terça-feira, 7 de agosto de 2012

A GUERRA NA SÍRIA

Pessoalmente, penso que a invasão da Síria pelos Contras apoiados pela NATO, por Israel e pelas Ditaduras Medievais do Quatar, da Arábia Saudita e do Bahrein representa o cumprimento da agenda imperial-colonial dos neoconservadores.
Se o «E”L”S» tomar o poder na Síria irá impor um regime semelhante à Inquisição. O actual regime laico será substituído por um regime tipo Inquisição.
Há de facto uma grave crise ética e moral nos países da NATO. A Rede de Tortura Guantánamo e Sucursais como a de Bagram e o apoio aos terroristas que invadiram a Síria revelam uma grave crise ética e moral.
Os Estados Unidos estão ainda numa crise financeira e económica, mas não estão a perder poder militar. Acho que o império dos Estados Unidos está em crise ética, moral, financeira e económica mas não militar.
Estou convencido que ganhe quem ganhar as eleições presidenciais nos Estados Unidos em Novembro de 2012, vamos ter mais uma guerra imperial-colonial, contra o Irão.
A seguir divulgo um texto do jornalista francês Thierry Meyssan, mas não penso como ele que o império dos Estados Unidos esteja moribundo, acho que não está. Acho que militarmente continua muito forte.

«DEBAIXO DOS NOSSOS OLHOS»
«O ocidente e a apologia do terrorismo»

por Thierry Meyssan

«Esta nova crónica de Thierry Meyssan é consagrada à análise e ao comentário duma declaração oficial ou dum documento da actualidade. Sempre atento aos silêncios e às palavras, ele observa esta semana a mudança doutrinária dos ocidentais face ao terrorismo.»


«Exéquias nacionais dos generais vítimas do atentado terrorista de 18 de Julho de 2012.»
«O Conselho de Segurança da ONU reuniu pouco depois do atentado de 18 de Julho que decapitou o comando das forças de segurança sírias. Certas, as duas sessões que seguiram traziam sobre as propostas de resolução dos Ocidentais e da Rússia. No entanto, ele voltou ao Conselho de condenar o princípio da acção terrorista, como faz sempre em circunstâncias semelhantes. O habitual é adoptar unanimemente uma declaração e fazê-la ler pelo presidente em exercício do Conselho, no caso o colombiano Nestor Osório. A cortesia quer que se apresentem condolências ao Estado membro que acaba de ser atacado.

Portanto o Conselho ficou silencioso. Os Ocidentais recusaram aplicar à Síria um dos princípios base das relações internacionais: a condenação do terrorismo. Pois, nas suas respectivas declarações, os dirigentes alemães, britânicos, norte-americanos e franceses condenaram as vítimas, consideraram-nas responsáveis pela violência que as atingiu, e refirmaram a sua solidariedade para com aqueles que realizaram o atentado. E ainda: os «média» ocidentais aplicaram-se a denegrir a memória das vítimas, como se as suas mortes não fossem suficientes para satisfazer a sua sede de sangue sírio.
Ninguém duvida que o terrorismo na Síria seja comandado pela NATO e pelo CNS, mas até ao presente a NATO tal fazia com toda a hipocrisia. Não podendo bombardear e arrasar o país devido ao duplo veto russo e chinês, os Ocidentais e os seus aliados árabes faziam sangrar o país fazendo-o ser atacado por mercenários. Houve certos episódios de 12 de Fevereiro de 2012: o apelo à guerra santa de Ayman al-Zawahiri. De repente, a NATO, o CNS e a Al-Qaeda perseguiam o mesmo objectivo. Contudo, fazia-se notar em Bruxelas, as declarações do sheik egípcio só o responsabilizavam a ele, elas não merecem ser comentadas, e a NATO não vai rever as suas posições em função destas «fatwas». O motivo não era convincente, porque ele iludia a questão dos objectivos comuns dos autoproclamados campeões da democracia por um lado e do islamismo por outro, mas as aparências estavam salvas. Desta vez é diferente. Os Ocidentais assumem o seu apoio aos terroristas.
A mudança operou-se na 3ª conferência dos «Amigos» do povo sírio em Paris, em 6 de Julho de 2012. O presidente François Hollande tinha acordado um lugar de honra a indivíduos a quem pagavam em segredo tendo o cuidado de negar conhecê-los. Ele tinha elevado criminosos de guerra à aura de heróis sem suscitar a náusea dos seus parceiros estrangeiros.
Sem esperar que a Al-Qaeda seja convidada para uma próxima conferência dos «Amigos» do povo sírio, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, ficou espantado com este comportamento: «Significa que os Ocidentais continuarão a apoiar este género de ataques terroristas até que o Conselho de Segurança da ONU aceite as suas exigências. É uma posição terrível.» E prossegue «Nós não sabemos como devemos encará-los.»
Com efeito, para lá da questão moral, que significa a viragem doutrinária? Durante uma década, os Ocidentais apresentaram-se como os campeões da «guerra ao terrorismo», hoje eles reivindicam a seu apoio a terroristas.
Numerosos autores, incluindo estrategas dos EUA como Zbignew Brzezinski, sublinharam que a noção de «guerra ao terrorismo» é um conceito absurdo. Não se pode ter uma guerra contra os terroristas, mas contra a sua estratégia. Seja o que for este «slogan de marketing» tinha o duplo objectivo de colocar certos Estados do lado do Bem e de justificar a sua «guerra sem fim» contra todos os outros.
O terrorismo é um método de combate assimétrico que se utiliza sempre por defeito. Permite atingir um adversário, mas é insuficiente para obter a vitória militar e conduz sempre a um impasse político. Ele priva por um longo momento o que faz uso da perspectiva de exercer o poder. O terrorismo é um método imoral que só se emprega em posição de fraqueza, não para ganhar vantagem, mas para ganhar tempo, esperando ser a alternativa para evitar um combate convencional.
Daí a dúvida de Sergey Lavrov. Os Ocidentais estão a caminho de reconhecer a sua imoralidade e a sua impotência? Como classificar o seu comportamento? Ou se poderia pensar que a sua decadência está mais avançada do que ousamos conceber?
Cada um compreendeu que a crise síria não é, ou não será, uma confrontação interna, mas o resultado de um reajustamento do equilíbrio de forças mundial. Washington tenta prosseguir a remodelação do Médio-Oriente alargado e mudar a equação militar regional. Moscovo contesta a sua autoridade e tenta instaurar uma nova ordem internacional, baseada no Direito e no multilateralismo. A Síria é a zona de confronto entre os novos blocos.
A geofísica ensinou-nos que as placas tectónicas provocam tremores de terra. A geopolítica tem os seus. Os publicitários do dito «Exército “Livre” Sírio» evitam evocar esta imagem. Os dois blocos confrontam-se na Síria, mas é a placa ocidental que começa a deslizar por baixo da placa euroasiática, e não o inverso.
Sergey Lavrov considera Washington como um doente em fim de vida. Sabendo-se que «os impérios não morrem na cama», ele tenta acalmar «o império americano» para lhe evitar um acesso de loucura, conduzindo-o sempre gentilmente ao cemitério onde repousará. Ele observa o paciente com prudência. A apologia do terrorismo é o sintoma do começo de uma crise de demência, ou de uma anemia irreversível?»
                                               Thierry Meyssan (In «Red Voltaire»)

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