sábado, 29 de junho de 2013

AS MANIFESTAÇÕES DE RUA E A CRISE DO REGIME DO BRASIL NUMA ÉPOCA DE CRESCIMENTO ECONÓMICO E PRATICAMENTE DE PLENO EMPREGO


Imaginemos que o Brasil estava numa espiral recessiva e com um desemprego de 18%, como acontece com Portugal. Imaginemos…
Em Portugal os preços dos transportes colectivos aumentam todos os anos e em percentagens brutais. Mas, o aumento do desemprego e a baixa dos salários quer no sector público, quer no sector privado, por contágio, e ainda os cortes nas reformas dos ex-assalariados do sector público e do sector privado tornaram esses aumentos ainda mais dolorosos.
Como já disse aqui, há, factualmente, nas manifestações de rua no Brasil, organizações fascistas, inspiradas em Mussolini, em Pinochet e em Videla, que atacam toda a gente que transporta bandeiras vermelhas da Esquerda brasileira.
No entanto, o descontentamento das pessoas no Brasil tem causas bem concretas.
O povo precisa de “pão e circo”(«panem et circenses») diziam as elites do Império Romano. No caso do povo brasileiro o pão é ainda insuficiente e o circo é demasiado caro. O Brasil no século XIX utilizava o trabalho escravo numa escala muito alta, tal como os Estados Unidos.
Ora os países que praticavam a escravatura no século XIX são o terreno mais fértil para as mais elevadas desigualdades sociais. O grande problema do Brasil são as grandes desigualdades sociais. Há uma elite grande burguesa riquíssima e as classes pobres são mesmo muito pobres.
Lula da Silva e Dilma Roussef com a sua política de combate à pobreza tiraram da pobreza dezenas de milhões de pessoas e com a sua política de diversificação de mercados e de estímulo ao crescimento económico reduziram o desemprego, praticamente a zero. Imaginemos que em Portugal em vez de 18% de desemprego tínhamos pleno emprego…
Mas, os brasileiros querem mais e merecem mais. Querem serviços públicos inspirados no chamado «Modelo Social Europeu», isto é, querem um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, querem um Sistema Público de Ensino de qualidade. Querem investimento público em urbanizações e habitações de qualidade que substituam as favelas. Querem uma rede de transportes públicos de qualidade e a preços comportáveis. E não querem gastos faraónicos em organizações desportivas como a Copa 2014 de futebol e os Jogos Olímpicos de 2016, quando esse dinheiro poderia ser aplicado em hospitais e escolas. Querem um combate eficaz à corrupção. No aspecto da corrupção a Itália e Portugal não são exemplo para ninguém, a corrupção em Portugal é vista como um Direito do PSD, do PS e do CDS. O caso Lusoponte, do governo de Cavaco Silva, em que o PSD e o PS conluiados obrigam os contribuintes a pagarem 4 vezes o preço da ponte Vasco da Gama sobre o rio Tejo à Lusoponte / Mota Engil, é verdadeiramente épico.
Depois no Brasil queriam dificultar ainda mais a investigação aos políticos corruptos. 
É natural que a presidente eleita, democraticamente, Dilma Rousseff, tenha percebido que é necessário fazer mudanças para melhorar o Brasil.
É preciso que as faça e bem feitas.

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