terça-feira, 16 de abril de 2013

OS ALEMÃES GOSTAM DE MANDAR NA GRÉCIA



Os alemães gostam de mandar na Grécia e de devastar a Grécia.
É um erro grave ignorar a História do século XX.
Esta ideia de quase proibir as duas disciplinas base da chamada cultura geral, que são em primeiro lugar a Geografia e em segundo lugar a História, provoca o embrutecimento das pessoas.
O candidato derrotado, nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, num debate com Barack Obama disse que o Irão apoiava a Síria, porque a Síria era a única saída para o mar do Irão. O candidato mostrou que de Geografia sabe muito pouco, porque mostrou não saber onde fica o Irão e onde fica a Síria.
Este apagar da História da Europa a Barbárie Alemã que devastou o continente europeu é um erro muito grave.
Mais uma vez humilhados e ofendidos pelos alemães os gregos mostraram um mínimo de orgulho e de dignidade quando se dispuseram a investigar as dívidas da Alemanha à Grécia.

Mas não é só a Grécia que a Alemanha quer destruir em 2013.



«A decisão de Antonis Samaras, primeiro-ministro grego, de encomendar um relatório oficial sobre as dívidas que a Alemanha nunca pagou à Grécia em reparações da Segunda Guerra Mundial, caiu como uma bomba. Samaras fez uma coisa muito simples: recordou a História para os devidos efeitos e vai apelar aos tribunais internacionais - uma decisão inédita numa Europa que, como escreveu Tony Judt, adoptou como política comum o “esquecimento” que, em boa parte, era a única forma de continuar a viver depois de Auschwitz. Para a institucionalização desse “esquecimento” criaram-se os embriões da União Europeia, muito pouco tempo depois do fim da guerra - a comunidade do carvão e do aço e o resto que se lhe seguiu.

Menos de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa voltou ao estado de guerra - produzida através de uma nova arma que foi expressamente criada para coroar o sucesso do “esquecimento” (os líderes europeus aceitaram, desde logo, subordinar-se a um banco, o BCE, feito à imagem e semelhança do Bundesbank, o banco central alemão e de uma moeda muito próxima do marco alemão).

Este estado de guerra está a dizimar as populações do Sul - a taxa de desemprego em Portugal é histórica e na Grécia ainda vai chegar aos 30% - e essa guerra está a ser vencida pelo Norte, com a cumplicidade de uma “quinta coluna” robusta em países como Portugal. Aqui, Vítor Gaspar é o líder dessa quinta coluna incapaz de colocar os interesses nacionais - não implodir o país através do aumento do desemprego, por exemplo - à frente dos interesses dominantes na troika e do Norte. Essa quinta coluna não só partilha a teologia da austeridade com mais fanatismo do que os seus Papas como tem uma ideologia de classe evidente - enquanto o accionista Estado se abstém na atribuição dos prémios milionários aos gestores da EDP, prepara-se para cortar nos mais fracos, os doentes e os desempregados.

Há uma destruição de Portugal em curso - provocada por um governo obediente, venerador e obrigado a políticas europeias devastadoras, mas dificilmente reversíveis. Acreditar numa mudança radical na Europa - onde Hollande se passeia a fazer figuras tristes - já começa a ser equivalente a acreditar nos amanhãs que cantam. A crise do euro é hoje mais profunda do que era há dois anos e não existem (os eleitorados respectivos não as aceitam) armas federais para lhe pôr cobro. Aceitar ficar no euro nestas condições, começa a ser um atentado de lesa-pátria. (Ana Sá Lopes in jornal «i» net)

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