terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PORTUGAL – RETROCESSO CIVILIZACIONAL «PARA ALÉM DA TROIKA»



Portugal está em plena contra-revolução, socialmente dirigida pela alta-burguesia, e politicamente dirigida pelos capatazes da alta burguesia Passos Coelho, Cavaco Silva, Vítor Gaspar, Dr. Miguel Relvas e Paulo Portas.
Na Quinta-Feira Negra, em 29 de Outubro, começou a crise de 1929, com o colapso da Bolsa de Nova Iorque. Esta crise de 1929 deu origem a uma Grande Depressão, que durou, pelo menos, 10 anos, havendo autores que consideram que durou 12 anos. A crise de 1929 afectou a economia mundial, mas teve sempre o seu centro onde começou, nos Estados Unidos.
A crise de 2008 começou nos Estados Unidos, tal como a de 1929, mas o seu centro deslocou-se dos Estados Unidos para a Zona Euro. Em 2012 e 2013 o centro da crise, iniciada em 2008 nos Estados Unidos, está, claramente, na Zona Euro.
A crise de 2008 foi desencadeada pela falência do banco de investimento dos Estados Unidos Lehman Brothers, fundado em 1850 (que tinha resistido à crise de 1929).
A falência do banco Lehman Brothers foi seguida pela falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos, a American International Group (AIG). O governo dos EUA injectou oitenta e cinco mil milhões de dólares de dinheiro dos contribuintes na AIG. Os prejuízos foram nacionalizados.
As mais importantes instituições financeiras do mundo, Citigroup e Merrill Lynch, nos Estados Unidos; Northern Rock, no Reino Unido; Swiss Re e UBS, na Suíça; Société Générale, na França declararam perdas muito altas. No Brasil, as empresas Sadia, Aracruz Celulose e Votorantim anunciaram elevadas perdas.
O governo dos Estados Unidos renacionalizou as agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac (privatizadas em 1968).
A gravidade da crise de 2008 é semelhante à de 1929, mas em 2012 e 2013 o seu centro já não está nos Estados Unidos, está na Europa, como disse, mais concretamente, na Zona Euro.
E porquê na Zona Euro? A razão fulcral é o facto de a moeda euro não ter Banco Central. O hipocritamente chamado «Banco Central Europeu» ou «BCE» não é um Banco Central, o seu nome é propaganda enganosa. Um Banco Central verdadeiro empresta dinheiro ao Estado ou Estados sem cobrar juros, e emite dívida pública comum a todos os Estados para os quais emite moeda.
Não acho que foram os alemães que aplicaram um semi-golpe de Estado palaciano que impôs a ausência de um Banco Central para a moeda euro. A responsabilidade é colectiva de todos os países que criaram a moeda euro sem Banco Central. Esta queda no vazio, esta ausência de Banco Central para a moeda euro foi aproveitada pela Alemanha, para tirar vantagens a curto prazo. Foi a Alemanha que aumentou em grande proporção a crise da Grécia. É a Alemanha que impede, custe o que custar, a criação de um Banco Central para a moeda euro.
A indústria automóvel da Itália e da França está a ser gravemente danificada pelos alemães.
Só quando a crise da Zona Euro atingir em profundidade a Itália, a Espanha e a França é que serão tomadas medidas importantes na Zona Euro, que podem ser a saída da Itália e da Espanha da moeda euro, o que provocará o colapso da moeda euro.
Não acredito que a Alemanha permita a criação de um Banco Central verdadeiro para a moeda euro. Quando a Itália e a Espanha estiverem mesmo à beira do abismo irão sair da moeda euro e darão um golpe fatal na arrogância e no egoísmo imperialista da Alemanha.
A soma do PIB da Itália e da Espanha é superior ao PIB da Alemanha.
Portugal, sozinho, não tem a mínima hipótese de resolver a sua crise, dentro da Zona Euro. Para Portugal das duas uma, ou a Zona Euro muda as regras do jogo ou Portugal terá que voltar à moeda escudo.
Cavaco Silva falou há pouco nas televisões e não disse nada que possibilite imaginar uma saída para Portugal da crise em que está mergulhado. A troika («BCE» «CE» e FMI) empurra-nos para o precipício social, mas o governo PSD-CDS puxa Portugal para o precipício social, mais ainda do que a própria troika.
Se houvesse Banco Central para a moeda euro, se o «BCE» fosse transformado num Banco Central verdadeiro não cobraria juros pelo empréstimo a Portugal. Esses juros que o «BCE» cobra a Portugal estão a arruinar a economia portuguesa. Se a «Comissão Europeia» fosse autêntica não cobraria juros pelo empréstimo a Portugal.
Portugal caminha para o abismo social.

 «Sejamos claros, mais uma vez: a minha geração é a primeira da história recente a viver pior do que a anterior em muitos aspectos. Os nossos vínculos laborais são cada vez mais precários, e é quando existe sequer situação laboral para adjectivar; o acesso às coisas que demos por garantidas, como a saúde e uma educação de qualidade, está a ser-nos negado, a nós e aos nossos filhos. A ideia de que o futuro vai ser melhor desapareceu por completo. (…)
O que me preocupa mais é que a geração dos nossos filhos tem tudo para viver muito pior do que a nossa, e em todos os aspectos, e não apenas materiais. O modelo neoliberal que nos está a ser imposto (também por um grupo de pessoas que se uniu para implementar a sua ideologia a nível internacional) traz consigo, porque caso contrário nunca poderá ser implementado em pleno, a destruição lenta dos mecanismos da democracia.» (Mariana Avelãs, in «Congresso Democrático das Alternativas», 5 de Outubro de 2012)

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