sábado, 15 de setembro de 2012

O DERRUBE DO REGIME


Só há uma maneira de a classe política que está a torturar a maioria dos portugueses sentir o peso da sua incompetência técnica, ética e moral, que é o derrube do regime. O derrube do regime significaria o derrube do governo, o fecho do Parlamento, a substituição do actual presidente da República e a suspensão da Constituição de 1976.
Seria uma revolução militar e popular semelhante à de 25 de Abril de 1974.
No entanto isto é uma hipótese meramente académica, que não terá impacto na realidade.
Terá impacto na realidade sim a política errada de Passos Coelho. Dentro de um ano, se Passos Coelho estiver mais um ano no poder, Portugal estará muito pior do que está hoje. O mercado interno estará perto do colapso, o desemprego estará bastante acima dos 20%, a dívida estará maior e haverá já a percepção de que não será possível pagá-la, porque a economia portuguesa estará destroçada.
Convém lembrar uma questão de hoje – os portugueses estão a empobrecer tão rapidamente que estão a vender os anéis de ouro. Assim, actualmente, esse ouro do empobrecimento está a ser exportado, pelo que fez aumentar as exportações globalmente.
Portugal já está como se tivesse entrado numa guerra e a tivesse perdido. A União Europeia e a moeda euro, significam, na prática, para os portugueses, que a Alemanha invadiu Portugal e que Portugal está sob ocupação alemã.
No entanto, se a situação em 15 de Setembro de 2012 está muito má, em 15 de Setembro de 2013 estará muitíssimo pior.
Na Europa a revolução francesa de 1848 saiu das fronteiras da França e espalhou-se por toda a Europa continental ocidental e central. E, então, a Europa mudou para melhor. Hoje a Europa está em crise e sem rumo. Ninguém sabe aonde é que esta crise da Zona Euro vai dar. A Alemanha, temporariamente, emerge como dominante na Zona Euro, porque não há uma alternativa organizada, que ponha a Alemanha no seu lugar, isto é, no lugar de mais um país da Zona Euro, e não no lugar de um país que domina a Zona Euro.
A Alemanha tem uma área de 357 051 Km2 e uma população estimada em 2011 de 81 844 000 habitantes.
A Espanha tem uma área de 504 030 Km2 e cerca de 47 190 430 habitantes em 2011.
A Itália tem uma área de 301 340 Km2 e uma população de cerca de 60 813 326 em 2011.
A Espanha e a Itália somadas têm uma área de 805 370 Km2 e uma população de cerca de 108 003 756 habitantes.
Segundo dados do FMI de 2011 a Alemanha teve um PIB nominal de 3 577 031 milhões de U.S. dólares e a Espanha + a Itália 3 692 243 milhões de U.S. dólares (Esp 1 493 513 + Ital 2 198 730).
A França com uma área de 551 695 Km2, uma população de cerca de 63 350 000 habitantes e um PIB nominal de 2 776 324 milhões de U.S. dólares está na expectativa. De fundamental, para mudar a relação de forças dentro da Zona Euro François Hollande fez muito pouco, foi um dos políticos que pressionaram o «BCE» para comprar dívida da Espanha e da Itália (e de outros países da Zona Euro) no mercado secundário. Isto é melhor que nada, mas insuficiente para mudar o rumo da Zona Euro.
A Zona Euro e a União Europeia continuam sem rumo e este vazio vai sendo aproveitado pela Alemanha, que aparece com um poder imaginário, totalmente desproporcionado em relação à realidade da área da Alemanha, do seu peso demográfico e do seu PIB nominal.
E entretanto políticos desonestos, incompetentes e meio loucos como Passos Coelho e Vítor Gaspar, vão fazendo, em Portugal, uma colossal transferência de riqueza das classes médias e das classes menos favorecidas para a alta burguesia.

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