sexta-feira, 21 de junho de 2013

AS CONVULSÕES SOCIAIS NO BRASIL


“«Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, é o nosso sangue» (Pelé)
É uma velha e farta tradição, alimentada por muitos futebolistas, descontados aqueles que não dizem nada e aqueles que sabem o que dizem:
Ao mesmo tempo que lhes vão saindo maravilhas dos pés... saem-lhes rios de asneiras pela boca fora!
Por este andar... haverá (espero!) cada vez mais gente a esquecer os “Pelés” deste mundo... e a pensar nas suas próprias vidas e no futuro dos seus filhos. Cada vez haverá mais gente a trazer para as ruas a sua indignação e palavras de ordem como esta:
«Brasil, vamos acordar! Um professor vale mais que o Neymar!»” (Samuel, in blog «Cantigueiro»)


Não partilho a posição de que o desporto é um mal, mas acho que o dinheiro com eventos desportivos deve ser gasto com muita moderação.
Contrariamente a Pelé, o ex-futeblista da selecção de futebol do Brasil Romário acha que as manifestações contra os gastos com a organização pelo Brasil da Copa do Mundo de futebol 2014, devem ser lembradas e analisadas em profundidade, porque são expressão de grande descontentamento.
Eu, pessoalmente, acho que as manifestações, no essencial, são contra as desigualdades sociais e contra a não aplicação de dinheiros públicos no combate a essas desigualdades sociais. Ora, a aplicação de dinheiros públicos em gastos com eventos desportivos muito caros faz com que esses mesmos dinheiros públicos não sejam aplicados na construção de infra-estruturas que melhorem a qualidade de vida das populações fora da alta burguesia.
A melhoria da qualidade de vida no Brasil fora da alta burguesia, com Lula da Silva, deu origem à ideia correcta de que é possível melhorar muito mais. Em síntese, a maioria dos manifestantes exigem uma mais justa distribuição da riqueza, proporcionada pelo crescimento económico do Brasil. Parece-me que é isso que tem de ser feito, porque os países, como o Brasil, em que ainda no século XIX a escravatura era muito importante na economia, têm as desigualdades sociais muito acentuadas. É preciso continuar a fazer crescer o número de pessoas que sobem às classes médias e a dar-lhes melhores condições de vida, porque são cada vez mais exigentes, quando deparam com uma alta burguesia riquíssima.
E é preciso também melhorar, consideravelmente, a qualidade de vida das classes sociais mais desfavorecidas.

Quando o Brasil tiver dinheiro para isso deve construir algo semelhante ao modelo social europeu, que agora está em retrocesso – um sistema público de saúde de qualidade para todos, um sistema de ensino de qualidade para todos, e urbanizações e habitações com um mínimo de qualidade para todos.

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