sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

TGV, PORTUGAL E O INVESTIMENTO


As primeiras estradas que houve no território de Portugal continental, entre o Rio Minho (a Norte) e a costa atlântica do continente europeu Sul, foram construídas durante o Império Romano e o pavimento era de pedra.


(Estrada romana no século XXI, «Via Apia» na Itália)

Nesta época as actuais regiões autónomas dos Açores e da Madeira eram dois arquipélagos do Atlântico desconhecidos e sem qualquer presença da espécie humana.
Toda a Península Ibérica era a «Hispania» do Império Romano, cheia de estradas de piso de pedra e de pontes.
As invasões bárbaras e a queda do Império Romano do Ocidente no século V (476) deram origem à acentuada degradação das estradas romanas.
Portugal nasce na Idade Média (séc V-XV), no século XII, tornando-se juridicamente independente em 1179, através do documento papal chamado de bula «Manifestis Probatum».
Ora, no território português as estradas romanas foram substituídas por caminhos de terra batida. Algumas pontes romanas, em pedra, aguentaram-se, algumas em 2013 ainda estão de serviço, outras caíram devido à acção conjugada de terramotos e de grandes cheias, e foram substituídas por pontes semelhantes em pedra.
Estradas de grande extensão no sentido rigoroso do termo só voltou a haver no território português no século XIX, durante a chamada Revolução Industrial. No entanto os grandes investimentos da monarquia constitucional foram nos caminhos-de-ferro. Não foi só assentar carris, foi preciso fazer muitos túneis e pontes. Das obras mais caras da monarquia constitucional, no século XIX, destacam-se o túnel do Rossio, em Lisboa, com duas linhas e a ponte metálica D. Maria II no Porto, para os comboios. Há ainda a acrescentar a ponte metálica D. Luís I no Porto para peões, cavaleiros, coches, carruagens e carroças, porque ainda não havia automóveis, esta ponte ainda está ao serviço.
Portugal mudou muito, para muito melhor. Mas tudo isto teve custos. Ora os custos destas grandes obras públicas acabaram por levar o Estado português à bancarrota na década de 1890. Durante a I República (1910-1926) e durante a Ditadura de Salazar-Marcelo Caetano (1926-1974), no essencial, foi aperfeiçoado e aumentado o plano de obras públicas da monarquia constitucional no domínio dos transportes. Durante a Ditadura a obra mais emblemática no domínio dos transportes foi a construção da ponte sobre o rio Tejo ligando Lisboa à margem Sul, apenas para veículos automóveis, actualmente chamada de ponte 25 de Abril. Foram construídos pequenos lanços de auto-estradas.
A primeira revolução nos transportes, no actual território de Portugal continental, foi a construção de estradas durante o Império Romano, a segunda foi a da monarquia constitucional no século XIX, continuada e desenvolvida pela I República e pela Ditadura de Salazar-Marcelo Caetano.
A terceira revolução nos transportes, no território de Portugal, foi realizada pela III República (1974-2013). A monarquia constitucional apostou nos caminhos-de-ferro e a III República apostou nas auto-estradas.
Os caminhos-de-ferro portugueses, no essencial, em 2013, estão ainda na revolução dos transportes da monarquia constitucional, com actualizações.
Em 2013 a revolução nos caminhos-de-ferro tem dois aspectos – o TGV (Train à Grande Vitesse, em francês) e o Maglev, que na linha de Xangai ultrapassa os 400 Km/hora, levitando por cima da plataforma 10 mm.



Há estudos para aumentar a altura da levitação para 15 mm e para 19 mm, nesta tecnologia da levitação magnética.
Em testes, o record de velocidade do TGV é de 574,8 Km/hora.
Em 2013 a tecnologia TGV parece ser a mais barata.



Acho que não tem muito interesse estar a especificar as siglas da tecnologia TGV na Espanha, na Alemanha, na Rússia ou na China.
Os engenheiros russos fizeram uma plataforma para o TGV Moscovo – S. Petersburgo e programaram-na para 250 Km/hora. No entanto, se a tivessem programado para 350 km/hora, penso que não teriam gasto muito mais dinheiro e a viagem seria bastante mais rápida.
A China escolheu a tecnologia TGV para a maior linha ferroviária de alta velocidade do mundo, com 2.298 quilómetros, que une as cidades de Pequim e Cantão, no Sul do país. Começou a funcionar, comercialmente, em Dezembro de 2012. A plataforma está preparada para velocidades superiores a 300 Km/hora. A velocidade média da viagem é de 300 km/hora, o que implica velocidades parciais superiores a 300 Km/hora.
Ora, com a ajuda da União Europeia, Portugal poderia entrar na revolução dos transportes ferroviários de finais do século XX e começos do século XXI, com uma ligação TGV Lisboa, Poceirão, Caia – Madrid e com a ligação Sines-Poceirão-Caia – Madrid. A partir de Madrid as linhas TGV espanholas (ou AVE, Alta Velocidade Espanhola) já têm ligação à França.
José Sócrates queria fazer primeiro a ligação Lisboa-Madrid para desenvolver o turismo e a ligação ao porto de Sines seria depois.
Com um discurso anti-progresso e anti-investimento Passos Coelho disse que TGV «nunca». Pouco tempo depois o governo PSD-CDS já anda a falar no apoio da União Europeia para uma linha TGV porto de Sines – Madrid. Com os problemas financeiros que Portugal tem, é óbvio que uma linha TGV Sines – Madrid ou mais especificamente Sines, Poceirão, Caia – Madrid, só é possível com uma muito significativa ajuda da União Europeia.

Sem comentários:

Enviar um comentário