quarta-feira, 24 de abril de 2013

A REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL DE 1974 E OS BRANDOS COSTUMES DOS PORTUGUESES


O rei D. Carlos I suspendeu a Constituição de 1826 (mais conhecida por Carta Constitucional de 1826, outorgada pelo rei D. Pedro IV). No dia 1 de Fevereiro de 1908 o rei de Portugal D. Carlos I foi assassinado pelos republicanos, assim como o herdeiro do trono D. Luís Filipe.
Subiu ao trono D. Manuel II que repôs em vigor a Constituição de 1826 e tentou a «acalmação».
No dia 5 de Outubro de 1910 foi implantada a I República de Portugal.
O presidente da I República Sidónio Pais impôs uma Ditadura e foi assassinado pelos republicanos, em 14 de Dezembro de 1918.
O primeiro-ministro em funções na I República António Granjo foi assassinado em 20 de Outubro de 1921, por uma facção republicana. Em menos de década e meia os portugueses assassinaram um rei, um presidente da República e um primeiro-ministro. Não me parece que os portugueses sejam de brandos costumes.
Em 28 de Maio de 1926 foi imposta uma Ditadura militar, através de um golpe de Estado.
A figura central da Ditadura foi Salazar, mas é preciso não esquecer que se tratava de uma Ditadura iniciada pelos militares e apoiada sempre pelos militares.
Em 25 de Abril de 1974 a mesma instituição que iniciou a Ditadura em 1926 virou-se contra ela e a Ditadura caiu como um castelo de areia. Os militares impuseram a Ditadura em 1926, os militares decidiram acabar com ela em 25 de Abril de 1974.
A queda da Ditadura deu origem a uma revolução que assustou de tal maneira a alta burguesia, que a maior parte dos elementos desta classe fugiu para o Brasil, como António Champallimaud e a família Melo. As famílias Champalimaud e Melo eram as famílias mais poderosas da alta burguesia e as duas famílias da alta burguesia que mais apoiaram a Ditadura.
A institucionalização da III República sob a liderança política de Mário Soares socialmente optou por ser uma continuação da Ditadura de Salazar, porque como diziam os dirigentes do PS, o domínio social da alta burguesia que existia no tempo de Salazar era inevitável também na III República, era uma inevitabilidade.
Em 2013 a alta burguesia domina o Mundo, não é só Portugal.
A António Champallimaud foi dado um banco pela classe política dirigente da III República.
A III República, em termos sociais é uma continuação da Ditadura de Salazar – quem mandava na Ditadura de Salazar socialmente era a alta burguesia, quem manda na III República socialmente é a alta burguesia.
Na II República, primeiro classificada oficialmente de Ditadura e depois de Estado Novo, a alta burguesia era dona de Portugal. Na III República, em 2013, a alta burguesia é dona de Portugal.
O domínio da alta burguesia na III República tem normas que dão mais direitos aos trabalhadores, mas esse domínio da alta burguesia é esmagador como era na Ditadura de Salazar. E as patifarias que fazem aos trabalhadores na III República são muito severas.
Numa perspectiva de longa duração, sob o ponto de vista social a III República é uma continuação da Ditadura de Salazar e representa a «modernização» da alta burguesia. Os mitos associados ao 25 de Abril de 1974 são mitos, a realidade é que a alta burguesia continua no seu pedestal.
A severidade da opressão da alta burguesia sobre o resto da sociedade é tal, em 2013, que os chamados brandos costumes dos portugueses, que como vimos nunca foram brandos mas um mito, podem conduzir a «branduras» como as que aconteceram ao rei D. Carlos I, ao presidente da I República Sidónio Pais e ao primeiro-ministro da I República António Granjo.

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