quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A MITOLOGIA DEMOCRÁTICA E O CONCEITO DE MAL


«Não podemos ter a mínima dúvida de que o inimigo mortal, inexorável do povo alemão é e será sempre a França. É indiferente que a França seja governada por Bourbons ou jacobinos, bonapartistas ou por democratas burgueses, republicanos clericais ou bolcheviques vermelhos…» (Adolf Hitler, in «Mein Kampf», Ed. Pensamento, Lisboa, 1987, p. 478)
É, actualmente, a aliança Alemanha-França que domina a União Europeia. É indiferente que a França seja governada por Sarkozy ou François Hollande, a política externa é exactamente a mesma.
O povo alemão e o povo francês são povos historicamente inimigos, com interesses diferentes.
Adolf Hitler não tinha dúvidas sobre os interesses opostos da Alemanha e da França.
A mitologia democrática em vigor na União Europeia apresenta os franceses e os alemães como ‘povos irmãos’, irmanados por interesses comuns.
Ora, o que se vê neste momento é a decadência acelerada da França devido à concorrência das indústrias alemãs, dentro da Zona Euro.
Um aspecto evidente, actualmente, é o previsível iminente colapso de parte da indústria automóvel francesa, devido à concorrência da indústria automóvel alemã.
O fulcro da questão da problemática da Zona Euro está na concorrência entre a Alemanha e a França. Quando a crise da Zona Euro que assola a Grécia, Portugal, a Espanha, a Irlanda e a Itália chegar à França, teremos o ponto de viragem – ou a Alemanha deixa de mandar na Zona Euro ou a Zona Euro, pura e simplesmente implode.

Outro aspecto da mitologia democrática é afirmar que o nazismo foi o Mal absoluto em oposição ao Bem absoluto das Democracias. Efectivamente o nazismo atingiu o patamar do Mal absoluto.
Mas sob o ponto de vista ético e moral as Democracias têm sido o Bem absoluto?

O nacional-socialismo alemão construiu fábricas de matar pessoas em Auschwitz. Os judeus foram exterminados à escala industrial, calcula-se que tenham sido exterminados pelos alemães cerca de seis milhões de judeus, homens, mulheres e crianças, de todas as idades.

Apesar de, em 1944, Hitler ter mobilizado 12 milhões de homens para a Wehrmacht (Exército, Marinha e Força Aérea) e mais um milhão de homens para as tropas de elite das Waffen-SS, a Alemanha perdeu a guerra.

Criticando os genocídios de civis da Ditadura alemã, a Democracia dos Estados Unidos resolveu fazer dois genocídios de civis no Japão, com bombas atómicas, em Hiroxima e Nagasáki.


Afinal, o Mal absoluto não era exclusivo das Ditaduras. A Democracia dos Estados Unidos praticou o Mal absoluto em Hiroxima e Nagasáki.


Tal como a Ditadura alemã em Auschwitz, a Democracia dos Estados Unidos exterminou homens, mulheres e crianças, de todas as idades, em Hiroxima e em Nagasáki.


O inglês Winston Churchill decidiu mandar matar toda a elite do III Reich, de comum acordo com os seus aliados. Mas Churchill, embora as sentenças já estivessem sido decididas, convenceu os seus aliados a fazer, em Nuremberga, os julgamentos dos membros da elite do III Reich, embora as sentenças já tivessem sido decididas antes dos julgamentos.
Hitler suicidou-se, mas o comandante supremo de todas as Forças Armadas da Alemanha, da Wehrmacht e das Waffen SS, o marechal Wilhelm Keitel decidiu que seria morto pelos vencedores da guerra.
Churchill pensava que os julgamentos de Nuremberga seriam uma boa lição de ética e de moral dos vencedores da II Guerra Mundial, para o futuro. Enganou-se, significaram exactamente o contrário, significaram que o Bem e o Mal são  decididos pelos vencedores.

O marechal Wilhelm Keitel disse isso, claramente, em Nuremberga, que estava a ser julgado por não ter tido competência para ganhar a guerra, que estava a ser julgado por ter perdido a guerra. E acrescentou que com as mesmas acusações que lhe fizeram a ele, se ele tivesse ganho a guerra, julgaria os vencedores da guerra.

O marechal Wilhelm Keitel desmascarou a mitologia democrática e mostrou que a Democracia também pratica o Mal absoluto.

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