segunda-feira, 4 de março de 2013

EM PORTUGAL HÁ MUITA GENTE CONTRA O GOVERNO PSD-CDS-TROIKA


Os comentadores «independentes» pró-PSD dominam as televisões generalistas e por cabo.
Já vi um programa de televisão com um exemplar «contraditório» - 4 comentadores, logo 4, mas todos adeptos do governo PSD-CDS. Já vi uma entrevista a dois economistas, mas é claro a dois economistas do PSD. O descrédito das televisões começa a ser tão grande que o PSD Pinto Balsemão permitiu, que todas as sextas feiras, à noite, o catedrático de economia Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, esteja num programa na «SIC Notícias» (por cabo).
Onde há ainda mais opiniões fora da propaganda da troika é nos jornais, como esta a seguir.

«A campanha de Itália»

«Angela Merkel deve ter dificuldade em adormecer. A realidade italiana excedeu a imaginação de um mau argumentista de quinta categoria. Não é a primeira campanha que os alemães travam em Itália. Na última vez, em 1943-45, eles foram chefiados pelo marechal Kesselring, justamente considerado como um génio das retiradas estratégicas. Desta vez, os interesses de Berlim na Itália serão defendidos por um italiano, Mario Draghi, o chefe do BCE. A questão que se poderá colocar é de uma simplicidade brutal. Os próximos dias vão provar aquilo que os mercados já receiam: a Itália estará ingovernável por muito tempo. As obrigações alemãs começarão a ser procuradas como refúgio, e muitas outras serão penalizadas (as portuguesas, também). A dívida pública italiana, a segunda maior da UE, será o alvo preferencial. Sem governo, e com as declarações desafinadas de Grillo e Berlusconi, não demorará muito para que o limiar dos 7% nas obrigações a 10 anos seja atingido (pode ser já em março). Nessa altura, o Governo de Monti, ainda em exercício, baterá à porta do BCE para que este acione o mecanismo OMT (aprovado em setembro de 2012), que implica a intervenção ilimitada do BCE no mercado secundário, em apoio das obrigações italianas. Mas para isso, responderá Draghi, é preciso que a Itália assine um memorando de entendimento, aplicando um programa de austeridade desenhado pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade. Temos aqui um imbróglio insanável. Monti já não tem legitimidade para nada. A Itália ficará sem governo por tempo indeterminado e, mesmo que o tivesse, a verdade é que quem ganhou as eleições fê-lo em luta contra a austeridade. Se a pressão dos mercados se tornar insustentável, Merkel terá de escolher entre deixar o BCE dar um cheque em branco à Itália ou correr o risco de ver Roma afundar-se no Mediterrâneo, arrastando com a sua bota as esperanças de sobrevivência da Zona Euro.» (Viriato Soromenho-Marques, in «DN» net)

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