quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

VERDADES INCONVENIENTES SOBRE A PRÁTICA POLÍTICA III


«A Internacional Socialista está em crise profunda porque os partidos que dela fazem parte cortaram as suas raízes históricas, abdicaram de ter um pensamento próprio, autónomo, original, e julgaram erradamente que se renovavam catrapiscando ideias e propostas dos seus adversários da direita neoliberal e neoconservadora. Os resultados estão à vista.» (Alfredo Barroso, ex-governante socialista, em texto divulgado no jornal «Público»)

Para a análise do marxismo-leninismo na teoria e na prática o método objectivo é a análise da ascensão (Outubro de 1917) e queda do regime comunista na Rússia/União Soviética. A Rússia foi transformada na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ou União Soviética simplificando) em 1922 por Lenine. A URSS ou União Soviética implodiu em 1991.
A obra mais complexa de Marx é «O Capital».


Livro 1 - o processo de produção do capital 1867
Único dos Livros publicado em vida por Marx beneficiou de melhorias entre edições, acréscimos de posfácios do próprio autor e lançamentos das versões Alemã, Inglesa, Russa e Francesa (ligeiramente distintas, sendo a 4° edição Alemã de 1893 considerada a versão definitiva devido às correcções de Engels e Eleanor Marx e por isso usada para a tradução para outras línguas).
Livro 2 - o processo de circulação do capital 1885
Publicado depois da morte de Marx, ficando a edição a cargo de Engels. A diferença no estilo dos Livros 2° e 3° em relação ao 1° faz com que alguns atribuam a sua autoria a Engels. Engels, no túmulo de Marx, disse que Darwin mostrou a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, e Marx a da natureza humana.
Livro 3 - o processo global da produção capitalista 1894
Com a publicação desse 3° Volume Engels termina a tarefa de tornar pública a teoria económica de Marx sobre o conjunto do sistema capitalista. Em algumas partes ele relata que teve de preencher as lacunas como um co-autor, mas que identificou os tais acréscimos para que não houvesse dúvidas quanto ao que Marx queria dizer. O problema da transformação refere-se à relação entre valor e preço e estende-se pelos três livros de O Capital. O debate tornou-se um dos pontos mais discutidos na economia marxista e uma solução definitiva para o problema ainda não foi encontrada, apesar dos significativos avanços ao longo do século XX sobre a questão.
Livro 4 - Teorias da mais-valia 1905
Karl Kautsky, após a morte de Engels publica o 4° Livro, comentários de Marx a outros autores de Economia Política. O Livro 4 é o menos conhecido justamente por ter sido publicado após a explanação da teoria económica marxista por Marx e Engels. Acrescente a isso o agravante de Kautsky ter optado por publicar invertendo o título e subtítulo: «Teorias da Mais-Valia - A história crítica do pensamento económico (Livro 4 de O Capital)».
Inclui considerações sobre outras teorias do valor e de fontes que podem ter sido inspiração para as críticas dos antagonismos de classe
Capítulo VI inédito de O Capital
Excluído por Marx do plano de publicar junto com o Livro 1, é estudado actualmente por conter notas de transição do Livro 1 e Livro 2 (depois que a mercadoria é produzida, ela tem de circular).

Em síntese, o marxismo defende a nacionalização das empresas ou colectivismo e a ditadura do proletariado como regime provisório para chegar a uma sociedade sem classes.

Ao colectivismo marxista, Lenine foi buscar a forma política e económica da sua fase provisória: a ditadura do proletariado, que na prática, se tornou na ditadura da classe política. O objectivo desta ditadura seria a preparação da futura sociedade, que seria o comunismo integral ou uma sociedade sem classes. Nesta fase, o regime económico foi o colectivismo autoritário e centralizado, tendo todos os meios de produção nacionalizados. Foi Estaline quem pôs em prática o colectivismo total. Uma nova etapa deveria conduzir ao comunismo integral, a «fase definitiva e superior da sociedade comunista», segundo Lenine.
Esta nova sociedade seria caracterizada pela máxima liberdade possível, sem constrangimentos financeiros, isto é, acabaria a miséria e a pobreza e todos teriam uma boa situação financeira. Na fábrica livre «cada um produziria de acordo com sua capacidade» e a repartição da produção seria feita «de acordo com as necessidades de cada um».

O resultado não foi o esperado, desta experiência resultou, na prática, a queda do regime comunista na Rússia, substituído por um capitalismo de base feudal, visto que as empresas foram doadas, na prática, aos amigos dos políticos no poder.

Contrariamente ao que muitos marxistas dizem não foram erros e abusos que conduziram à implosão do regime comunista na Rússia e na União Soviética, mas a teoria marxista-leninista em si. A prática demonstrou que tem que ser profundamente reformulada a teoria marxista-leninista, na minha opinião, excluindo para sempre a ditadura do proletariado ou outra ditadura qualquer e excluindo também a nacionalização de todas as empresas.

Mas não chegámos a «o fim da História». Há necessidade de inventar novas teorias que possibilitem a diminuição progressiva das desigualdades sociais.

Paralelamente à implosão do marxismo-leninismo na Rússia houve uma muito acentuada viragem à Direita dos partidos da chamada «Internacional Socialista».


A IMPLOSÃO DO PARTIDO COMUNISTA ITALIANO (PCI) DEU ORIGEM, INDIRECTAMENTE, À ASCENSÃO DO COMEDIANTE BEPPE GRILLO EM 2013

A implosão do marxismo-leninismo na Rússia deu origem à implosão de muitos partidos comunistas. O maior partido comunista da Europa Ocidental era o Partido Comunista Italiano que implodiu e deu origem a um partido muito parecido com os partidos da chamada «Internacional Socialista» (chamados de socialistas democráticos ou de sociais-democratas como o SPD). Em 1991, o PCI implodiu, dando origem ao Partito Democratico della Sinistra (PDS, Partido Democrático da Esquerda, que mais tarde passou a ser designado por Democratici di Sinistra, DS, Democratas de Esquerda), ao Partito della Rifondazione Comunista (PRC, Partido da Refundação Comunista) e ao Partito dei Comunisti Italiani (PdCI, Partido dos Comunistas Italianos).
O Partido Democrático (em italiano: Partito Democratico, PD) é um partido político de centro-esquerda da Itália fundado em 14 de Outubro de 2007 a partir da fusão de diversos partidos do Centro e da Esquerda que fizeram parte da coligação eleitoral L'Unione nas eleições de 2006. Vários partidos deram origem ao PD, mas grande parte dos seus membros integrava o Partido Democratas de Esquerda, em síntese o principal partido que resultou da implosão do Partido Comunista Italiano, em 2013, é o Partido Democrata.
Esta viragem muito acentuada à Direita do que era o PCI, criou um grande vazio teórico e uma grande desorientação teórica. Neste contexto houve uma ascensão do voto de protesto no partido do comediante Beppe Grillo, nas eleições de Fevereiro de 2013.

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