domingo, 5 de maio de 2013

DA QUINTA-FEIRA NEGRA À GRANDE DEPRESSÃO EM QUE PASSOS COELHO LANÇOU PORTUGAL


Na Quinta-feira Negra, em 24 de Outubro de 1929, colapsou a bolsa de Nova Iorque, dando origem à chamada Grande Depressão, que marcou toda a década de 1930 nos Estados Unidos.
Falências, desemprego e fome foram as marcas da chamada crise de 1929 e da Grande Depressão que se seguiu.
Os Estados Unidos provocaram a crise e dela saíram sozinhos com políticas anti-austeridade.
Portugal em 2013 está numa crise da qual já não vai conseguir sair sozinho.
A gravidade da crise portuguesa actual está a aumentar com as medidas austeritárias, ordenadas por Berlim e Frankfurt.
Cavaco Silva vai ouvir o Conselho de Estado. O Conselho de Estado só tem interesse se for para demitir o governo PSD-CDS-Troika e para a convocação de eleições. Se não for para isso será mais uma reunião inútil.


Aqui vai uma análise, clara, da situação em que Portugal está, a seguir.


         «A História os julgará»


«Vamos então falar dos filhos da puta, ignorando os cretinos e idiotas úteis que os apoiam, nos jornais, nas televisões e nos blogues. São os filhos da puta que conduziram o país à situação em que ele está: défice descontrolado, dívida pública a crescer a um ritmo nunca antes visto, desemprego a bater nos 20% e, acima de tudo, uma cada maior assimetria entre mais pobres e mais ricos, dado que o rendimento destes praticamente se mantém intocado ou foi fortalecido. Um bom exemplo de um filho da puta é alguém que inferniza a vida a velhos, reformados, desempregados e pobres para que os ricos possam continuar a alimentar os seus vícios.

Pedro Passos Coelho mentiu ontem, mentiu tanto e de maneira tão descarada, que podemos dizer que perdeu toda a vergonha na cara. Mentiu quando disse que a maioria dos trabalhadores da OCDE trabalha 40 horas semanais. Mentiu quando afirmou que o adiamento dos prazos para cumprimentos das metas se deve ao cumprimento do Governo, quando é precisamente por o Governo não ter cumprido que os prazos para cumprimento têm de ser adiados. Mentiu quando disse que as rendas excessivas da energia e os contratos das PPP foram renegociados com sucesso. Mentiu quando disse que a idade da reforma se manteria nos 65 anos, sabendo que quem se reformar com essa idade sofrerá penalizações. Mentiu quando disse que não iria haver despedimentos da função pública, falando em rescisões por mútuo acordo - e a expressão "mudança de actividade", aplicada à situação em que os despedidos da função pública vão ser colocados é um excelente exemplo do uso da novilíngua no discurso deste Governo. Mentiu quando afirmou não ir aumentar os impostos - a taxa sobre as pensões é um imposto. Mentiu ao preparar-se para fazer tudo o que tinha prometido não fazer em campanha: despedir funcionários públicos, cortar salários, taxar pensões. E mentiu, finalmente, ao dizer que tudo o que está a ser feito irá fazer com que a economia volte a crescer; mentiu prometendo que da destruição que está a ser ensaiada irá nascer um novo país. Vou esperar sentado pelo "fact checking" dos media a esta inacreditável sucessão de mentiras.

Mas antes das mentiras de ontem, relembremos o que trouxe Passos Coelho aqui. Os cortes de 4800 milhões nada têm a ver com a decisão do Tribunal Constitucional, por muito que ele mencione nas suas declarações esta instituição. O corte estava decidido desde a quinta avaliação da troika, em Setembro passado, e foi uma contrapartida do Governo ao aligeirar da meta do défice para 2012. O Governo, em Agosto no ano passado (quando Passos Coelho prometeu a inversão económica para 2013), sabia que não iria conseguir atingir um défice de 4.5%. Não iria conseguir porque as políticas de Gaspar conduziram o país à pior recessão em democracia, a caminho de uma depressão. Não iria conseguir porque a ideia de implementar austeridade além da troika em 2011 (9000 milhões em vez de 4000 milhões) correu mal, destruindo a procura interna e aumentando de forma imparável o desemprego. Este corte de 4800 milhões deve-se única e exclusivamente à incompetência do Governo, é sua responsabilidade. Mais: o corte, como várias vezes repetiu Passos Coelho, corresponde ao que ele sempre quis. O memorando da troika sempre foi considerado com uma oportunidade. Oportunidade de acabar com o Estado Social e eliminar 40 anos de progresso trazido pela revolução de 1974. Não tenhamos dúvidas disto.

Claro que a recessão que um corte desta ordem vai provocar - segundo os cálculos do FMI, 4800 milhões de corte pode provocar um impacto na economia de até 8160 milhões (multiplicador de 1,7) - será um fardo para as próximas gerações. Chegaremos, mais cedo do que tarde, aos números do desemprego de Espanha e da Grécia, e rapidamente recuaremos em todos os índices de desenvolvimento. Cortes de 10% em todos os ministérios significam uma redução drástica nos serviçoes públicos, a começar pela Saúde, pela Educação e pela Segurança Social. Tudo irá piorar e será muito difícil a qualquer Governo que se siga a esta trupe de fanáticos incendiários recuperar e reconstruir tudo o que está a ser destruído. Filho da puta, muito sinceramente, é pouco. Começam a faltar palavras para descrever o mal que está a ser feito ao país. E, lá do seu Olimpo pessoal, Cavaco observa tudo. Ele joga num campeonato da filhadaputice muito próprio. A História fará juz a tão fracas e perigosas figuras que nos governam.» (Sérgio Lavos in blog «Arrastão»)

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