sábado, 16 de fevereiro de 2013

OS EQUÍVOCOS DE QUEM LÊ, REGULARMENTE, O JORNAL «EXPRESSO»


Quando li o blog «Ladrões de Bicicletas», que é considerado um blog de Esquerda (nomeadamente por mim), fiquei admirado por considerarem um semanário de Direita, do PSD Pinto Balsemão, «o semanário de referência português, o Expresso».
Certamente que ninguém do blog «Ladrões de Bicicletas» teve tempo para ler o livro «Cette nuit la liberté» ou uma tradução e compará-lo com o livro «Equador» de Miguel Sousa Tavares.
O jornal «Expresso» sempre foi alinhado com a Direita.


«Vergonha e desfaçatez no Expresso»

«O semanário de referência português, o Expresso, publicou ontem uma notícia em linha com o seguinte título:  "Sindicatos franceses querem transferir a produção de Cacia". Lemos o título e lamentamos a miopia dos trabalhadores franceses face aos seus camaradas portugueses. A caixa de comentários enche-se de chorrilhos anti-franceses e anti-CGTP.

Entretanto, lemos a notícia e a coisa fica mais clara. A fonte da notícia não é qualquer sindicato francês (as chamadas para França devem estar muito caras), mas sim um director de comunicação da Renault em Portugal. E, na verdade, nada é dito sobre reivindicações dos sindicatos franceses. Simplesmente a notícia é a das negociações entre Renault e sindicatos não se percebendo qual a origem da proposta sobre transferência de produção. O título é, por isso, enganador.

Fui ao sítio de Internet da CGT-Renault em França e descobri este comunicado  de dia 12 de Fevereiro sobre as negociações. Relativamente à deslocalização da produção de Cacia encontramos isto: "Para Cléon, a direcção anuncia o fabrico de 60 000 caixas de velocidade J suplementares até 2016, caixas estas fabricadas actualmente na fábrica de Cacia em Portugal. Comentário da CGT: A concorrência entre localizações nunca fez nada de positivo pelo projecto industrial".

Vergonha. Espero que a notícia seja retirada quanto antes e que os trabalhadores da Renault em Portugal não se deixem enganar.» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)


«EXPRESSO» – 40 ANOS - A FAZER PUBLICIDADE SEMANAL DO PENSAMENTO DA DIREITA PORTUGUESA

«Expresso o jornal que faz opinião»

Reflictam um pouco sobre o tipo de opinião que o jornal «Expresso» tenta fazer.

«Pensem bem

Nunca vi o Expresso defender uma causa com tanto zelo.

Ontem, a manchete proclamava”Durão 1- RTP 0” e, por baixo, zunia – em grande destaque – a seguinte ementa:
“Indemnização de Rangel é de 147 mil contos” (...por azar?) “ilíquidos”, “SIC processa antigo director geral”, “Carrilho pede intervenção do Presidente da República” e “O PS reforma Arons de Carvalho”.

Também na primeira página vinha um editorial – “O fim do saque à RTP?” – em que se “aplaudia o governo e se recomendava silêncio e “pudor” à oposição.

Na quarta página, Fernando Madrinha apoiava a política de Morais Sarmento e, de caminho, ia lamentando que desde quinta-feira o Telejornal abrisse com as manifestações dos trabalhadores da casa, seguindo uma orientação “guerrilheira e umbiguista”.

Na página seis, com a história do despedimento da administração da RTP (informada e neutra), aparecia o interessante currículo de um dos sucessores, Luís Marques, o “único com carreira nacomunicação social, jornalista, actual colunista do Expresso” e “ex-subdirector de Informação da SIC, de onde saiu há um ano, por discordâncias com Rangel”.

Na página sete, continuava a dança, com três notícias triunfais: “Rangel pode ficar sem nada”; Rangel não conseguiu aumentar a audiência da RTP 1; e o Tribunal de Contas condena a gestão da televisão do Estado.

Na habitual coluna do “sobe e desce”, Morais Sarmento estava evidentemente no “alto”, com suaves louvores, e Rangel no “baixo”, com uma descompostura em forma,

como, de resto João Carlos Silva no “sobe e desce” do 2º caderno.

Na página 13, Henrique Monteiro exigia o fim da publicidade na RTP.

Na página 28, um segundo editorial tornava a defender a política de Morais Sarmento.


E, na última, caso alguém não tivesse ainda percebido, José António Lima repetia o sermão.

Que dizer disto?...»

(Vasco Pulido Valente in «Diário de Notícias»)

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