terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ANA KARENINA DE TOSTOI – CONTRA A CORRENTE


Está em Portugal a ser exibido mais um filme sobre o romance de Tolstoi Ana Karenina. A realização do filme, em minha opinião, é pior que muito má, acho-a péssima. É, em minha opinião, uma mistura de telenovela de quinta categoria, teatro com poucos recursos, e algo que me parece um filme feito por alunos da universidade que deu o diploma ao Miguel Relvas.



Ana Karenina é um enredo no seio da alta nobreza czarista, quando o regime está a aproximar-se do fim. O livro teve a sua versão final em 1877 e o regime russo czarista só durou mais 40 anos.
O livro «Ana Karenina» de Tolstoi é considerado uma obra-prima do realismo na Literatura europeia. No entanto, segue no argumento central, na essência do argumento, um dos aspectos mais detestáveis do romantismo literário europeu, que era o facto de a uma personagem central ter que acontecer uma desgraça.
Em Portugal «Amor de Perdição» de Camilo Castelo Branco leva ao extremo o cânone do desgraçadinho ou da desgraçadinha do romantismo literário europeu. Os realistas literários portugueses do século XIX atacaram, violentamente, o «Amor de Perdição», em que a personagem central feminina acaba por se suicidar. Ora Ana Karenina acaba por se suicidar devido ao seu amor de perdição. Odeio toda a literatura do cânone do desgraçadinho ou da desgraçadinha, seja do romantismo, seja do chamado realismo, que em alguns casos segue o pior aspecto do cânone do romantismo que é a ocorrência de uma desgraça a um personagem chave. A literatura dita de referência é importante, para a gente aprender a escrever, formalmente. O conteúdo de «Ana Karenina», em 2012, a mim não me diz nada, assim como não me diz nada o conteúdo de «Amor de Perdição» de Camilo Castelo Branco.
A razão principal, por que os jovens de hoje lêem pouco os grandes escritores do século XIX, em minha opinião, é porque esses escritores tiveram interesse quando foram publicados e hoje os enredos, como o de Ana Karenina, por mais geniais que sejam no formalismo, no conteúdo são palha, não têm nenhum interesse para ajudar a compreender as sociedades actuais.

Sem comentários:

Enviar um comentário