terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A ESQUERDA E O DEBATE SOBRE O FUTURO


«Nasha rodina, CCCP!
18 de Dezembro de 2012 por Bruno Carvalho

Não tive e nunca terei o passaporte soviético de que tanto se orgulhava Maiakovski. Nunca estive e nunca estarei na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Mas nunca esquecerei os que deram a vida pela defesa do primeiro Estado controlado por operários e camponeses. É que por muito que alguns se escondam atrás de cortinas vermelhas para iludir o seu posicionamento ao lado do revisionismo histórico capitalista, a URSS foi, até ao momento, a grande conquista dos trabalhadores de todos os países. O prestígio e a imensa força que a URSS ganhou aos olhos de milhões em toda a Europa depois da derrota do nazi-fascismo fez avançar o movimento comunista europeu. Não há dúvidas de que o capital se teve que ajoelhar e ceder à social-democracia e ao Estado social. Por muitos erros que se possam imputar à URSS, a emancipação de milhões de seres humanos que viviam no Império Russo num ambiente feudal, as conquistas das mulheres soviéticas, o apoio à República Espanhola, a derrota do nazi-fascismo, o apoio à libertação nacional de países africanos e asiáticos, as conquistas no campo da ciência, os desenvolvimentos no campo da arte e do desporto são elementos que bastam para que a verdade seja dura como punhos. Quem quer apagar a história da URSS, com as suas vitórias e derrotas, com os seus acertos e os seus erros, não percebe que a luta de classes é um processo cumulativo e despreza todos os que fizeram parte de uma das mais belas obras da humanidade.» (In Blog «5 Dias net»)

Na Rússia czarista a servidão da gleba permaneceu até ao século XIX, enquanto se admite que tenha terminado em Portugal no século XIII. O servo da gleba era um semi-escravo, pois não podia deixar o feudo a que estava vinculado.
Os servos da gleba eram brancos. Porém a escravatura dos negros só terminou na segunda metade do século XIX, sendo o caso mais conhecido de resistência contra a libertação dos escravos o que se passou nos Estados Unidos.
Os proprietários dos escravos iniciaram uma guerra-civil em 1861 tentando dividir os Estados Unidos em dois países num dos quais, o do Sul, se manteria a escravatura. Perderam a guerra em 1865, mas antes assassinaram o presidente Lincoln, o homem decidido a acabar com a escravatura em todos os Estados dos EUA.
A tomada do poder por Lenine na Rússia em Outubro (Novembro no calendário russo) de 1917 foi a mais radical de todas as revoluções europeias, porque se baseava nas teorias de Marx e Engels, sintetizadas na obra de ambos «Manifesto do Partido Comunista» de 1848.
A Revolução Francesa de 1789 foi uma revolução falhada. No entanto, com todas as suas contradições e derrotas, acabou por dar origem à Democracia Contemporânea com o muito falado Estado Social Europeu.
Na Alemanha dos finais do século XIX, Bismarck dizia que era preciso fazer grandes concessões aos trabalhadores «para evitar revoluções».
É esta a lógica mais utilizada para explicar a construção do Estado Social Europeu nas chamadas «democracias burguesas». Para evitar revoluções, como a dirigida por Lenine, na Europa ocidental foi criado o tal Modelo Social Europeu.
É inegável a contribuição decisiva da União Soviética para a rendição incondicional da Alemanha nazi.



A imposição por Estaline do recuo da fronteira oriental da Alemanha de mil anos (sem objecções dos Estados Unidos nem do Reino Unido), isto é, para a linha dos rios Óder e Neisse do século X



(linha Óder-Neisse, a azul no mapa do III Reich, a seguir)



deixa-nos a todos mais descansados, porque a Alemanha actual (357.121 km²) é mais pequena do que a França (551.695 km²), do que a Espanha (504.645 km²) e do que a Suécia (449.964 km²). (Brasil  8.515.121 km²(Rússia – 17.075.400 km²; Canadá – 9.984.670 km²; Estados Unidos – 9.826.675 km²; China – 9.706.961 km²)
Mas também é inegável que o regime fundado por Lenine se auto-destruiu, implodiu por contradições internas e foi sempre uma ditadura terrível da classe política.
Também é verdade que a Revolução Francesa de 1789 só durou dez anos. De 1799 a 2012 passaram 213 anos, durante os quais se estruturou a Democracia com o Modelo Social Europeu ocidental. Mas, se lermos, por exemplo, «O Contrato Social» (1762) de Jean-Jacques Rousseau, o livro que deu origem à proclamação da República em França em 1792, à efémera proibição da escravatura em 1794, ao conceito Direitos Humanos, à liberdade de expressão de pensamento e à escolha dos governantes em eleições livres e periódicas, verificamos que as utopias de Jean-Jacques Rousseau vieram a concretizar-se, no essencial.
Desde a Revolução Russa de Outubro de 1917 até 2012 só passaram 95 anos (falta muito para 213 anos). Mas, no aspecto da liberdade de expressão do pensamento, a URSS representa um retrocesso em relação às ideias de Jean-Jacques Rousseau.
No ano 2 130 (dois mil cento e trinta / 1917 + 213) muitas das reivindicações dos marxistas actuais poderão ter passado à prática, como passaram as utópicas ideias de J-J Rousseau. Eu estou convencido que o melhor futuro para a Humanidade não é voltar às ditaduras que vigoraram na URSS, mas sim manter a Democracia, mas com muitíssimo menos desigualdades sociais. Parece-me pois que é fundamental rever as teorias de Marx e Engels, e de Lenine, e adaptá-las à Democracia, nada de mais ditaduras.

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