quinta-feira, 18 de abril de 2013

ASCENSÃO E QUEDA DO IV REICH - II



«Como a Europa está a estragar a Primavera mundial»

«A grande reunião em Washington do FMI, do Banco Mundial e do G20 pôs a União Europeia e a sua “estúpida” política de austeridade no banco dos réus.
O céu está azul, as árvores começam a ter folhas verdes, as flores nascem nos campos, enfim, é a Primavera perfeita. Melhor, era. Se não fosse a velha Europa estar numa profunda crise económica, que pode voltar a provocar uma crise financeira grave e profunda com efeitos sistémicos a nível mundial. É assim que os responsáveis do Fundo Monetário Internacional descrevem o quadro actual da economia global na semana em que o mundo se reúne em Washington para a habitual reunião da Primavera do FMI, do Banco Mundial e também do G 20.

Neste ano da graça de 2013 estava quase tudo a correr na perfeição. Os países emergentes estão bem e recomendam- -se, o temido precipício orçamental nos Estados Unidos, que provocou cortes de 65 mil milhões nos gastos públicos e 750 mil despedimentos, não abalou por aí além a economia americana e a criação de empregos no sector privado, e até o Japão, que está há anos e anos a viver com a deflação, tem agora um governo que pôs em prática um grande plano capaz de ultrapassar de vez esse espinho grave na sua economia.

Está quase tudo bem. Falta o que dá pelo nome de Europa, a velha Europa, uma União Europeia e uma zona monetária com uma moeda única forte que, imagine-se, cinco anos depois do grande colapso do sistema financeiro está em recessão. A previsão da Primavera do FMI até pode ser muito optimista ao apontar para uma queda de 0,3% em 2013, com todas as economias, com excepção da Alemanha, em recessão.

E esta imensa nuvem depressiva prejudica, e de que maneira, o crescimento de todas as outras economias. Os países emergentes protestam, os Estados Unidos mostram os dentes e os asiáticos estão furiosos. O FMI prevê um crescimento de 3,3% da economia mundial. Mas este valor podia ser bem superior se a Europa não estivesse em queda. E os dedos acusadores têm todos um destinatário: a estúpida política de austeridade imposta a muitos países europeus pelos parceiros mais ricos da União Europeia. Uma austeridade que impede o crescimento e não resolve a grave questão da dívida soberana. Os alertas sobre Itália, Espanha, França e por aí adiante chegam de todo o lado e estão bem presentes nos corredores de Washington.

VOZES DE ALERTA Ainda esta semana, numa atitude pouco habitual, o conselho de editores do “New York Times” publicou um editorial em que atacava violentamente as políticas europeias. Para os editores e ex-directores do diário norte-americano, o remédio da austeridade estava a matar os doentes europeus, entre os quais estão, claro, Portugal, Espanha, Grécia, Chipre, mas também a Itália em crise política, França e agora a Eslovénia. Doentes em recessão, com dívidas públicas elevadas, défices excessivos e um desemprego galopante. A estas vozes críticas juntou-se agora uma que veio da Ásia.

ESTÚPIDA AUSTERIDADE O ministro das Finanças da Austrália disse ontem ao “Wall Street Journal” que a política de austeridade que se está a seguir na Europa “é estúpida e está a sobrecarregar a economia mundial”. As declarações de Wayne Swan foram feitas na véspera da reunião do G20 e dão o tom ao que vai sair do encontro das maiores economias mundiais.

Wayne Swan diz também que a Ásia não pode continuar a suportar o fardo da falta de crescimento das economias desenvolvidas, entravadas pela austeridade. De acordo com a OCDE, a economia do grupo dos 20 principais países mais ricos e emergentes cresceu meio por cento no quarto trimestre do ano passado. Isto em contraciclo com a Europa, que encabeça os recuos na actividade económica mundial.

O próprio FMI, que participa activamente nos programas de austeridade dos países europeus que pediram ajuda financeira, como a Irlanda, Grécia, Portugal e Chipre, critica estas medidas com grande veemência pela voz da sua directora-geral, Christine Lagarde (ver peça ao lado). Uma voz que não tem sido suficiente para mudar o pensamento da Alemanha, dona de uma Europa a uma só voz, que se mantém firme na defesa da austeridade, de um controlo orçamental rigoroso e relega para segundo plano qualquer política de crescimento económico.»
(António Ribeiro Ferreira, in jornal «i» net)


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