terça-feira, 9 de abril de 2013

UMA DESUNIÃO EUROPEIA


Quando o marechal Keitel, após o suicídio de Hitler, na qualidade de comandante supremo de todas as forças militares da Alemanha, foi assinar a rendição incondicional perante o alto-comando da então União Soviética (ou Rússia Soviética) foi-lhe comunicado que a fronteira leste da Alemanha recuaria mil anos, sim mil anos, a fronteira leste do século XX recuaria para o século X, isto é, para linha dos rios Óder e Neisse ou simplificando para a linha Óder-Neisse.



O marechal Keitel disse que era tremendamente injusta essa decisão e foi-lhe perguntado como os alemães tinham avançado para leste dos rios Óder e Neisse e ele respondeu que tinha sido pela força das armas. Foi-lhe comunicado que o recuo de mil anos era pelas mesmas razões, pela força das armas. Nem o Reino Unido, nem os Estados Unidos, então ambos aliados da União Soviética, se opuseram a tão drástica decisão.
A Alemanha actual tem menos de metade do território que tinha o III Reich de Hitler.


                                                   ( III Reich em 1943 - a azul no sentido Norte Sul a linha Óder-Neisse)

Na União Europeia de hoje tem mais território que a Alemanha actual (357 121,41 km ² - fonte Wikipedia artigo em alemão), a França (551 695 km2 – fonte Wikipedia, não incluo as colónias francesas, porque as colónias são colónias, não a França, artigo em inglês), a Espanha (505 992 km2 – fonte Wikipedia artigo em inglês, mas não especifica se inclui as colónias, nem o artigo em castelhano) e a Suécia (449 964 km2 – fonte Wikipedia artigo em inglês).
Este domínio alemão da União Europeia é conjuntural, é de um país derrotado em duas guerras mundiais e de média dimensão. Não se trata de um gigante com pés de barro, porque é um país demasiado pequeno para ser chamado de gigante. A arrogância alemã não tem uma base de sustentação territorial.

«Se Clausewitz nos ensinou que a guerra deve ser a continuação da política, o ministro Schäuble, na sua declaração de ontem sobre Portugal, recordou que a política de austeridade pode ser a continuação da guerra por outros meios. Não sei se a prudência do discurso do líder do PS resulta de uma iluminação súbita, mas não me parece que, até hoje, a oposição percebesse completamente o que está em causa. O problema não está em substituir um governo que merece um repúdio geral. O problema é criar condições para "mudar de política". Há uma guerra Norte-Sul na Europa. E o Norte está a ganhar. Fomos educados na crença de que os Estados europeus viveriam de acordo com os jogos de soma positiva, onde todos cooperam e todos ganham. Foi assim até 2009. A partir daí, sob a batuta de Merkel, os jogos na Europa passaram a ser os de soma nula. Jogos de guerra, onde as perdas de um são os ganhos de outro. O Sul está a pagar com juros os fundos estruturais e a festa de crédito do euro. Merkel está a disciplinar não só os Estados, mas também os mercados. Hoje Portugal está mais fraco para resistir sozinho ao colete-de-forças de Berlim. As barreiras estão a ser levantadas no sistema financeiro para tornar o núcleo duro teutónico imune a um país rebelde. O véu caiu. Portugal é uma satrapia de Berlim. O que está em causa não é derrubar uma coligação, mas reconquistar a liberdade nacional. Tudo está em aberto. Desde uma viragem federal redentora até ao desmoronamento da Zona Euro, e o doloroso regresso às derivas estratégicas e conflitos tribais europeus. O tempo é para pensar estrategicamente. Definir os fins e escolher os meios. Procurar aliados nas outras satrapias, e mesmo no centro imperial. Quando se está na frágil condição de Portugal cometer mais erros seria um crime.»
(Viriato Soromenho-Marques in «Diário de Notícias» net)

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