quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

INDIGNAÇÃO CONTRA OS INDIGNADOS


Estava a ouvir o ex-ministro do PS Augusto Santos Silva na «TVI 24» que me parecia meio em estado de choque de indignação contra os indignados. Em estado de choque ando eu pelo que já paguei pelo desfalque de 7 mil milhões de euros no banco BPN, porque José Sócrates nacionalizou os prejuízos do famigerado banco, então governado por uma quadrilha. Pensei que  ia ouvir Augusto Santos Silva dizer que José Sócrates cometeu um erro muito grave ao nacionalizar os prejuízos do banco BPN que eu estou a pagar, contrariado, como muitos portugueses como eu.
Augusto Santos Silva estava a defender os poderosos do momento que têm liberdade de expressão nas televisões, sempre que lhes apetece. Refiro-me aos poderosos do momento, porque estão no poder sobre o fio da navalha, à espera da queda iminente.
Pensei que tinha sido eu o único indignado com a indignação de Augusto Sanos Silva. Mas parece que Augusto Santos Silva surpreendeu mais pessoas pela negativa.
«Tomei conhecimento do duplo incidente com o ministro Relvas através de uma entrevista televisiva ao ex-ministro socialista Augusto Santos Silva. A indignação deste era tanta, por causa dos maus tratos de que o primeiro teria sido vítima, que julguei ter ocorrido uma nova "Noite Sangrenta" em Lisboa. Pensei que Relvas tinha sido metido numa camioneta, tal como António Granjo, Machado Santos e outros infelizes, assassinados na noite de 19 de outubro de 1921 por marinheiros revoltados. Felizmente, a III República não tem imitado, até agora, a cultura de violência da I. Nos tempos de abundância, Relvas seria uma figura de comédia. Os governados sempre gostaram de encarar alguns governantes com sarcasmo. Mas estes são tempos de escassez e tragédia. Convidar um homem que nunca escreveu uma linha digna de memória futura, e que só diz trivialidades, para uma conferência no Clube dos Pensadores (!) ou esperar que ele possa encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social, quando a sua tarefa principal no Governo é a de lotear a rádio e televisão públicas, parecem-me dois gestos insensatos. Ficar condoído com o silêncio forçado de Relvas, e esquecer as vozes inteligentes que a sua ação tem afastado do serviço público de comunicação social, parece-me tão despropositado como acusar a poesia erótica de Bocage de pôr em causa as liberdades fundamentais do intendente Pina Manique. Em Berlim, um ministro que plagia uma tese sai do governo em menos de 24 horas. Em Lisboa, um homem cuja vida é um perpétuo faz-de-conta, esgota a agenda política. Só o primeiro-ministro não percebeu, ainda, que o caso Relvas não é uma questão de direitos constitucionais, mas um assunto de higiene pública. Contamina a pouca autoridade do Governo e mina o moral que resta ao País.» (Viriato Soromenho-Marques in «DN» net)

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