terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ANA KARENINA EM 2012


Fiquei a saber, esta semana, quando vi a versão cinematográfica de 2012 de «Ana Karenina» de Tolstoi,  que a alta nobreza russa czarista da década de 1870 era «gente de bem».
Uma mulher europeia, em 2012, semelhante a Ana Karenina  e que fizesse o que Ana Karenina fez da sua vida não se suicidava, as normas sociais actuais são outras, muito mais favoráveis às mulheres.
A maior surpresa da minha vida intelectual ocorreu, na minha adolescência, no dia em que soube (pela primeira vez obviamente) que os republicanos franceses da década de 1790 cortaram a cabeça ao rei Luís XVI e à rainha Maria Antonieta, que viveram boa parte das suas vidas no sumptuoso Palácio de Versalhes rodeados de «gente de bem».
A classe dominante pode cair quando os dominados já não suportam mais a pobreza e a miséria.
Hoje tenta-se espalhar a ideia de que a alta burguesia é uma classe sagrada e de que a sua opressão será «eterna» e é «inevitável».
Em 2012 a «gente de bem» é a alta burguesia. A alta nobreza europeia que ainda tem alto poder económico é aquela que se aburguesou, que passou a aceitar a alta burguesia como a classe dominante, e que passou a entrar nos negócios controlados pela alta burguesia.
Na Europa ocidental estamos a viver um retrocesso civilizacional de grande magnitude, caracterizado pelo cada vez maior enriquecimento da alta burguesia à custa do empobrecimento das outras classes com menos poder económico.
Este retrocesso civilizacional na Europa, que está a ocorrer neste momento, é de uma magnitude muito superior à escala transmitida por alguns programas de televisão ou de rádio e por parte da imprensa.
A Portugal voltou a fome, num processo de aumento progressivo da penúria, enquanto se verifica uma transferência de riqueza das classes trabalhadoras para a alta burguesia, de dimensão «épica», na perspectiva dessa alta burguesia.
Mas, assim como a opressão da alta nobreza não foi eterna também a opressão da alta burguesia não será eterna.

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