terça-feira, 15 de janeiro de 2013

OS MISERÁVEIS DE VICTOR HUGO NO SÉCULO XXI


Dois conceitos centrais nesta obra são o empresário dinâmico que cria empregos bem pagos para muita gente, que assim é retirada da miséria e o conceito de Deus do cristianismo, mais precisamente do catolicismo.
Há depois o conceito de revolução popular falhada, com a bandeira vermelha.
O livro é interessante. O actual filme em cartaz é um musical. Sem ter lido sobre o filme calculo que os actores cantam, efectivamente, mas não é gravado o que eles cantam. Depois um cantor profissional canta e é colocada na banda sonora a voz do cantor profissional. Um bom actor não é bom cantor e um bom cantor não é um bom actor, em minha opinião.
Victor Hugo viveu no século XIX (1802 - 1885) teve grande sucesso na crítica, e comercial, com «Os Miseráveis» em 1862, depois de ter tido grande sucesso com «Notre-Dame de Paris» de 1831. Na Literatura foi um dos nomes mais marcantes do romantismo europeu, considerado o escritor europeu de maior sucesso no conceito crítica e comercial, na sua época. Foi contemporâneo do seu compatriota socialista Proudhon (1809 – 1865) e dos alemães Karl Marx (1818 -1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895).
Politicamente, destaca-se por ser opositor à pena de morte, tendo elogiado a elite portuguesa da monarquia constitucional, que na década de 1860 aboliu a pena de morte em Portugal (para todo o tipo de crimes civis), acto pioneiro (Lei de 1 de Julho de 1867). Vítor Hugo foi um humanista, preocupado com a miséria do povo no século XIX. Acreditava no papel positivo da alta burguesia na criação de emprego, através da criação de unidades industriais. O personagem principal do livro é um ex-condenado que se torna um rico burguês, empresário industrial, com a ajuda de um padre católico, acentuadamente altruísta.
Os Miseráveis é uma obra da época da grande Contra-Revolução Monárquica europeia que se seguiu à derrota de Napoleão Bonaparte em 1815, perante os ingleses e os alemães da Prússia.
Um aspecto central é a revolta popular de 1832 em Paris, que foi afogada em sangue pelos monárquicos.
A Inquisição Monárquica que se ergueu a partir de 1815 representou um dos maiores retrocessos civilizacionais na Europa, liderada pelos ingleses, pelos prussianos, pelos austríacos e pela Rússia czarista.
Vítor Hugo foi um humanista bem intencionado, politicamente foi contra os socialistas franceses como Proudhon e contra as ideias comunistas de Marx e Engels, como vimos, seus contemporâneos.
Curiosamente, Victor Hugo tem um ponto concreto comum com Marx e Engels e os socialistas, que foi a condenação do golpe de Estado de Luís Bonaparte, em 1851.
Karl Marx escreveu «O 18 do Brumário de Luís Bonaparte» (em alemão: "Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte"), escrito entre Dezembro de 1851 e Março de 1852, publicado originalmente na revista «Die Revolution», parte da análise dos acontecimentos revolucionários em França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de Estado com o qual Luís Bonaparte se tornou o imperador Napoleão III, à semelhança de seu tio Napoleão I. (Adoptou o título de Napoleão III, em homenagem ao falecido filho de Napoleão Bonaparte, que seria Napoleão II).

Vítor Hugo foi um homem do seu tempo. As suas ideias no século XXI têm outro significado. Em 2013 a ideia do empresário regenerador criador de emprego é uma ideia central da Contra-Revolução Neoliberal que assola a Europa e o Mundo.

No entanto, as suas ideias humanistas contra a pena de morte, no século XIX, colocam-no bem à frente dos norte-americanos do século XXI.
E já que que estou a falar de cinema e de Vítor Hugo não deixo de assinalar a vergonhosa e bárbara legislação da Califórnia onde ainda existe a pena de morte. E assinalo também que o criminoso arrivista austríaco ex-nazi e naturalizado norte-americano, o actor de cinema Arnold Schwarzenegger, aí republicano e neoconservador, assinou a sentença de morte de pessoas que podiam estar inocentes, porque o seu arrivismo levou-o da Áustria a governador da Califórnia.

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