segunda-feira, 20 de maio de 2013

OS GATSBYS DE 2013


Camilo Castelo Branco publicou «Amor de Perdição» em 1862. Este livro obedece ao cânone típico do romantismo literário. Acaba numa desgraça.
«Ana Karenina» (1875 – 1877) de Tolstoi, em síntese, é um amor de perdição. «Ana Karenina» é um livro considerado uma obra-prima do realismo literário europeu e universal. No entanto, o que caracteriza o cânone do romantismo literário é no fim do livro acontecer uma grande desgraça. O que leva o livro «Ana Karenina» a ser incluído no realismo é a fundamentação, mais «racional» para a desgraça que acontece no fim.
O «Grande Gatsby» (1925) de Scott Fitzgerald, em síntese, é um amor de perdição.

O Grande Gatsby» («The Great Gatsby») é um romance escrito pelo autor americano Scott Fitzgerald. Publicado pela primeira vez em 10 de Abril de 1925, a história passa-se em Nova Iorque e na cidade de Long Island durante o verão de 1922, e é uma crítica ao "Sonho Americano".
O romance relata o caos da Primeira Guerra Mundial. A sociedade americana vive um nível sem precedentes de prosperidade durante a década de 1920, assim como a sua economia. Ao mesmo tempo, a proibição de produção e consumo de bebidas alcoólicas, ordenada pelo 18° aditamento, fez grande número de milionários fora do circuito de venda de mercadorias e provocou um aumento do crime organizado.
Embora Fitzgerald, assim como Nick Carraway no seu romance, idolatre os ricos e o glamour da época, ele não se conformava com o materialismo sem limites e a falta de moral, que traziam consigo uma certa decadência." (In «Wikipedia»)

O romantismo é uma expressão cultural da ascensão da burguesia e os valores do romantismo literário são os valores da propaganda da alta burguesia, mas não eram valores para consumo próprio da alta burguesia.
Pessoalmente, acho que a intenção de Scott Fitzgerald, no livro «O Grande Gatsby», é idolatrar a alta burguesia da década de 1920, quando a bolsa de Nova Iorque funcionava bem, em 1925.
O colapso da bolsa de Nova Iorque foi nos finais da década de 1920, bem datado, na Quinta-Feira Negra, 24 de Outubro de 1929.
Scott Fitzgerald separa a alta burguesia dos velhos-ricos grandes herdeiros, da alta burguesia dos novos-ricos, em que se enquadra Gatsby, que corresponde ao chamado por uns de sonho americano e por outros de mito americano. O «sonho americano» é ascender das classes pobres à alta burguesia. É o caso de Gatsby.
Scott Fitzgerald mostra simpatia pelo «sonho americano», que permite o aparecimento dos novos-ricos, pessoas da nova alta burguesia, que eram de uma classe pobre.
Há quem interprete o livro de outra maneira e ache que ele desmistifica o chamado «sonho americano».
Estatisticamente, a ascensão social nos Estados Unidos, no século XXI, parece ser muito difícil.
O filme em exibição em Portugal «O Grande Gatsby», formalmente, é bastante bem feito. O argumento é o argumento do livro de Scott Fitzgerald.
Os valores atribuídos por Scott Fitzgerald à alta burguesia como o amor romântico, são mais para um livro de ficção ou para um filme do que para retratar a alta burguesia. No século XXI, os elementos da alta burguesia sonham com terem um harém e não uma única mulher.



A alta burguesia, enquanto classe social, nunca se regeu por valores morais, mas por interesses, tanto no século XXI, como no século XX, como no século XIX, em síntese, por um interesse supremo chamado lucro.

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