sábado, 23 de fevereiro de 2013

VERDADES INCONVENIENTES SOBRE A PRÁTICA POLÍTICA I


«A Internacional Socialista está em crise profunda porque os partidos que dela fazem parte cortaram as suas raízes históricas, abdicaram de ter um pensamento próprio, autónomo, original, e julgaram erradamente que se renovavam catrapiscando ideias e propostas dos seus adversários da direita neoliberal e neoconservadora. Os resultados estão à vista.» (Alfredo Barroso, ex-governante socialista, em texto divulgado no jornal «Público»)

No blog «Aspirina B», afecto à chamada «Internacional Socialista» li um texto escatológico, que acabava a atacar, violentamente, o PCP e o Bloco de Esquerda, os dois partidos do actual Parlamento de Portugal à esquerda do PS. Quero referir que juntamente com o PCP concorre o chamado Partido Ecologista Os Verdes, que também tem representação parlamentar. Esse texto tem por título «É a democracia, estúpido», e é datado de 22 de Fevereiro de 2012.
Uma das ideias expostas no texto, divulgado também neste blog, é a de que chegámos a «o fim da História». Se chegámos a «o fim da História», quer isto dizer que a evolução da espécie humana acabou e o conceito de democracia do blog «Aspirina B» será o melhor conceito político daqui por 100 anos, daqui por mil anos ou daqui por 10 mil anos, se a espécie humana continuar a existir nesses futuros longínquos.
Vamos então analisar o conceito Democracia. Sem dúvida nenhuma, a Democracia grega ateniense do século V a.C. foi uma invenção extraordinária da espécie humana. Foi extraordinária essa invenção no século V a.C.. Mas, em 2013, uma Democracia igual à de Atenas do século V a.C. seria um regime monstruoso, inaceitável, especialmente porque defendia e praticava a escravatura.
Considerando que a escravatura se manteve legal ainda na segunda metade do século XIX, podemos considerar que o conceito de Democracia de Atenas do Século V a.C., se manteve aceitável até perto do final do século XIX.

«Fica abolido o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa, desde o dia da publicação do presente decreto.

Todos os indivíduos dos dois sexos, sem excepção alguma, que no mencionado dia se acharem na condição de escravos, passarão à de libertos e gozarão de todos os direitos e ficarão sujeitos a todos o deveres concedidos e impostos aos libertos pelo decreto de 19 de Dezembro de 1854.»

D. Luís I, Diário do Governo, 27 de Fevereiro de 1869»

Os iluministas mais avançados do século XVIII, que se dedicaram à teoria política, defenderam a abolição da escravatura, como o republicano franco-suíço Jean-Jaques Rousseau (1712-1778), nomeadamente no livro «O Contrato Social» (1762), que foi a obra base da extrema-esquerda francesa, que implantou a I República da França em 1792 e que aboliu a escravatura na França e em todas as colónias francesas em 3 de Fevereiro de 1794.
Ora, como vimos, para Jean-Jacques Rousseau e para a I República francesa, a escravatura já era inaceitável no século XVIII, e por conseguinte o conceito de Democracia grega de Atenas do século V a.C..
Foi com Jean-Jacques Rousseau e com outros iluministas como ele que nasceu o conceito contemporâneo de Democracia, que rejeitava em absoluto a teoria e a prática da Democracia grega de Atenas esclavagista, o Parlamentarismo da Inglaterra também esclavagista, e a Democracia dos Estados Unidos também esclavagista.
Este conceito de Democracia de Jean-Jacques Rousseau aparece associado ao conceito Direitos Humanos.
Sabemos que a Revolução Francesa de 1789-1799 foi uma revolução falhada, no curto prazo.
A ideia de Direitos Humanos de Rousseau foi desenvolvida pelos socialistas utópicos e deu origem ao conceito Direitos Humanos Sociais.
Ainda a escravatura vigorava no Mundo quando Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) publicaram o «Manifesto do Partido Comunista» em 1848.



Para Marx e Engels a questão da escravatura era uma questão mais que arrumada no plano teórico (embora vigorasse na prática) e debruçaram-se sobre todas as desigualdades sociais.
Ora, as desigualdades sociais que tanto preocupavam Karl Marx e Friedrich Engels vigoram hoje em Portugal, em 2013, e estão sem solução à vista, estão cada dia que passa a agravar-se. (Este artigo continua, neste blog)

1 comentário:

  1. Procuro informações sobre o naufrágio do navio Bolama ocorrido a 4 de Dezembro de 1991. Investigação jornalistica. Ver Blog: naviobolama.blogspot.pt

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