sexta-feira, 24 de maio de 2013

A REVOLUÇÃO RUSSA DE OUTUBRO DE 1917 E AS NOVAS IDEIAS


Os alemães Karl Marx (1818 - 1883) e Friedrich Engels (1820 - 1895) viveram no século XIX, como muitos outros filósofos. Formularam teorias que enquanto viveram não passaram de teorias.
Foi o filósofo e político russo Lenine (Vladimir Ilitch Ulianov, 1870 - 1924) que dirigiu a primeira revolução inspirada nas ideias de Marx e Engels, em Outubro de 1917 (segundo o calendário juliano, baseado na vida do general e político romano Júlio César, o calendário dos cristãos, que se manteve nas igrejas cristãs ortodoxas). (A igreja católica romana modificou o calendário juliano, por ordem do papa Gregório XIII, nos finais do século XVI (1582) e passou a chamar-se gregoriano, que é o actual calendário europeu ocidental, também nos países protestantes, e nos países de influência europeia ocidental (portuguesa, espanhola, inglesa ou francesa).
Um ponto crítico fulcral no marxismo é o conceito «ditadura do proletariado» formulado por Marx e Engels e retomado por Lenine. O problema é que a «ditadura do proletariado» deu origem à ditadura do Partido Comunista, que dizia representar o proletariado, e prolongou-se indefinidamente, em vez de ser transitória. Este é um dos pontos mais fracos do marxismo-leninismo, e o que mais contribuiu para a implosão do regime comunista fundado por Lenine.
Marx defendeu a nacionalização ou colectivização total das empresas. Lenine, mais por pragmatismo do que por convicção, criou a NEP (Nova Política Económica), em 1921, em que as grandes empresas eram nacionalizadas ou colectivizadas e as pequenas e médias empresas eram privadas. Lenine morreu em 1924, estando em vigor a NEP.
Estaline ascendeu ao poder depois da morte de Lenine e acabou com a NEP e impôs a nacionalização ou colectivização de todas as empresas, conforme as propostas de Marx.
Estaline tem várias facetas, desvirtuou muito o conceito «ditadura do proletariado», que se transformou numa ditadura pessoal, inspirada no marxismo e na tradição czarista da Rússia.
Industrializou a União Soviética, criada por Lenine em 1922, através da divisão da Rússia herdada do czarismo numa união de repúblicas étnicas, onde a Rússia passou a ser mais uma república, bem menor do que era a Rússia czarista.
A industrialização estalinista deu um poder militar à União Soviética, proporcionalmente, muito superior ao da Rússia czarista durante a I Guerra Mundial. Em 1940 a União Soviética era a terceira potência industrial, atrás dos Estados Unidos e da Alemanha. Na II Guerra Mundial, Estaline conseguiu vencer a Alemanha nazi, embora auxiliado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, sobretudo porque abriram a frente ocidental, tão reclamada por Estaline junto de Franklin Roosevelt e de Winston Churchill, os seus grandes aliados contra o inimigo comum que era Hitler. Mas também não podemos esquecer que o grande impacto da ofensiva alemã foi sustido pela União Soviética sozinha. A Alemanha invadiu a União Soviética em 22 de Junho de 1941, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Os Estados Unidos foram forçados a entrar na guerra em 7 de Dezembro de 1941, quando foram atacados pelos japoneses (aliados da Alemanha) em Pearl Harbour.
A vitória na II Guerra Mundial foi sobretudo a vitória da União Soviética e dos Estados Unidos (que na frente ocidental depressa ofuscaram o Reino Unido).
Terminada a II Guerra Mundial os Estados Unidos e a União Soviética dividiram a Europa entre si, em áreas de influência.
Foi durante o estalinismo que os Estados Unidos e a União Soviética se tornaram as duas grandes super-potências mundiais, ambas equipadas com bombas atómicas, os Estados Unidos desde 1945 e a URSS desde 1949.
Já no pós-estalinismo o poderio militar dos Estados Unidos e da União Soviética atingiu tão grandes capacidades de destruição com bombas atómicas A e H (de segunda geração, de Hidrogénio), que uma Guerra entre estas duas super-potências mundiais poderia, eventualmente, levar à destruição de toda a Humanidade.
A análise da evolução do regime comunista criado por Lenine na Rússia/União Soviética, no essencial, pouco ou nada tem a ver com a rivalidade militar e ideológica com os Estados Unidos.
A crise do regime que levou à sua implosão ou auto-destruição deveu-se às contradições entre as teorias marxistas e as práticas sócio-económicas-políticas. A União Soviética podia, perfeitamente, fazer um acordo com os Estados Unidos e acabar coma Guerra Fria, e melhorar o regime comunista para algo de novo, de desconhecido.
Ora, a impossibilidade do regime comunista da União Soviética criar algo de novo e de, efectivamente bom, tem a ver com erros nas teorias marxistas-leninistas. O capitalismo tem aguentado tudo e renova-se, aguentou o fascismo de Mussolini, aguentou o nacional-socialismo alemão ou nazismo, e outros regimes fascistas sobretudo na Europa e na América Latina.


Estamos em 2013 e o capitalismo continua a renovar-se. A evolução da Humanidade não acabou em 2013. Como será a Humanidade daqui por 100 anos? E como será daqui por mil anos? Não sabemos, mas será muito diferente do que é em 2013.
Ora, a Esquerda tem que criar um novo conceito de Democracia, política, social e económica.


A crítica marxista às injustiças do capitalismo é a mais clara e a mais profunda que foi feita até 2013. O aparelho conceptual do marxismo é essencial para explicar as desigualdades sociais colossais e outras injustiças do sistema capitalista. Ignorar a crítica marxista às injustiças do capitalismo não permite ter uma ideologia de Esquerda consistente. A crítica marxista às injustiças do capitalismo é perfeitamente actual, em Maio de 2013. Porém, há propostas alternativas, que me parecem, claramente, erradas, como o conceito «ditadura do proletariado» e a ideia de nacionalização ou colectivização de todas as empresas. No marxismo-leninismo parece-me muito importante, quanto à prática da ideologia, analisar a NEP (Nova Política Económica) de Lenine.

A Esquerda, que não presta qualquer vassalagem à alta burguesia, tem que reanalisar o marxismo-leninismo e separar os erros teóricos da utopia, e essa utopia pode muito bem ser um novo conceito de Democracia, em que as desigualdades sociais se esbatam.


No imediato, há que combater esta ofensiva da alta burguesia para aumentar ainda mais as desigualdades sociais. É preciso combater o neoliberalismo e inverter esta tendência actual para a transferência de riqueza das classes médias e das outras abaixo para a cruel alta burguesia.

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