sábado, 8 de dezembro de 2012

A DEMOCRACIA E A SUA CAPTURA PELA ALTA BURGUESIA E OS CRIMES EM NOME DO ESTADO I


Actualmente há um grande debate dentro da Esquerda sobre a captura de muitas democracias pela alta burguesia, como é o caso da democracia portuguesa da III República, como é o caso da União Europeia, toda ela capturada pelo PPE (Partido Popular Europeu) que é uma união dos partidos da Direita, que defendem a alta burguesia custe o que custar, que fazem parte do chamado «Parlamento Europeu», um nome errado, que revela que quem o colocou não sabe o mínimo de Geografia da Europa. Mas a ignorância da Geografia é muito comum nos políticos, num debate com Obama, Romney disse que o Irão apoiava Assad, porque «a Síria era a única saída do Irão para o mar». Romney, na televisão, afirmou que não sabia onde ficava o Irão e onde ficava a Síria.

Para Jean-Jacques Rousseau poderia haver, efectivamente, eleições livres, e uma Ditadura Temporária entre dois actos eleitorais
Em 1762 Jean-Jacques Rousseau já mostrava que entre dois actos eleitorais os eleitores poderiam viver em Ditadura, isto é, como escravos.

«O povo inglês pensa ser livre, mas está redondamente enganado, pois só o é durante a eleição dos membros do Parlamento, assim que estes são eleitos ele é escravo.» (Jean-Jacques Rousseau in «O Contrato Social», Ed. Martins Fontes, São Paulo, Brasil, 1999)

A Democracia Contemporânea tem as suas raízes nos pensadores iluministas do século XVIII, nomeadamente em Jean-Jacques Rousseau, que considerava que a Democracia implicava Direitos Humanos, conceito incompatível com a Democracia grega ateniense esclavagista, com o Parlamentarismo inglês também esclavagista e com a Democracia dos Estados Unidos também esclavagista. Jean-Jacques Rousseau era total e absolutamente contra a escravatura.

Ora a crítica ao capitalismo de Marx e Engels, sintetizada no livro conjunto «Manifesto do Partido Comunista» (1848) teoriza um novo conceito de Ditadura a que eles chamaram «Ditadura do Proletariado», que seria um regime transitório para um novo conceito de Democracia associado a uma sociedade sem classes. A experiência iniciada na Rússia em 1917 por Lenine baseada nas obras de Marx e Engels falhou, factualmente, o regime deu origem a uma Ditadura da classe política e implodiu, isto é, auto-destruiu-se por contradições internas.
Esta má experimentação das teorias de Marx, Engels e Lenine é que bloqueia muitos partidos que se reclamam de base marxista, e também a dificuldade desses partidos de se demarcarem, claramente, dessa experimentação, e os impede de convencer muitos eleitores em Democracia.

A seguir vão uns extractos de textos publicados no blog marxista da blogosfera de língua portuguesa (pt) «5 Dias net», que abordam a ligação dos partidos às classes sociais e ao conceito Democracia.

«7 de Dezembro de 2012 por Ricardo Santos Pinto
Aproveito um excerto do magnífico comentário do leitor Paulo Moreira para justificar o título do post.»

«A burguesia dedica ao PCP um ódio de morte que não dedica a nenhuma outra organização da esquerda portuguesa. Odeiam o PCP por aquilo que ele é: um partido de trabalhadores, em que a direcção é composta maioritariamente por operários (Sim operários, gente que faz com as mãos as coisas que nós usamos). Odeiam o PCP, por ao contrário do PS ou do Bloco de Esquerda, nunca ter traído nem dado o dito por não dito. Assusta-os a clareza com que propõe a destruição do capitalismo, intimida-os a firmeza da sua convicção na vitória dos explorados sobre os exploradores.»

«Não sou militante do PCP. Não sei se alguma vez o serei. Condeno veementemente todos os regimes ditatoriais do passado e do presente, comunistas, pretensamente comunistas ou não.» (In Blog «5 Dias net»)

Após a II Guerra Mundial, os vencedores resolveram fazer um julgamento em Nuremberga da elite alemã do III Reich. Aproveito para dizer que não tenho nenhuma simpatia pelos alemães nazis nem pela teoria do nazismo em si, e que sou adepto da Democracia.



Estes julgamentos de Nuremberga tiveram, objectivamente, dois aspectos: um julgar os crimes em nome do conceito Estado e dois humilhar  a elite militar do III Reich alemão, pelos êxitos conseguidos no início da guerra. Para Churchill a humilhante derrota dos exércitos conjuntos britânico e francês na batalha de Dunquerque, diante dos alemães, justificava todo este teatro chamado julgamento. Também os vencedores da guerra queriam justificar a execução por enforcamento dos dirigentes militares do III Reich, e não por fuzilamento sem julgamento, como sugeriam as chamadas leis militares. Na guerra os vencedores matavam os comandantes dos vencidos, se quisessem, só por serem vencedores. Os militares dirigentes do III Reich já tinham sido condenados à morte muito antes do julgamento ou julgamentos começarem, pelo que, neste aspecto, o julgamento ou os julgamentos de Nuremberga foram uma vergonhosa encenação teatral dos vencedores da II Guerra Mundial.
Para além da vergonhosa encenação teatral de Nuremberga dos vencedores da II Guerra Mundial, o que ficou desse teatro a que  chamaram julgamentos, de positivo para a Humanidade foi o conceito de julgar os crimes em nome do Estado.
Ora, os crimes das democracias da NATO são crimes em nome do Estado – roubo (especialmente de petróleo), destruição de infra-estruturas, rapto, tortura, incluindo tortura até à morte,





condenações à morte sem julgamento e prática dos respectivos assassinatos, massacres de civis, incluindo genocídio, invasão directa ou indirecta de países soberanos membros da ONU.



O grupo social associado a estes crimes das democracias é a alta burguesia.
É curioso que um dos crimes imputados em Nuremberga aos dirigentes militares alemães nazis foi o crime de invasão de países soberanos.

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