sexta-feira, 24 de maio de 2013

RAQUEL CERDEIRA VARELA E A CRÍTICA MARXISTA NAS TELEVISÕES PORTUGUESAS


Não conheço, pessoalmente, a Raquel Cerdeira Varela, sei pelas contas que fiz com os dados recolhidos na net, que tem 35 anos, sendo por isso da chamada geração jovem. A idade dela refuta a ideia de que os marxistas portugueses são ex-antifacistas. Ora, a Raquel Cerdeira Varela, é uma pessoa nascida na III República. Discordo de algumas posições dela, mas por outro lado, acho francamente positivo o saldo da sua actividade política. Tanto quanto sei, seguiu a carreira académica e é investigadora da História em Portugal e na Holanda e é colaboradora regular do blog «5 Dias net».
O facto de ter sido convidada para o programa «Prós e Contras» da RTP1 para fazer frente a pessoas, da sua geração, com carreira académica similar da Direita, revela a profundidade da crise, catastrófica sob o ponto de vista social, que o governo PSD-CDS-Troika-Cavaco está a impor a Portugal.
Por outro lado a crítica marxista, em Maio de 2013, é bastante eficaz para desmascarar o «pensamento único» neoliberal dominante, que tem a sua origem na dupla fascista Friedman-Pinochet.


                                                (Pinochet e Tatcher - amigos pessoais e ambos amigos de Milton Friedman, o acessor de Pinochet)

No caso específico da análise que Raquel Varela fez ao empreendedorismo de um rapaz de 16 anos, com especiais capacidades para o desenho de moda e para a publicidade, eu discordo da Raquel Varela. Mas, curiosamente, este acontecimento trouxe para primeiro plano a crítica marxista, no Portugal de 2013, esmagado pela catástrofe social neoliberal.

«A direita moveu-se em peso para dizer uma coisa: “vozes como a da Raquel, os jornalistas devem amedrontar-se e abster-se de dar visibilidade”, porque ela enche, com nível e respostas concretas, qualquer programa, mostrando a essência das coisas para lá dos nomes e a radicalidade que os tempos exigem que se traduza em verdade: “não vamos sair da crise juntos”. Sem conflito social não haverá paz e só sobrará a miséria.

Esquerda na TV? É o choque, o horror. – “assustem-se senhores jornalistas!”, “tenham muito medo!” – só se pode dizer que é preciso criar emprego mesmo que para o efeito não diga como, e sobre o assunto se limitem a papaguear, vezes sem conta, a receita que nos conduziu ao desastre e à destruição do emprego. José Manuel Fernandes, bantustões da banca, Camilo Lourenço, Insurgentes e Basfémios, uma mão cheia de empresas que há muito congelaram o salário mínimo como forma de maximizar os seus lucros, recheadas de empreendedores ignorantes, meteram a circular um vídeo que está a ter agora um contra ataque massivo, em muitos casos de grande nível – onde vários dos vídeos que a Raquel tem feito são usados para dar expressão à indignação contra a indignidade e a ideologia dominante. Nunca se falou tanto na indignidade que é viver com menos de 500 euros nem a hegemonia esclavagista que o trabalho mal assalariado significa na vida das pessoas.



Sobram os saudosistas. Da música e dos costumes, tão bem enraizados no país da Amália “pobre mas com fartura de carinho”, que ainda dura desde o tempo de Salazar, ou da Floribela “pobre mas rica em sonhos”. E passam a vida à procura dos idiotas úteis que lhes ilustrem um quadro no qual já ninguém acredita e que só consegue pintar quem tem, na retaguarda, a protecção de classe que lhes garante o investimento. Um Gonçalves ontem, um Martim hoje, são simultaneamente o sujeito para o cartaz da propaganda e o bobo da corte. Martim e Gonçalves, quais Dj’s da troika e de Passos Coelho, deram o mote: os desempregados não se safam porque não são empreendedores. Uma versão neo malthusiana da eugenia social: os pobres são pobres porque são pobres e é a isso que se devem habituar, tão calados quanto possível, tão cheios de ilusões quanto a máquina da sua propaganda consiga criar. O azar, por certo, nesta história toda, é que o mal menor está cada vez pior, e todos sabem o que fazem as pessoas quando a insuportabilidade da vida lhes corta as asas dos sonhos. Quanto mais altas forem as expectativas, maior será o grito de revolta. Podem bem continuar.» (In blog «5 Dias net»)

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