terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A TEORIA E A PRÁTICA NA POLÍTICA – O MARXISMO-LENINISMO E A UNIÃO EUROPEIA


As teorias dos filósofos alemães Marx e Engels pareciam boas para criar uma alternativa à Democracia Burguesa, que é a Democracia Contemporânea ou actual. Existe sim Democracia, muito superior à Democracia Grega Ateniense esclavagista, ao Parlamentarismo Inglês do século XVIII esclavagista e à Democracia dos Estados Unidos do século XVIII esclavagista. A Democracia Contemporânea ou actual é toda ela socialmente dominada pela alta burguesia, que representa entre 2 a 5% da população.
A Democracia Burguesa actual tem variantes, é melhor nuns países do que noutros. Há ainda o caso de algumas monarquias europeias se terem aburguesado, abdicando do poder efectivo, tendo apenas significado diplomático, porque o rei ou a rainha, no essencial, é um chefe de Estado chefe da diplomacia, mas não tem poder político efectivo.
De tal maneira os reis e rainhas europeus abdicaram do poder efectivo, que neste momento, as monarquias europeias são semelhantes às repúblicas onde o presidente da República é escolhido pelo Parlamento. Quer isto dizer que quem manda de facto nas monarquias europeias sobreviventes é o Parlamento.
A qualidade de uma Democracia Burguesa não é aferida pelo facto de ter ou não um rei ou rainha sem poder político, mas pelo respeito pelos Direitos Humanos, pelo respeito pelo Direito Internacional e pela dimensão das desigualdades sociais, e pelos Direitos Sociais.
Quase ninguém refere o poder do presidente da República da Itália, porque ele é eleito pelo Parlamento. Tem um poder semelhante ao da rainha da Inglaterra. Tanto na Itália como no Reino Unido o poder, de facto, pertence ao Parlamento.
Ora, Marx e Engels viveram a totalidade das suas vidas, no século XIX, sem que nenhum governo adoptasse as suas ideias. O filósofo e político russo Lenine (Vladimior Ilitch Ulianov), na segunda década do século XX, dirigiu a primeira revolução, baseada nas teorias políticas, económicas e sociais de Marx e Engels. A Revolução Russa de Outubro (Novembro no calendário russo) de 1917 permitiu experimentar as teorias políticas, económicas e sociais de Marx e Engels e criou um regime político-económico-social que acabou por se auto-destruir devido às contradições entre a teoria e a prática.
Para Portugal a União Europeia foi apresentada como uma grande oportunidade teórica de subida acentuada da qualidade de vida de toda a população. Nos primeiros tempos assim foi, houve uma acentuada melhoria da qualidade de vida de toda a população, foi pela primeira vez, desde a fundação da nacionalidade no século XII, criado o rendimento mínimo para evitar a miséria absoluta e a fome absoluta, melhoria que se manteve com a entrada de Portugal para a moeda euro.
A arquitectura legislativa incorrecta da moeda euro e do «BCE» passou despercebida nos momentos de prosperidade relativa, ao ponto de Portugal, aparecer no top 10 mundial da qualidade dos cuidados materno-infantis e da qualidade das infra-estruturas rodoviárias, com uma redução acentuada das mortes nas estradas, não só considerando a proporcionalidade entre as mortes e  o número de automóveis, como também em termos absolutos.
A crise de 2008, criada pela alta burguesia financeira dos Estados Unidos, foi importada pela Zona Euro, onde se centrou, e assistiu-se e assiste-se a um retrocesso civilizacional de grande magnitude na Zona Euro, especialmente na Grécia, em Portugal, na Irlanda, na Espanha e na Itália. Este retrocesso civilizacional nestes países continua.
Será que a prática da permanência na União Europeia e na Zona Euro irá conduzir a resultados semelhantes aos do marxismo-leninismo na Rússia, isto é à implosão, por graves contradições entre as expectativas da teoria e as cada vez mais dolorosas condições da prática?
Em Portugal não se vê uma luz ao fundo do túnel, penas se vêem práticas que tornam cada dia pior que o anterior. Não se vê um futuro melhor, vê-se sim um futuro cada vez mais sombrio. 

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