quarta-feira, 14 de novembro de 2012

RESPOSTA A UM MANIFESTANTE PACÍFICO


«AQUILO QUE HOJE SE PASSOU, DO PONTO DE VISTA DE UM MANIFESTANTE PACÍFICO:
Para que não vinguem as mentiras da Administração Interna aqui têm o meu relato do que realmente se passou em frente à Assembleia.
Sim, é verdade que cerca de 20 a 30 pessoas passaram mais de uma hora a atirar petardos, pedras e garrafas à polícia. Por essa razão, os outros 99% de CIDADÃOS PACÍFICOS mantiveram a devida distância, para nem serem confundidos nem fazerem parte da acção de alguns animais. A certa altura, as pessoas perceberam que algo se estava a passar. Demasiadas movimentações de polícia na Assembleia demasiado organizadas.
Cá em baixo, numa das laterais um grupo de polícia à paisana abandona rapidamente a manifestação. Mais tarde, as televisões diriam que as pessoas foram avisadas para dispersar. Cá de baixo, posso-vos dar uma certeza, nenhuma pessoa com uma audição normal ouviu um único aviso.
A polícia disparou cerca de 4 a 6 petardos pela manifestação e carregou. Como estávamos todos bem afastados, os CIDADÃOS PACÍFICOS não fugiram. Mas quando vi um pai a fugir com o filho no colo e a levar bastonadas percebi que quem estava atrás das viseiras já não eram pessoas.
Fugimos, mas por mais rápidos que tentássemos ser, eram pessoas a mais para conseguirem ser mais rápidas que a polícia. Felizmente não recebi carga, infelizmente porque atrás de mim tinha um escudo humano a tentar fugir. Ao meu lado, um senhor tentava fugir com a mulher de cerca de 50 anos, que chorava com a cara cheia de sangue. Não, esta senhora não levou com pedras dos manifestantes. Esta senhora estava cá atrás. Esta senhora levou com um cassetete.
Fugimos para uma rua afastada, onde pensávamos estar todos seguros e mostrar à polícia que não queríamos estar na confusão, nós os CIDADÃOS PACÍFICOS. Nada nos valeu, pois a polícia perseguiu as pessoas pelas várias ruas em redor da Assembleia, carregando em todos. O que me safou foi uma porta aberta de um prédio, onde me refugiei com mais 8 CIDADÃOS, incluindo jornalistas da Lusa. O que lá fora se passava era incrível. Uma senhora de idade que chegava a casa tentava entrar no seu prédio mas a polícia gritava-lhe para que descesse a rua.
Só mais de 30 minutos depois conseguimos sair e o que mais me impressionou foi a quantidade de sangue que havia pelos passeios, bem longe da Assembleia.»

(Caro amigo, permita-me interromper o seu texto, com esta informação, essa toda poderosa PSP, no dia 25 de Abril de 1974, não apareceu para defender o governo de então e sabe porquê? Porque não eram manifestantes pacíficos que estavam a derrubar o governo, eles só são bons a lutar contra manifestantes pacíficos, mas no dia 25 de Abril de 1974 a PSP, com a sua Polícia de Choque não apareceu para defender o governo. Por que terá sido? Eles só são corajosos contra manifestantes pacíficos, no dia 25 de Abril de 1974, os elementos da PSP com a sua Polícia de Choque rezavam para que as suas vidas fossem poupadas! Por que não apareceram eles a ocupar as ruas em 25 de Abri de 1974?)

«NÃO ACREDITEM EM MENTIRAS. ERA POSSÍVEL NÃO TER PERSEGUIDOS CIDADÃOS PACÍFICOS QUE FUGIAM POR RUAS AFASTADAS MAIS DE 200 METROS DA ASSEMBLEIA.
Mesmo quando estava “barricado” no prédio, mesmo com a porta fechada tive, pela primeira vez, muito medo da polícia.
O que sinto agora não é nem raiva, nem revolta. É uma vergonha enorme e uma imensa e profunda TRISTEZA.
É assim que se tira a vontade ao povo civilizado de se manifestar. Tira-se-lhe a esperança.»

Se o destino de Portugal estivesse entregue a manifestantes pacíficos, ainda hoje vivíamos no regime de Ditadura fundado pelo marechal Gomes da Costa e por Salazar.
Não sei se sabe, mas esse regime de Ditadura foi destruído por homens nada pacíficos, foi destruído por homens muito violentos armados com canhões e metralhadoras. Essa Democracia onde você hoje vive foi fundada por homens violentos com canhões e metralhadoras, dispostos a matar. Não sei se sabe que Marcelo Caetano se rendeu depois de um ataque com tiros de metralhadora como aviso, de que se o ultimato desses homens violentos não fosse cumprido o quartel da GNR do Carmo seria arrasado com tiros de vários canhões, a ele apontados à queima-roupa.
Como vê os manifestantes pacíficos são inúteis quando é necessário mudar o curso dos acontecimentos. Bem gostaria a PIDE que no dia 25 de Abril de 1974, que em vez dos homens violentos armados com canhões e metralhadoras tivessem aparecido manifestantes pacíficos para tentarem derrubar o regime.
Pelo exposto, parece que os manifestantes pacíficos são historicamente inúteis, e que os homens violentos, dispostos a matar, é que derrubaram a Ditadura criada por Gomes da Costa e Salazar.

1 comentário:

  1. Totalmente de acordo. A passividade nas manifestações não nos leva muito longe. O efeito gandhi não é eficaz. Se é necessario uma revolução para mudar o corrente sistema, também é verdade que a revolução infelizmente terá de ser violenta.

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