sobra apenas uma conclusão para tirar. Os spin doctors do empreendedorismo estão tão loucos que depois do Gonçalves tiveram que inventar um Martim, e ao contrário do que alegam os seus pais ele não está proibido de dar entrevistas apenas por ter os exames à porta, mas porque não há texto que dê a volta às evidências de mais um embuste da propaganda oficial. A Visão fez o resto do trabalho e concluiu oficialmente o que as redes sociais já tinham divulgado. A Cinderela do Empreendedorismo afinal registou a sua empresa um dia depois do Prós e Contras e essa é a única razão pela qual nenhum jornalista o conseguiu entrevistar.

Todos sabemos o que o Estado faz aos verdadeiros empreendedores: criminaliza o mercado informal, congela o licenciamento da venda ambulante, agrava os impostos para os pequenos e médios empresários, usa e abusa da ASAE transformando-a numa verdadeira agência de liquidação de pequenos negócios e capanga dos grandes empresários, em suma, uma panóplia interminável de medidas desenhadas para libertar o mercado dos pequenos concorrentes e entrega-lo de bandeja aos suspeitos do costume.


Mas valeu a pena a história. A interpelação que a Raquel fez ao jovem aldrabão valeu também para que se perceba que o empreendedorismo é um eufemismo para a desvalorização dos salários e para a normalização da escravatura assalariada dos que têm que conseguir viver com a miséria que hoje é o salário mínimo.» (In blog «5 Dias net»)

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