terça-feira, 25 de setembro de 2012

O SONHO DE PASSOS COELHO E AS CRUÉIS REALIDADES


O sonho do Passos Coelho de José Vítor Malheiros no «Público» net –  acho esse texto muito mais perto da realidade do que parece. Um exemplo – na Rússia a destruição Do Serviço Nacional de Saúde por Gorbatchov e Ieltsin fez baixar a esperança de vida dez anos, em cerca de uma década, com um verdadeiro morticínio dos pensionistas e das crianças, tudo para implantar a Democracia.
Para Gorbacthov e Ieltsin a economia que sustentava o SNS da Rússia era «irracional».
Pessoalmente, acho que a História não tem qualquer sentido, e que a Humanidade não se dirige para lado nenhum. Custa admitir isto, mas o progresso da Ciência e da Tecnologia nada tem a ver com Democracia e Direitos Humanos. O positivismo dizia que a História tinha um sentido, tal como dizia o marxismo, que a Humanidade mudaria sempre para melhor, o que não é verdade. Dois exemplos: o primeiro exterminador de judeus foi o imperador romano Adriano (Publius Aelius Traianus Hadrianus 76-138 d. C.), o segundo imperador romano mais poderoso de sempre, depois do seu antecessor Trajano (Marcus Ulpius Traianus 53-117 d. C.), ambos nascidos no território da Espanha. O auge do poderio romano foi com Trajano e Adriano. Os judeus ousaram revoltar-se contra Adriano, que reuniu um exército gigantesco, chegou às portas de Jerusalém e disse aos seus generais: «arrasem Jerusalém, não deixem pedra sobre pedra». Foi dito e foi feito, (em 135 d. C.) embora os judeus digam que ficou de pé um bocado dum muro, o muro das lamentações. Adriano mandou exterminar todos os militares e políticos judeus, e expulsou os restantes da Judeia a que mudou o nome para Palestina, o actual, obrigando-os a espalharem-se pelo império. Foi o fim definitivo dos judeus como entidade política e militar, até ao final da II Guerra Mundial (1945).
Ora Hitler mandou fazer fábricas de matar pessoas em Auschwitz, para exterminar todos os judeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades, sem que eles se tenham alguma vez revoltado contra ele. O imperador Adriano podia ter exterminado todos os judeus, mas não o quis fazer. Ora Hitler, mil e 805 anos depois (1940) decidiu exterminar todos judeus, o que prova que a História não tem um sentido, e 1 805 anos depois de Adriano ter arrasado Jerusalém a Humanidade tinha mudado para pior.
Por outro lado o colonialismo europeu (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Bélgica) provocou genocídios quantitativamente muito superiores aos dos nazis, especialmente dos espanhóis nas Américas. Além dos genocídios praticou a escravatura do século XV aos finais do século XIX. Os ingleses (em Democracia) inventaram a guerra colonial biológica - davam aos índios do Canadá cobertores infectados com a varíola e dizimavam aldeias inteiras (obviamente assassinavam ou exterminavam homens mulheres e crianças de todas as idades) com um sofrimento atroz, pior que em Auschwitz.
Por outro lado quero salientar que a invenção da Democracia Contemporânea foi feita pelos iluministas do século XVIII, uma pequena elite. O primeiro a lançar as bases foi Montesquieu com o livro «O Espírito das Leis» (1748), em que defendia a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial o que é quase universal hoje, excepto nos países islâmicos fundamentalistas como a Arábia Saudita, em que misturam religião, política e justiça. Mas a obra síntese do iluminismo político e a base da Democracia actual é «O Contrato Social» (1762) do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, que defende a República contra a monarquia, a liberdade de expressão de pensamento, a soberania popular, eleições livres e periódicas e os Direitos Humanos base como a proibição da escravatura. O conceito de Democracia Contemporânea que é o de J-J Rousseau opõe-se à Democracia grega esclavagista, ao Parlamentarismo inglês esclavagista e à Democracia dos EUA também esclavagista.
A obra de Rousseau «O Contrato Social» foi considerada a ‘Bíblia’ da Revolução Francesa de 1789. A I República da França proibiu a escravatura em 4 de Fevereiro de 1794 na França e em todas as colónias francesas.
Esta Revolução de 1789-1799 foi parcialmente uma revolução falhada e depois voltou a escravatura.
Quem acabou com a Revolução francesa de 1789 foi Napoleão Bonaparte em 1799, ele próprio uma figura produzida pela própria revolução. Mas Napoleão aplicou alguns princípios da Revolução de 1789, como a igualdade dos cidadãos perante a lei com o Código Civil ou Código napoleónico, e a fundação de um sistema público de ensino articulado dividido em primário, liceal ou secundário, e universitário (também conhecido por sistema de ensino público napoleónico), que se tornou quase universal.
Após a derrota de Napoleão em Waterloo (1815), os ingleses, os austríacos, os alemães da Prússia e os russos impuseram, pela força, um dos maiores retrocessos civilizacionais da História da Europa.
Em Portugal quem decidiu acabar com a pena de morte (1867, excepto para crimes militares) e com a escravatura (1869) nas colónias (em Portugal e Índia tinha sido abolida pela dupla D. José I - Marquês de Pombal, em 1761) foi uma pequena elite da nobreza a começar pelo rei D. Luís I, da alta burguesia e alguns intelectuais da pequena burguesia, que influenciou as duas Câmaras do Parlamento que aprovaram as leis.
Hoje Obama, tal como George W Bush, segundo «The New York Times» condena à morte sem julgamento quem lhe apetece e manda realizar os assassínios com o dinheiro dos contribuintes, o que revela um retrocesso para antes da invenção do Direito pela República Romana. G W Bush ostentou e Obama ostenta a tortura em Guantánamo, com a cumplicidade das democracias da NATO e da Suécia. G W Bush decidiu voltar ao colonialismo com a invasão do Iraque, e Obama tem prosseguido. Há provas factuais e documentais de que a NATO iniciou as manobras militares para a invasão da Líbia antes de começarem as manifestações contra Kaddafi, o que prova que as manifestações foram organizadas pelos serviços secretos da NATO.
A guerra na Síria começou com a invasão da Síria por mercenários treinados pela NATO na Turquia. Quero com isto dizer, que em minha opinião, não há nenhuma superioridade moral e ética de grande parte dos políticos das democracias actuais da NATO sobre os do partido nazi, acho que têm a mesma moral zero, e a mesma ética zero, dos nazis. Na minha opinião a diferença entre as democracias e o nazismo é formal, não é moral nem ética. Não acho que os alemães actuais sejam melhores em termos morais e éticos que a geração do nazismo.
As democracias surgiram por imposição de pequenas elites políticas, com apoio popular, que as implantaram. As democracias são melhores que qualquer ditadura. No entanto a moral de grande parte dos políticos das democracias não é diferente da dos políticos das ditaduras. As democracias têm formalismos melhores para os cidadãos que as ditaduras. No entanto, apesar desses formalismos os políticos das democracias praticam a barbárie – tortura em Guantánamo, execuções extra-judiciais e colonialismo (que é uma das piores formas de barbárie).

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