quarta-feira, 20 de março de 2013

A CRISE DE CHIPRE E A CRISE DA UNIÃO EUROPEIA


A crise da ilha de Chipre veio mostrar, clarissimamente, que a União Europeia atravessa uma crise muito grave.
A Alemanha lidera esta União Europeia à beira do abismo, depois da traição de François Hollande, um novo Pétain. Mas A Alemanha é muito boa a destruir a Europa e a perder guerras. Esta Guerra do Euro está numa fase que faz lembrar o início da I Guerra Mundial e da II Guerra Mundial – a Alemanha está a ganhar. Mas em 1918 a Alemanha capitulou e em 1945 capitulou outra vez.


«Quem quer acabar com a Europa?»

«O plano de resgate ao Chipre trouxe uma mensagem com estrondo para o mundo: a pouca solidariedade que ainda havia na Europa acabou. Só isso justifica que os líderes europeus tenham desenhado um plano que coloca em questão tudo o que os cidadãos por essa Europa fora davam como garantido para resolverem um problema de 17 mil milhões de euros - menos de 0,5% do produto da zona euro.

Este plano tem o mérito de mostrar que a criatividade dos líderes europeus está intacta - já estávamos aborrecidos da mesma receita de sempre de aumentar impostos, privatizar empresas, despedir funcionários públicos. Mas encerra no mesmo ponto que tem levado a Europa a arrastar uma crise desde que a Grécia falhou as contas : a fúria moralizadora do "norte" em relação ao resto da Europa.

É este desejo de moralização que está patente no resgate ao Chipre. O país é uma praça com contornos "peculiares", com um sector financeiro insuflado, ponto de passagem de muito dinheiro russo, e na lógica de Bruxelas (e de Berlim), a estratégia foi : então os russos que resgatem o Chipre. Atacando os depósitos, muitos deles de dinheiro russo, era esse o objectivo, a que se juntava o acabar com a noção do Chipre enquanto paraíso fiscal.

Há é sempre o chamado dano colateral, que neste caso era o dinheiro dos cidadãos cipriotas, a quebra de confiança de outros cidadãos na banca europeia e um tiro no projecto da União Bancária. Pormenores que devem ter escapado à atenção nos corredores de Bruxelas.

E o que resulta daqui? Mais um país que vê que a Europa lhe virou as costas e que sente que o empréstimo que vai receber não é de um parceiro na União mas sim de um agiota. E o sentimento anti-euro cresce. Cresce no Chipre, tal como cresce na Grécia, onde o país continua a sofrer os efeitos de uma austeridade prolongada, como cresce em Itália, onde os eleitores preferem votar em Berlusconi do que aceitar os candidatos pró-euro. Como provavelmente crescerá em Portugal, onde depois da conferência de imprensa do que resta do ministro das Finanças os cidadãos estarão cada vez mais descrentes em relação à bondade das receitas definidas pela Europa.

Impávidos e serenos perante os resultados desastrosos desta conjugação de austeridade em cima de austeridade, os políticos do Norte da Europa continuam a revelar a sua pequenez, preocupados apenas com as justificações que têm de dar ao eleitorado em relação ao apoio financeiro a outros países.

E assim, de ‘bailout' falhado em ‘bailout' falhado, vão dando o sinal de que acham que o projecto europeu terá ido longe de mais, e que o grande objectivo é manter apenas uma zona comercial.

Jean Monnet, um dos arquitectos da agora União Europeia, dizia que não havia outro futuro para os europeus que não fosse o da união. Os actuais líderes estão dispostos a provar que estava errado.» (Rúben Bicho in «Jornal de Negócios» net)

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