quinta-feira, 28 de março de 2013

A ENTREVISTA DE JOSÉ SÓCRATES, ONTEM, À RTP1


Os ex-líderes do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Santana Lopes têm aparecido como comentadores, sem provocarem grande alarido. Embora Marcelo Rebelo de Sousa seja professor catedrático de Direito e José Sócrates tenha concluído a licenciatura em engenharia de modo pouco claro, parece-me que José Sócrates é mais inteligente do que Marcelo Rebelo de Sousa.
O academismo não é o único critério de avaliação da inteligência. No caso da pintura os pintores academistas são pouco valorizados, porque lhes falta uma coisa chave, que é a criatividade. Desenham muito bem, elaboram muito bem as cores e pintam muito bem. Mas isso fazem muitos ex-estudantes de pintura chineses que fazem excelentes cópias legais de obras-primas da pintura, e que são vendidas, obviamente, como cópias, mas cópias muito bem feitas.
Na cultura portuguesa há nomes relevantes, totalmente fora do academismo, como Alexandre Herculano e José Saramago que nunca frequentaram uma universidade.
Eu penso que o actual maior problema político da Humanidade é a necessidade de inventar novas ideias. Karl Marx e Friedrich Engels estudaram a Filosofia clássica alemã e a economia política britânica e inventaram novas ideias. Os iluministas do século XVIII que se dedicaram à política estudaram a Democracia grega ateniense do século V a. C., a República romana, e o Parlamentarismo inglês, mas não ficaram satisfeitos e inventaram um novo conceito de Democracia. Opuseram o conceito República ao conceito Monarquia, mas rejeitaram o conceito romano de República, e também rejeitaram a Democracia ateniense e o Parlamentarismo inglês por serem esclavagistas. Entre outros textos iluministas fundadores da Democracia contemporânea, sobressai o livro «Contrato Social» (1762) de Jean-Jacques Rousseau, em que a República é defendida contra a Monarquia, e onde se condena em absoluto qualquer ideia de Democracia e de Parlamentarismo que admitam a escravatura.
Em 2013, parece-me que a Humanidade tem que inventar um novo conceito de Democracia, em que a soberania popular, tão defendida por Jean-Jacques Rousseau, não possa ser usurpada pelas mentiras das campanhas eleitorais. No caso concreto de Portugal Passos Coelho não cumpriu o programa de governo que defendeu antes da votação que o elegeu.
Ora, sendo eu de opinião que a teoria política marxista-leninista tem um erro fundamental que é o conceito «ditadura do proletariado», conceito perigoso, que abre caminho a uma Ditadura. Sou contra todas as ditaduras, sejam da burguesia ou sejam do proletariado ou sejam lá de quem forem.
Estando Portugal e a União Europeia numa grave crise é bom que apareçam novas opiniões, mas sobretudo que apareçam opiniões contra o governo PSD-CDS-Troika e seus apoiantes mais ou menos lacaios ou beneficiários na comunicação social.
É por isso que o aparecimento de José Sócrates na RTP1 vem enriquecer a crítica à doutrina do governo PSD-CDS-Troika.
Parece-me bastante boa a análise de Baptista-Bastos à entrevista de José Sócrates à RTP1 que transcrevo, parcialmente, a seguir.

«O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada "independência", foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de "desincorporação" que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo.» (Baptista-Bastos in «Diário de Notícias» net)

1 comentário:

  1. Caro José Freitas

    Há, desculpe-me, uma confusão em si que estranho. É sobre o conceito de ditadura. Nos tempos modernos ou vivemos sob a ditadura da burguesia (a chamada democracia ocidental) ou sob a ditadura TERRORISTA da burguesia (o fascismo) ou sob a ditadura do proletariado (democracia popular ou democracia socialista). São conceitos científicos. Estranho que a eles não tenha acedido. Resumindo, o José Freitas ou opta pela democracia burguesa ou pela democracia socialista. Não as pode recusar lá porque têm, cientificamente, o nome de ditaduras. Não pode ficar eternamente em cima do muro em equilibro instável.
    Aceite os meus cumprimentos.

    João Pedro

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