sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PODER E IDEOLOGIA


Na civilização europeia há três generais (ou comandante militares) que toda a gente, minimamente instruída, conhece – Alexandre Magno (356 a.C. – 323 a.C.), Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.) e Napoleão Bonaparte (1769 – 1821).
Alexandre Magno (ou Alexandre o Grande) começou por ser rei da Macedónia, totalmente conquistado pela cultura grega, venceu o Império Persa (que já tinha tentado mais que uma vez, sem sucesso, conquistar a Grécia) e construiu o seu próprio império, baseado na cultura grega.



Júlio César foi um produto da República Romana – de origem nobre tornou-se no general mais talentoso da República Romana e conquistou a Gália, que corresponde mais ou menos ao território da França actual. Ficou célebre a sua frase «Cheguei, vi e venci» na língua original (latim) «Veni, vidi, vici». Foi a República Romana que fez dele um homem poderoso e ele tentou acabar com a República. Pagou com a vida a traição à República, foi assassinado pelos republicanos.
O mais poderoso general Romano foi o invencível imperador Trajano (53 – 117), nascido no território da actual Espanha, mas menos valorizado que Júlio César devido à superioridade militar de que dispunha no seu tempo, 



quando levou o Império Romano à sua máxima extensão.
Napoleão Bonaparte foi um produto da Revolução Francesa de 1789 – 1799. Apoiante da I República, implantada pela extrema-esquerda que executou o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, subiu a pulso no exército até ser considerado o melhor general da Revolução. Admirador de Alexandre o Grande e de Júlio César, Napoleão Bonaparte tinha uma ambição sem limites. Comparando os três, muitos historiadores valorizam mais o sucesso pessoal de Napoleão Bonaparte, porque partiu de uma situação mais baixa, mais difícil. Alexandre começou por ser rei da Macedónia e Júlio César pertencia à alta nobreza romana.
Em 1799 Napoleão Bonaparte sentiu-se suficientemente forte para pôr fim à Revolução Francesa iniciada em 1789. Muito instruído, Napoleão conhecia a sorte de Júlio César, que depois de ter tomado o poder foi assassinado por traição à República Romana. Napoleão acabou com a Revolução mas adoptou aspectos fundamentais do programa da Revolução como o Código Civil que instituía a igualdade de todos os cidadãos perante a Lei (até ficou conhecido por Código Napoleónico), a ruptura total com todos os vestígios do Feudalismo e procedeu à criação de um Sistema Público de Ensino articulado em Primário, Liceal (ou Secundário) e Universitário, para que, teoricamente, todos os jovens com talento e esforçados, mesmo pobres, pudessem subir socialmente através dos estudos, aspecto reclamado por praticamente todos os iluministas franceses do século XVIII, quase todos falecidos antes de 1789. Napoleão regrediu na questão da escravatura que havia sido proibida na França e em todas as colónias francesas pela extrema-esquerda republicana liderada por Maximilien de Robespierre (em 1794) ao restaurar a escravatura nas colónias.
Napoleão Bonaparte tornou-se o primeiro imperador da França, mas sem esquecer o voto popular, através de um referendo em 1804, em que obteve mais de 50% dos votos.
As monarquias europeias odiavam Napoleão Bonaparte e este viu-se na necessidade de se defender militarmente. Os seus sucessos militares foram de tal maneira excepcionais



que Napoleão Bonaparte reuniu um grande exército para conquistar Moscovo. Conseguiu conquistar Moscovo, mas a Rússia é gigantesca e o exército russo tinha grandes espaços para recuar. Conquistar Moscovo não foi conquistar a Rússia e quando Napoleão percebeu isso já era demasiado tarde. Ordenou a retirada de Moscovo e acabou por ser derrotado pela táctica da terra queimada do exército russo, que não hesitou em incendiar Moscovo, pelo violento Inverno russo e pela táctica de guerrilha do exército russo.
Tolstoi no livro «Guerra e Paz» (1869) aborda este tema, enquadrando a ficção em factos reais, numa das obras-primas da Literatura europeia e universal.
Napoleão foi derrotado e os camponeses russos continuaram a viver na servidão da gleba, uma situação feudal muito semelhante à escravatura.
Fora da Europa é também muito conhecido o Império Mongol de Gengis Khan (1162-1227)



pela sua extraordinária extensão.
Alexandre o Grande, Júlio César e Gengis Khan tinham objectivos de conquista imperial para aumentarem os espaços dominados pelas respectivas civilizações.
Napoleão Bonaparte é algo mais que isso. Embora com uma ambição pessoal sem limites como Alexandre o Grande, Júlio César e Gengis Khan, Napoleão Bonaparte transportava consigo uma nova ideologia, que embora deturpada, tinha na sua essência aspectos que mudaram o Mundo. A ideia de Código Civil tornou-se em 2013 quase universal e a ideia de criar um Sistema Público de Ensino articulado em Primário, Liceal (ou Secundário) e Universitário, como meio de instrução e ascensão social tornou-se em 2013 também quase universal.
Em 2013 a ideia de ascensão pessoal imperial desapareceu e foi substituída pela ideia de ascensão social de uma classe social muito rica e muito pequena que é a alta burguesia (entre 2 e 5% da população conforme os países).

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