quarta-feira, 5 de junho de 2013

A ZONA EURO ESTÁ A MUDAR?

Mário Soares foi atingido por optimismo em relação a François Hollande e à Zona Euro, que não tem fundamentação em factos relevantes.
Muitos economistas de Esquerda acham que a Zona Euro está a caminhar para a implosão. Acrescentam que sem a mudança das leis da moeda euro e do falso «Banco Central Europeu, que impliquem a transformação do «BCE» num Banco Central verdadeiro, com muitas semelhanças com a Reserva Federal dos Estados Unidos, a Zona Euro não terá futuro. Teria que haver a mutualização de parte da dívida da Zona Euro, com o aparecimento dos chamados «eurobonds»; e muito mais medidas desagradáveis para a Alemanha.
A Alemanha nunca aceitará pertencer à Zona Euro com vantagens e desvantagens, porque só quer as vantagens, as desvantagens, na perspectiva da Alemanha são para os outros, como os factos confirmam. Há muitos economistas que dizem que a Zona Euro não pode ser dominada por Berlim, que a Alemanha está a arruinar a Grécia, Portugal, Chipre, a Irlanda, a Espanha e a Itália. E acrescentam que a Zona Euro só interessa à Alemanha para nela exercer um poder imperial. Não aceitando a Alemanha estar na Zona Euro com a mutualização de parte da dívida, ou implode a Zona euro ou a Alemanha é forçada a sair da Zona Euro.

Apesar de o achar sem fundamento, em factos de relevo substancial, apresento o texto do optimismo de Mário Soares sobre a Zona Euro.


«A Zona Euro parece estar a mudar mesmo em relação à União Europeia. O eixo franco-alemão está a voltar a impor-se. A Alemanha começa a perceber que as políticas de austeridade que impôs aos Estados, considerados periféricos e preguiçosos (a Grécia, a Irlanda e Portugal), que nunca o foram - tomara a Alemanha ter um palmarés histórico como o desses Estados, e aqueles que estão também a ser tocados gravemente pela crise, como a Espanha, a Itália, Chipre, a Holanda, e ao que parece também a Suécia e a França -, têm-se revelado uma desgraça para a própria Alemanha. Porquê? Porque deixaram de comprar as suas exportações, como era inevitável. A Alemanha começa a estar em decadência e a chanceler Merkel precisava encontrar um bode expiatório para explicar isso. Escolheu um, que tanto a seguiu, mas que muda conforme os ventos que sopram: o nosso compatriota Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia. Em política a quem muda muito de opiniões, segundo os ventos, mais tarde ou mais cedo acontece-lhe isto. Então com esta Senhora Merkel, ex-comunista militante da ex-Alemanha de Leste, que é, implacável, consoante os seus interesses político pessoais. Pobre Durão Barroso, que muda com os ventos que sopram - é verdade - mas desta vez não merecia ser tão mal tratado...
O importante é que a chanceler Merkel está à procura de, pelo menos, atenuar a austeridade e lutar por um governo da Zona Euro, como François Hollande lhe propôs. Quer melhor economia e pretende mais emprego, para o tornar possível. E pensa que - cito - "a Zona Euro não tem escolha e tem de se comparar aos melhores do mundo" (vide Le Monde, de 1 de junho de 2013).
Além disso, também enviou uns nazis - que voltavam a fazer estragos - para a cadeia. Já não era sem tempo, porque deviam estar lá há muito.
Por outro lado, começou a fazer uma distinção entre a Zona Euro, a importante, e os restantes Estados da União Europeia. A Zona Euro vai passar a ser a jóia da coroa, dando agora, a chanceler, muito pouca importância aos outros Estados membros da União Europeia, a começar pelo Reino Unido, que sempre viu a Europa apenas como um espaço de livre câmbio, o que a Zona Euro nunca, evidentemente, quis ser.


Em 30 de maio último, veja-se como tudo está a mudar, a Comissão Europeia decidiu levar o Reino Unido ao Tribunal de Justiça Europeu pelas suas regras de má segurança social. Imagine-se o que isso representa. A Europa da Zona Euro está a mudar rapidamente. O nosso ministro das Finanças, Vítor Gaspar, tão fanático como é, em termos de ideologia neoliberal, que se acautele. (…)» (Mário Soares in «DN» net)

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