domingo, 2 de dezembro de 2012

O RETROCESSO CIVILIZACIONAL NA EUROPA


Estamos, neste ano de 2012, a assistir a um retrocesso civilizacional na Europa de grande magnitude.
É muito importante que as pessoas da Esquerda analisem com frieza o total descalabro do marxismo-leninismo na Rússia, ao longo do século XX. Esse descalabro deve-se em primeiríssimo lugar aos erros da teoria económica marxista, no último volume de «O Capital» de Karl Marx. Em «O Capital» Marx faz a mais profunda crítica ao sistema capitalista, mas não consegue criar uma alternativa credível.
Os iluministas do século XVIII que se dedicaram à análise política criaram um conjunto de ideias que arrasaram, definitivamente, o poder económico do clero e o poder económico e político da nobreza. Criaram um conjunto de ideias que levou a burguesia a conquistar o Mundo. Ora, Marx e Engels pensaram, que assim como a burguesia se tinha tornado a classe dominante com o aniquilamento do poder do clero e da nobreza, o proletariado poderia tornar-se a classe dominante, derrubando a burguesia. Isso não foi possível, nem parece ser de acordo com as ideias sobre aquilo que é possível na civilização de 2012.
Nada nos pode provar que a Humanidade tem estado numa evolução para melhor, nos domínios da ética e da moral, nomeadamente desde o século XVIII. A evolução da Humanidade tem sido sempre para melhor nos domínios da Ciência e da Tecnologia, desde o século XVIII. Curiosamente, foi na Alemanha da primeira metade do século XX, que assistimos a um grande desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, paralelamente a um retrocesso ético e moral de magnitude nunca vista. O triunfo do Mal Absoluto numa civilização altamente desenvolvida nos domínios da Ciência e da Tecnologia, na primeira metade do século XX, concretamente na Alemanha, mostra-nos que o Mal Absoluto em qualquer momento pode voltar.
Na Humanidade a luta entre o Bem e o Mal tem-nos mostrado o triunfo permanente do Mal.



O problema da Humanidade não é fazer o Bem triunfar sobre o Mal, porque parece totalmente impossível o Bem triunfar sobre o Mal na espécie humana. Ora, a espécie humana, até hoje, tem sido uma espécie em que o Mal tem dominado sempre. A questão que se põe (em 2012) é escolher o Mal menor.
A Humanidade até 2012 não se orientou por valores éticos e morais, mas por interesses. Ora, são os interesses divergentes nas sociedades humanas que têm impedido, em muitas ocasiões, o triunfo do Mal Absoluto, substituído pelo Mal menor.
A seguir, vai um texto que exemplifica o retrocesso civilizacional da Europa, e o desejo da alta burguesia e das suas correias de transmissão política, que no caso de Portugal são o PSD, o CDS e o PS, de transformar a vida da alta burguesia num Paraíso e a dos trabalhadores num Inferno.

«A referência no Memorando da troika ao quadro legal que rege o trabalho portuário não fazia prever nada de bom.
No nosso país está a ser testado um modelo pioneiro, que possa vir a ser replicado numa Europa de portos privados em que a vida humana seja um bem menor, fazendo regressar o quadro laboral de um trabalho especializado e de alto risco aos tempos da “praça de jorna” – em que os trabalhadores aguardavam nas praças das cidades que um capataz os escolhesse para uma jornada de trabalho.
O governo começou pelos estivadores.
A iniciativa legislativa promovida pela troika nacional – PSD, CDS e PS – acaba com a carteira profissional e a contratação colectiva, ou seja, não só abre portas ao despedimento de centenas de estivadores, como contribui para o aumento dos riscos associados ao seu trabalho.
A resposta que os trabalhadores portuários têm dado tem sido excepcional. As greves às horas extraordinárias têm-se multiplicado em diferentes sectores – estivadores, administração portuária, pilotos de barra – envolvendo sindicatos independentes, afectos à CGTP-IN e à UGT e contando com a solidariedade de colegas dos portos pela Europa fora. Aliás, é a solidariedade internacional que tem vindo a travar a ameaça de requisição civil. Se o governo optar por esta via, militarizando os portos nacionais, sabe que arrisca um bloqueio europeu às mercadorias provenientes de Portugal.
Mas esta luta não é apenas dos trabalhadores portuários. Imagine um país em que o médico é substituído por um estivador, um condutor de pesados por um arquitecto, um bombeiro por um cozinheiro.
Tem a certeza que isto não lhe diz respeito?» (Tiago Mota Saraiva, in jornal «i» net)

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