quarta-feira, 17 de abril de 2013

EXCEL, ESTUPIDEZ E DESONESTIDADE INTELECTUAL


O estudo que serve de base aos neoliberais que andam a destruir economias na Zona Euro, de Rogoff e Reinhart, além de ter uma matriz ideológica clara, é intelectualmente desonesto e evidencia erros grosseiros. A desonestidade intelectual é óbvia na exclusão de países chave do estudo e depois, além de serem intelectualmente desonestos, Rogoff e Reinhart  são fracos a Matemática, não sabem fazer contas. Os aldrabões Rogoff e Reinhart nunca convenceram ninguém fora da sua fé ideológica. Mas agora até aparecem críticas que põem em causa a fé ideológica dos crentes na religião de Rogoff e Reinhart.

«Agora, no entanto, as críticas subiram um degrau, para o nível da completa rejeição das conclusões do estudo. Uma investigação publicada por três economistas da Universidade de Massachussets – Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin – usou exactamente a mesma base de dados usada por Rogoff e Reinhart (cedida por estes) e chegou a conclusões completamente diferentes. Em vez de um crescimento médio de 0,1%, encontraram uma variação do PIB para os países com dívida acima de 90% de 2,2%. E concluíram que a relação entre crescimento e dívida pública varia muito de acordo com a época e o país analisado.

Como é que se explicam diferenças tão significativas? Os três autores dizem ter detectado três erros no estudo de Rogoff e Reinhart. Primeiro, parecem ter ficado de fora da análise, de forma inexplicável, três casos de países com dívidas elevadas e crescimento saudável – Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Depois, os cálculos foram feitos de uma forma considerada pouco convencional que baixou a taxa de crescimento média em períodos de dívida elevada. E, por último, foi feito um erro na folha de cálculo do Excel que excluiu cinco países da análise.

Perante esta informação, vários outros economistas, principalmente os que têm sido mais críticos da política de austeridade, têm vindo a assinalar que a principal argumentação usada para justificar a imposição de austeridade para baixar a dívida o mais rapidamente possível não passa, afinal, de um erro no Excel. “Os principais culpados aqui são todas as pessoas que aproveitaram os resultados de um estudo polémico, sem saberem nada sobre esse estudo, apenas porque este dizia aquilo que queriam ouvir”, escreveu Paul Krugman, no seu blogue.» (In jornal «Público» net)

Sem comentários:

Enviar um comentário