sábado, 9 de fevereiro de 2013

FRACOS A MATEMÁTICA? OU DIVULGAÇÃO DE NÚMEROS ENGANADORES?


Nunca me passou pela cabeça que havia países da União Europeia a dar dinheiro a outros.
De facto, isso não acontece. Há países que ganham muitíssimo mais dinheiro que outros com a União Europeia. Há países que através das suas exportações para o mercado único da União Europeia ganham mesmo muito dinheiro. Um exemplo é a Alemanha – faz grandes negócios de exportação para o mercado único da União Europeia, e pelo facto de estar na Zona Euro, faz ainda melhores negócios com as exportações para a Zona Euro. A contabilização destes ganhos com as exportações não é apenas das exportações em si, mas também há os ganhos do fortalecimento das empresas, que assim podem pagar melhor aos trabalhadores e admitem mais pessoal, e não despedem, diminuindo assim o desemprego. A diminuição do desemprego em si provoca um aumento das receitas do Estado, porque há mais pessoas a pagar impostos e, obviamente, há poupanças na Segurança Social, porque havendo menos desempregados há menos subsídios de desemprego a pagar. Por outro lado a qualidade salarial dos empregos dos trabalhadores dinamiza o mercado interno, favorecendo o aparecimento de novas empresas, mesmo que algumas trabalhem só para o mercado interno, e impede as falências por falta de consumidores.
A contribuição da Alemanha para o Orçamento da União Europeia é uma muito pequena parte dos lucros directos e indirectos qua a Alemanha consegue, no mercado de toda a União Europeia.
Por vezes nos «média» tradicionais surgem artigos de opinião que focam este aspecto.

«Num célebre Conselho Europeu de fevereiro de 1988 foram definidas as regras atuais do orçamento comunitário. As mais importantes são duas: a) esse orçamento tem como limite máximo 1,27% do PIB da União Europeia (hoje fica-se em torno de 1%); b) o orçamento é gerado por complicadas contribuições nacionais e não incidindo diretamente sobre os cidadãos (IRS) e as empresas (IRC). Está em vigor uma máquina perversa e enganadora que divide os países em beneficiários (Portugal situa-se neste grupo) e contribuintes líquidos (a Alemanha e o pequeno clube dos países triplo A). Este mecanismo é perverso, porque afeta o princípio da igualdade dos Estados, estabelecendo uma hierarquia entre os que dão e os que estendem a mão. E é enganador porque cria a ilusão de que os benefícios reais que os países usufruem com a presença na UE têm uma relação essencial com o orçamento. Na verdade, os países contribuintes líquidos recebem muito mais do que dão para o orçamento, através do simples funcionamento do mercado interno e da existência da moeda única. Hoje, se a política estivesse à altura dos desafios que a Europa enfrenta, não estaríamos a assistir à redução de um orçamento comum, já de si ridículo. Estaríamos a discutir a necessidade de aumentar substancialmente o orçamento europeu, para permitir que ele alimentasse políticas de desenvolvimento comum, em contraciclo com a austeridade reinante nos orçamentos nacionais. E estaríamos a tornar o orçamento mais transparente para os cidadãos, criando uma taxa universal comum do IRS e do IRC, para acabar de vez com a chantagem dos "contribuintes líquidos". Mas os pequenos políticos que nos governam insistem em construir uma Europa pequena, à sua altura. Por este caminho, ela será tão pequena que até eles não caberão nela.»
(Viriato Soromenho-Marques in «DN» net)

Sem comentários:

Enviar um comentário